31 de out de 2017

10. O distúrbio vocacional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Não havia falta de vocacionados no início dos anos oitenta, quando entrei no seminário. Enquanto os maus ventos do liberalismo teológico já desconstruíam as vocações em outros países, aqui experimentávamos um avivamento missionário. Ninguém duvidava de qual era a missão divina da Igreja, centenas de jovens se comprometiam com o ministério em cada conferência missionária e muitos deles chegaram ao campo. Naquela mesma época a Igreja Romana fazia desesperados apelos por vocacionados e isso me deixava perplexo. No entanto, confesso que hoje, quando penso nos vocacionados, me sinto como Jó “O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu” Jó 3:25

Secularismo, humanismo, materialismo e imediatismo, além de perverter a atividade missionária, também perturba as vocações. Em parte, o problema vem da admissão inadequada de uma ideia possivelmente originada da frase de Charles Spurgeon em ‘Um sermão e uma reminiscência’ de 1873. O famoso pregador inglês disse que ‘Todo cristão é um missionário ou é um impostor’. Isso se encaixa no contexto de que se Jesus é realmente precioso para alguém, essa pessoa não deixará de falar dele a quem quer que encontre. Certamente, não era intenção de Spurgeon, substituir os ministérios bíblicos por uma generalização missional. O fato é que Jesus “... designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” Ef 4:11. Essas pessoas são dons para a Igreja e têm a missão de preparar todos os santos para a evangelização. Desse modo se distinguem dos santos que preparam, e serem dados à Igreja por Jesus indica uma vocação genuína, onde a pessoa é chamada para um serviço específico.

Aceitar que cada crente é um missionário no amplo sentido das vocações e não no âmbito estrito da comunicação do Evangelho nos deixa sem missão e sem missionários. Isso porque este conceito indevidamente amplificado logo se une a outro erro de interpretação, o de que qualquer coisa pode ser feita para a glória de Deus (1Co 10:13). Paulo ensinou aos coríntios, no entanto, que eles deveriam escolher coisas que glorificassem a Deus. Jesus, por outro lado, disse que nós somente glorificamos ao Pai como verdadeiros discípulos dele quando damos muito fruto (Jo 15:8). Os frutos a que se referiu Jesus, de acordo com o contexto, têm uma natureza tanto pessoal como social, são frutos da santificação e frutos da evangelização. Portanto, é urgente desfazer a confusão que está iludindo jovens, quando poderiam ser dons de Cristo para a igreja, exercendo um ministério dedicado à revelação do Reino de Deus. Estes jovens que estão correndo atrás de status e dinheiro, muitas vezes pressionados a isso por pais evangélicos, devem saber que é mais excelente se esforçarem pelo episcopado (1Tm 3:1).

Você sabe que o meio empresarial vive preocupado com a questão da sucessão. Preparar a continuidade de um empreendimento é uma qualidade de liderança. Isso deve ser assim também para nós. Como bons discípulos de Jesus, devemos andar pelo mercado de trabalho chamando seguidores para se tornarem pescadores de homens. Ao ensinar Timóteo a trabalhar como evangelista, Paulo também lhe disse: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” 2Tm 2:2. É por isso que também rogo a você, que encontre entre os jovens de sua igreja alguns que você chame para serem treinados na liderança evangelística da Igreja.

Vocação não é sobre quem somos, mas sobre quem Deus quer que sejamos.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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