4 de jan. de 2020

Vocação verdadeira

José Bernardo

Vocação se tornou um tema ainda mais importante para as novas gerações. Até mesmo a igreja está envolvida e os congressos, conferências, seminários e livros sobre o assunto atestam isso. Vivendo em um mundo de população crescente, em cidades cada vez maiores, com menores barreiras internacionais e com uma demanda materialista extremamente custosa, adolescentes e jovens são pressionados pela competição por melhores carreiras a salários mais altos. Mas, se a aglomeração intensifica o problema, o fator complicador é o individualismo humanista. Essa geração, sobretudo, procura uma carreira para se satisfazer. Necessidades, desejos e projetos pessoais são seus critérios vocacionais básicos.

Mas, se vocação significa ‘chamado’, como alguém poderia descobrir a própria vocação consultando suas necessidades, desejos e projetos? Como a Geração Z poderia finalmente se realizar vocacionalmente fazendo testes psicológicos, visitando universidades, ouvindo palestras ou, simplesmente, consultando tabelas de salários? Se vocação é chamado, é porque alguém chama para alguma coisa. A referência para a vocação é externa, não interna. Ninguém chama a si mesmo. A grande ansiedade que a questão vocacional gera atualmente é consequência da rejeição do referencial externo, do padrão a ser seguido. Enquanto tenta satisfazer a si mesma a Geração Z fica cada vez mais insatisfeita.

No relato de Marcos (Mc 1:35-39) encontramos Jesus reafirmando sua vocação depois do sucesso ministerial em Cafarnaum. Os amigos apontaram um caminho, as necessidades das pessoas confirmaram e o sucesso, certamente, fazia tudo parecer muito convidativo. Essas também são influências nas escolhas vocacionais de adolescentes e jovens hoje. Jesus superou tudo isso. Saiu de casa ainda dentro da noite e foi orar. Durante mais de três horas, provavelmente, ele trocou seus desejos pela vontade de Deus e, quando os seus amigos finalmente o encontraram, Jesus estava seguro de onde devia ir, o que precisava fazer e que resultados importava obter.

Vocação é chamado e quem chama é Deus. Contrariamente ao que os coachs que contaminam a igreja com secularismos, só encontramos nossa vocação quando ouvimos o chamado divino, e Deus não tem chamado ninguém para ser arquiteto, engenheiro ou médico. Jesus sabia disso e disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra” Jo 4:34. Quando deixarmos de pensar no que precisamos, desejamos ou planejamos para fazer somente a vontade de Deus e realizar a obra dele, então nossa vocação emergirá facilmente. Vocação não é questão de procura, mas de correta disposição.

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