5 de jan. de 2020

Existe uma saída

José Bernardo.

A pós-modernidade, era em que nasceu a Geração Z, se caracteriza pela desconexão da história. Com a desilusão da exatidão científica proposta pela modernidade, as pessoas passaram a buscar a verdade em suas próprias necessidades, desejos e projetos. Deixaram de se situar na Grande História e se referem prioritariamente ao que sentem. Além disso, do início da adolescência e até o final da juventude, o cérebro se distingue pela insuficiência de memórias e baixa velocidade na projeção do futuro. Culturalmente isolados dos adultos que poderiam supri-los, adolescente e jovens ficaram sem passado e sem futuro, prisioneiros de um presente infinitivo.

Nesse tempo, as pessoas têm a esperança minimizada: não sabem e não querem esperar por coisa alguma. Por isso agravam-se com as doenças modernas: ansiedade, depressão, angústia, medo, egodistonias e uma baixíssima resiliência. A isso seguem os pensamentos suicidas, a automutilação, o hikikomori. Esse é o alto preço do individualismo e adolescentes em conflito com sua identidade sexual, ou os que são alvos de bullying, estão entre os mais vulneráveis. Mesmo quando se tenta dizer-lhes que as coisas podem melhorar, não existe um conjunto de convicções básicas sobre o qual se possa construir tal esperança, então tornam-se escravos de micronarrativas.

Incontáveis filmes, animes, contos e minisséries narram as estórias de adolescentes sofridos, que descobrem superpoderes para superar limites e viver como desejam. Essa ilusão monumental é sintoma e placebo da desesperança como enfermidade social. Quando Jesus esteve aflito, angustiado, profunda e mortalmente triste (Mc 14:33,34), ele não procurou uma ficção de superação. Podendo fazer qualquer coisa, Jesus orou durante três horas a oração cujos elementos poderiam libertar qualquer jovem na mesma situação: “E dizia: ‘Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres’” Mc 14:36.

É possível identificar cinco elementos curativos nessa oração de 30 segundos, que Jesus pode ter repetido por mais de 300 vezes: relacionamento, horizontal, porque Jesus estava entre os discípulos, e vertical, porque ele reconhece Deus como Pai; conhecimento, porque ele sabia do que o Pai é capaz; dependência, em que ele aceitou que não podia resolver o assunto por si só; abnegação, quando pediu que não fosse feita a própria vontade; submissão, ao pedir que se fizesse a vontade do Pai. Depois de insistir nessa oração, Jesus se levantou renovado, enfrentou e venceu toda a violência física, emocional e espiritual.

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