4 de jan. de 2020

Mind the gap

José Bernardo

A África já não precisa de missionários, mas de médicos, enfermeiros e nutricionistas. Ideias como essa são cada vez mais repetidas entre os evangélicos brasileiros e atraem a concordância de muitas pessoas. Com um discurso de que não se pode separar a evangelização da obra social, na prática, faz-se obra social como se fosse evangelização. O pretexto é que nem sempre se pode proclamar o Evangelho, então as boas obras devem tomar o lugar da proclamação, como se tivessem o mesmo efeito, como se fossem o cumprimento da missão. O pensamento consequente é o óbvio questionamento da relevância da pregação.

Uma proposta assim não parte da Palavra de Deus, mas de um pensamento humanista, onde, classicamente, ‘O homem é a medida de todas as coisas...’ (Pitágoras). Esse pensamento sofismático contaminou facilmente a Igreja, fazendo com que suas atividades e até a pregação circulem em torno das necessidades, desejos e projetos humanos. Exemplo desse grave desvio é que nos 44 slides de uma exposição sobre Teologia da Missão Integral, um conhecido militante dessas ideias, lista isoladamente, no cromo 40, apenas catorze versículos de 7 passagens, sem que nenhum deles seja fundamental para suas ideias filosóficas. Teologia assim não se defende biblicamente.

Centralizando a fé prática do cristianismo em sua Palavra, Jesus disse: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” Jo 8:32. A comunicação do Evangelho, não somente é a completa missão da Igreja, como também o único meio de o ser humano ser liberto de sua miséria. Desviada dessa missão, a Igreja é incapaz de concluir a obra daquele que nos enviou. Somente quando se concentrar em sua missão bíblica, a igreja fará a vontade de Deus. Quando isso acontecer, ela não se concentrará onde existam necessidades humanas, mas nos espaços onde a verdade libertadora ainda não seja conhecida.

Então, para os crentes que procuram viver a missão bíblica da Igreja, o conceito ‘mind the gap’, concentre-se na lacuna, é básico. Paulo expressa assim esse conceito em seu ministério: “Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro” Rm 12:20. Que nossa conduta deva ser coerente com a mensagem que pregamos, isso é inquestionável. As questões a serem resolvidas são essas: O que é conhecer a Cristo? Quem ainda não o conhece? Como podem conhecê-lo? Nisso, não somos testemunhas de nós mesmos, mas de Cristo.

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