19 de mar. de 2020

O Senhor permaneceu ao meu lado

José Bernardo.

Há um sintoma do Coronavirus (COVID-19) mais destrutivo do que qualquer outro: a perda da visão. Não me refiro à visão física, mas ao propósito da existência, à missão da pessoa e das organizações. Assisti ao vídeo de um deputado português convidando seus pares a esquecerem-se de qualquer outra coisa para se concentrar apenas no combate ao vírus e salvar vidas. Ele foi muito aplaudido, mas qualquer proposta assim, embora pareça muito justa, pode conduzir a um mal ainda maior. O medo é útil para concentrar nosso esforço na saída de uma situação extrema, contudo, ao limitar nossa referência ao perigo que enfrentamos, nos desvia do propósito em que devemos perseverar. Fugindo de uma ameaça, entramos em um desvio angular e, quanto mais nos esforçamos, mais perdidos ficamos. O resultado é quase sempre desastroso. Não é razoável correr olhando para trás. Não há solução dentro do problema.

Sempre mostro aos mais jovens como a Palavra de Deus aponta para a santificação ao invés do pecado: “A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz” Rm 8:6. Esse é um princípio que devemos aplicar em todas as áreas de nossa vida, inclusive ao lidar com uma situação como a pandemia do Coronavírus. O apóstolo Paulo viveu assim e na extrema situação de uma morte iminente, sentindo-se evaporar no altar do sacrifício, escreveu: “Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão” 2Tm 4:17. Se quisermos imitá-lo, primeiro devemos saber qual é a missão para a qual Deus nos vocacionou e, então, encontrar no Senhor, que está conosco até o fim dos tempos, a habilidade necessária para cumpri-la.

Em algum momento de minha vida já pensei que eu ou os ministérios que lidero deveríamos existir para existir. Confesso que estava errado. Devemos existir para a missão à qual fomos vocacionados. Tentar sobrepor nossa existência à soberana vontade de Deus é idolatria. O nosso inimigo anda ao redor como leão, querendo nos devorar. Somente somos livres de sua boca quando cumprimos a missão que o Senhor nos deu. Quando tentamos salvar nossa própria vida, porém, nós a perdemos. Portanto, a questão urgente nesse momento, não é ‘o que faremos para ficar livres do COVID-19’, mas ‘como podemos cumprir nossa missão divina apesar dessa pandemia’. Se quisermos cumprir nossa missão, o Senhor estará ao nosso lado dando-nos a dunamis necessária para vivermos produzindo muito resultado. Cumprindo o propósito de nossa vocação, estaremos livres da boca do leão que tenta, pelo terror, nos precipitar à inutilidade da idolatria e à soberba da autopreservação.

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