7 de mar. de 2020

A liderança de Jesus

José Bernardo.

Muitos autores demonstraram a diferença entre o pensamento oriental e ocidental, particularmente no que se refere à liderança. Pessoalmente, eu diria que o ocidente lidera por objetivos, apontando prioritariamente aquilo que deve ser alcançado e desenvolvendo as estratégias para fazê-lo. A meu ver, a liderança oriental está mais relacionada com propósitos, princípios, com a razão da existência e o cumprimento ou completação dela. Uma liderança assim procura a plenitude da vida. Quando comparados com os norte-americanos, se isentos da influência deles, os líderes brasileiros tendem a buscar mais os propósitos do que os objetivos, mais o ‘por que’ fazer algo do que simplesmente ‘o que’ fazer. Essa postura é a razão de nossa liderança ser considerada menos eficiente quando analisada de uma perspectiva ocidental. Ela é menos objetiva, menos numérica, é mais complexa e mais difícil de explicar. Enquanto nossos colegas definem processos e procedimentos, debatemos a razão da vida.

Se Jesus fosse um líder ocidental, ele teria feito um plano trienal para seu ministério, estabelecido um determinado número de pessoas a alcançar com a mensagem do Evangelho, organizado uma lista de contatos nas cidades que visitaria, desenvolvido um produto a ser apresentado, contratado especialista por um processo seletivo objetivo e acompanhado a execução do plano com um gráfico PERT e indicadores de resultado. Mas o que vemos, depois do primeiro sucesso em Cafarnaum, é Jesus se recolhendo a um lugar ermo e orando até esclarecer por que ele havia vindo. Só então voltou à ação. Vamos encontrar essa mesma atitude ao longo dos anos seguintes, frequentemente iluminada pela frase ‘para que se cumpram as Escrituras’. Ao final de seu ministério, Jesus não apresentou um relatório de resultados, não enumerou cidades que visitou ou pessoas a quem pregou, ele disse: ‘está consumado’, usando o verbo gr. teleó, que indica completação.

A forma verbal da grande comissão sugere que nossa liderança deve se concentrar no propósito, igualmente. Conforme Marcos, ‘Ide e pregai’ são vasados no aoristo, tempo verbal que valoriza a ação pura sem definir sua duração ou término: algo como ‘indo, preguem’. Não é um imperativo objetivo como o pensamento ocidental desejaria ouvir; define um princípio, um modo de ação a ser observado. A liderança no cumprimento da missão, portanto, não se pode simplificar na aquisição de quantidades, deve buscar a definição de princípios de ação e a modificação de comportamentos. Desse modo, muito semelhante a Jesus, Paulo não chegou ao final de seu ministério relacionando quantas igrejas fundou ou quantos membros havia em cada uma; ele disse: ‘combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé’. Mas, entre dois mundos, entre a prioridade de propósitos ou de objetivos, sempre corremos sempre o risco de nunca nos realizarmos.
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Este ensaio pertence à série 'Eksucia' do treinamento de obreiros 'Fortalecer - Projeto 72' da AMME evangelizar, que estabelece o poder do caráter como a negação do próprio eu e a encarnação do caráter de Cristo. Aqui defende-se a negação dos objetivos pessoais para a realização dos propósitos divinos.

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