20 de out de 2017

Visão x serviço

José Bernardo

Aprendi que o serviço precede os recursos, propiciando a disposição para retribuir. “Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem, também será usada para medir vocês” Lucas 6:38. Esta afirmação de Jesus também apresenta o princípio básico e recorrente da semeadura e colheita. É preciso dar para receber, semear para colher, servir para ser recompensado. Os recursos seguem o serviço. Quando as pessoas são servidas com dedicação, normalmente desata-se nelas um impulso de generosa retribuição. Não é um processo sem obstáculos e exceções, mas é normal. Esse princípio se vê reflexo em cada ensino sobre financiamento. Por exemplo, quando Jesus e depois Paulo afirma que "o trabalhador merece o seu salário" (Lucas 10:7; 1Tim 5:18), a ideia de um trabalho intensivo e resultante vem antes do recurso que recebe. Hudson Taylor, missionário inglês que serviu na China por 51 anos na segunda metade do século 19, disse sobre financiamento que ‘O trabalho de Deus, feito do modo de Deus, nunca tem falta dos recursos de Deus’. Desse modo ele também situou o serviço antes do recurso. Já ouvi que o dinheiro segue a visão, mas o que observo é que a visão desprovida de serviço efetivo logo é desacreditada. O dinheiro, isto é, os recursos seguem o serviço, ainda que, a bem da objetividade e coerência, o serviço deve ser feito sob uma visão. É a perspectiva ou a sensação de satisfação que desata a generosidade de quem é servido, a vontade de retribuir. Portanto, o pensamento do levantamento de fundos deve ser menos o de obter dinheiro e mais o de prestar serviço. O grau de satisfação das pessoas frequentemente determinará a intensidade de sua retribuição. Um dos problemas que enfrentamos no terceiro setor, porém, é que estamos sempre esperando receber de quem não pensamos servir. A separação entre clientes e beneficiários cria um paradoxo que dificulta a captação. No primeiro e segundo setor, governamental e privado, espera-se receber de quem se serve. No terceiro setor servimos as crianças em situação de risco, por exemplo, mas esperamos receber do governo ou de empresários. No entanto, quando não pensamos em prestar um serviço do interesse dessas terceiras partes, a captação de recursos se torna difícil ou até impossível. A disposição para servir é característica fundamental no levantamento de recursos.

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