13 de nov de 2018

3. Quando acontece a vocação?

José Bernardo
Série Vocação: sete estudos bíblicos nos evangelhos para entender vocação conforme a Bíblia.


Se você começou a lidar com a vocação agora, talvez ache que ainda é cedo para isso. Saber onde ir, o que fazer e como medir o sucesso são ideias difíceis de desenvolver para a maioria das pessoas. Mas isso não fica mais fácil com a idade e há pessoas que nunca chegam à certeza de sua vocação. É uma determinada postura pessoal que facilita a descoberta do chamado. No texto que vamos examinar, encontramos o próprio Jesus assumindo essa posição e identificando claramente sua vocação. Ele é um exemplo para nós. Se o imitarmos, a idade não será um obstáculo para nós.





Leitura bíblica: Marcos 1:32-39
32Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. 33Toda a cidade se reuniu à porta da casa, 34e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando. 36Simão e seus companheiros foram procurá-lo 37e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando!”
38Jesus respondeu: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim”. 39Então ele percorreu toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.


[V] Saiu de casa
Marcos propôs-se a escrever o ‘Princípio do evangelho de Jesus Cristo’. Depois do anúncio por João Batista, batismo, tentação, evangelização e discipulado, Marcos relata vinte e quatro horas no ministério de Jesus. Ele teria chamado seus primeiros discípulos para deixar tudo e abraçar sua missão. Então, no sábado pela manhã ele pregou na sinagoga, ficou na casa de Simão (Pedro) e, no início do domingo (para nós a noite daquele sábado), atendeu à multidão que se reuniu na frente da casa.
  • Como se iniciou aquele primeiro domingo depois do chamado que Jesus fez aos primeiros discípulos? 32Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. 33Toda a cidade se reuniu à porta da casa, 34e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era”. O sábado terminava ao por do sol, e muitas atividades envolvidas em ir buscar a cura e libertação não podiam ser feitas antes disso. Os três versículos são dominados pela ideia de quantidade: todos os doentes e endemoninhados, toda a cidade, muitos que sofriam, várias doenças, expulsou muitos demônios. Marcos quer dar uma ideia da dimensão do sucesso desse primeiro dia de ministério com os discípulos e do grande impacto que Jesus produziu na vida daquela cidade. Ao mesmo tempo, evidencia como Jesus evitava a popularidade, especialmente sabendo os demônios quem ele era. Esse tema será recorrente em todo o Evangelho de Marcos.
  • Como Jesus agiu depois do sucesso no atendimento a tantos necessitados? 35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”. No original, Marcos usa três advérbios em linha para explicar o quão cedo era quando Jesus estava levantando, saindo e apartando-se para um lugar desabitado e não cultivado. Isso mostra a clara intenção de Jesus orar só, retrato que Marcos mostra no início do Evangelho, no meio, depois da multiplicação dos pães (Mc 6:46) e no final, no Getsêmani (Mc 14:32-39). Outro termo que bem ilustra a importância desse momento a sós com o Pai, é o próprio termo traduzido como ‘ficou orando’: gr. proseukhomai. O sufixo gr. eukhomai significa orar no sentido de apresentar um desejo ou pedido. O termo é modificado pelo prefixo gr. prós, que significa ‘em direção a’ ou ‘junto com’. A ideia desse termo é que na oração há uma troca dos nossos desejos pelos desejos de Deus, daquilo que queremos por aquilo que ele quer. O resultado desse tipo de oração fica evidente no verso 38, na resposta de Jesus aos discípulos chamados.
  •  Como os discípulos procuraram Jesus e que explicação deram para isso? 36Simão e seus companheiros foram procurá-lo 37e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando!” Os dois termos, tanto a descrição de Simão e seus companheiros ‘procurando’, como o relato deles de que ‘todos estavam procurando’, indica uma intensa procura. Literalmente os discípulos ‘caçaram’ Jesus. Havia um grande interesse em encontra-lo, urgência e necessidade. O termo traduzido por ‘encontrá-lo’ e o fato de que ‘todos’ o estavam procurando, reforçam esta ideia.
  • Qual foi a resposta de Jesus aos discípulos e sua ação consequente? 38Jesus respondeu: ‘Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim’”. 39Então ele percorreu toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios. Jesus saiu antes do nascer do sol. Depois as pessoas acordaram, foram procurar Jesus, até que os discípulos vocacionados o encontraram. Quanto tempo Jesus ficou em um local desabitado, trocando seus desejos pelos desejos do Pai? Três horas pelo menos, podemos estimar. Então, quando o encontraram, a resposta de Jesus foi surpreendente. Ele não voltaria para Cafarnaum, não atenderia as pessoas que o procuravam. Ele iria pregar nos povoados vizinhos e foi isso que fez, porque sabia que era para isso que veio. Jesus saiu da cama para orar e descobriu que havia saído do céu para pregar.

[O] Foi para um lugar deserto38Jesus respondeu: ‘Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim’”. Esse texto é icônico. Jesus saiu de sua zona de conforto e orou até descobrir para onde devia ir (povoados vizinhos), o que devia fazer (pregar) e como seu sucesso seria medido ou qual era sua missão.

  • Ação: Jesus orando em um lugar desabitado por mais de três horas, conforme estimamos, essa é a ação central no texto. Livre de influências que poderiam confundir, Jesus trocou os seus desejos pelos desejos do Pai. Sua disposição devia ser a mesma que ele manifestou em outra oração de três horas no extremo de seu ministério: “não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres” Mc 14:36.
  • Motivação: podemos depreender do texto que o enorme sucesso em curas e libertações no início da noite passada, além da pressão dos amigos e a necessidade do povo que se traduziu em uma previsível procura na manhã seguinte, criaram a urgente necessidade de descobrir no coração do Pai a sua vocação. Para que Jesus fora chamado e enviado, era o Pai quem poderia dizer, então ele foi perguntar. Saiu do conforto da cama, da casa, da influência dos amigos, das necessidades da cidade e foi ouvir a vontade do Pai. Dessa forma descobriu para onde devia ir, o que deveria fazer e qual era o resultado que deveria buscar – a sua missão.
  • Reação: então, depois de ouvir o Pai, não importou mais o sucesso da noite anterior, a pressão dos amigos e a urgência do povo. Jesus “... percorreu toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios”, ele sabia que para isso havia vindo. Jesus não teve medo de perguntar ao Pai que o chamou sobre qual era sua vocação. Ele estava disposto a cumpri-la. Ele não procurou seu chamado nas oportunidades, nos relacionamentos ou nas necessidades. Sua vocação se tornou inconfundível quando ele decidiu submeter tudo ao Pai em oração.

[S] Ficou orando
Como as pessoas procuram descobrir sua vocação? Elas fazem um teste vocacional ou examinam um guia de profissões e procuram aquela que dá mais chance de sucesso; elas ouvem a opinião dos parentes e dos amigos; elas olham para os desejos e necessidades delas próprias e até dos outros. O que não fazem é escapar dessas influências e submeter tudo à vontade daquele que lhes chamou. Nossa vocação é definida por Jesus que nos chamou e nós a descobrimos quando nos submetemos a ele em oração.

É por isso que muitos adolescentes e jovens não oram sobre sua vocação, eles têm medo de orar e ouvir aquele que os chama dizer: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Mc 16:15). No primeiro capítulo de Marcos ele relata sobre a busca de Jesus por sua vocação. Jesus buscou sua vocação no Pai que o chamou. Nos a devemos buscar em Jesus que nos enviou como ele mesmo foi enviado.
  • Diminuir: a influência do sucesso conforme o mundo, a opinião de parentes e amigos, dos outros e nossos desejos e necessidades, nos desviam de nossa verdadeira vocação.
  • Somar: foi Jesus quem nos chamou e enviou, portanto é ele quem sabe qual a nossa vocação. Se formos sinceros naquilo que devemos fazer com nossa vida, nos dedicaremos a orar até ouvir de Jesus para onde devemos ir, o que devemos fazer e como mediremos o sucesso em nossa missão.
  • Dividir: Jesus ouviu do Pai que sua vocação era para pregar o Evangelho. Foi isso mesmo que ele ordenou aos discípulos quando os chamou para continuar sua obra. A pregação do Evangelho é o mais poderoso recurso de transformação e desenvolvimento. Não há profissão que se equipare a isso.
  • Multiplicar: enquanto pregamos o Evangelho como vocação divina, ensinamos as pessoas a se submeterem ao Reino de Deus em Cristo. Assim sabemos que haverão mais vocacionados para continuar essa obra que tem resultados eternos. Não é nesse mundo que ajuntaremos tesouro. Nosso galardão está nos céus.
A vocação acontece quando oramos, quando trocamos nossos desejos pela vontade de Jesus. Quando ouvimos aquele que chama e entendemos o que ele quer, então sabemos qual é a nossa vocação.

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José Bernardo é o fundador e presidente da Agência Missionária de Mobilização Evangelística – AMME e diretor da escola de liderança para adolescentes e jovens – Pacificadores.

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