5 de jan. de 2020

Eleva-te

José Bernardo.

Muitos teóricos conjugaram as três escolas vienenses de psicanálise para descrever a vontade com que o ser humano procura a vida: a vontade de prazer de Freud, a vontade de poder de Adler e a vontade de significado de Frankl. Este último descreveria o composto pelo viés da decadência. Para ele, o ótimo está no nível espiritual, onde busca-se o significado, sentido ou missão de vida. Deteriorando-se, viria o nível anímico da busca pelo poder, da sobrevivência e, de certo modo, da necessidade de status. Caindo ainda, o ser humano entraria no nível carnal, onde está a fome pelo prazer.

O grande problema com estas visões do ser humano é que elas consideram a pessoa como indivíduo, em quem a busca do prazer, status ou propósito acontece isoladamente, em interação apenas social. Não fosse por isso, a leitura da decadência conforme Frankl estaria muito próxima do que a Bíblia descreve sobre o novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade, e o velho homem que se corrompe por desejos enganosos (Ef 4:22-24). Em todo esse processo de queda e possível restauração, temos o vício, processo cíclico pelo qual o cérebro aprende e exige repetir experiências compensadoras.

Detectamos o vício no nível inferior da carne, conectado à sensação física de prazer. Mas, nas obsessões ele pode estar no nível da alma, na busca pelo status ou superação. A via de escape de qualquer ciclo vicioso é a sublimação, a elevação pessoal ao nível espiritual. Duas condições são necessárias para isso. Primeiro, é preciso conectar a pessoa a um corpo social sadio como membro funcional – a santificação é coletiva. Depois, a pessoa deve encarnar a missão desse corpo. Sendo parte do Corpo de Cristo e vivendo para o propósito da vontade de Deus quebra-se o ciclo vicioso individualista.

Crentes que ainda mantém vícios carnais de comportamento como pornografia, masturbação, glutonaria e hipocondria, ou vícios anímicos como egodistonias, bulimia e automutilação, podem não ter experimentado plenamente a inserção curativa e missional no Corpo de Cristo, através da confissão, perdão, conversão e ministério; “Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função” Ef 4:16. A superação da ilusão de individualismo, o esquema desse mundo (Rm 12:2), é condição para libertar-se dos vícios e experimentar a vontade de Deus.

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