30 de out de 2017

09. O enfraquecimento missionário

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Há alguns anos, um conhecido articulador do evangelho social sugeriu que a igreja é como a indústria automobilística: deve oferecer vários tipos de evangelho, conforme as necessidades do ‘cliente’. Minha experiência secular em marketing me faz considerar que, se a Igreja tem um ‘cliente’ ao qual deve adaptar seu ‘produto’, esse é o próprio Deus. É a ele somente que a igreja precisa agradar. Na carta anterior, falei a você sobre a confusão missional que a Igreja enfrenta. Agora, preciso dizer que, não sabendo quem é ou para que existe, a Igreja não saberá o que fazer. Por isso, escrevo para pedir que você considere avaliar e melhorar as atividades de sua Igreja e de cada crente sob seu cuidado.

A confusão entre quem é a Igreja e qual é sua atividade, demandou o uso deste novo termo. O adjetivo para missões é missionário. Portanto, uma igreja que tem atividades em missões é uma igreja missionária. Contudo, precisamos de um adjetivo para uma igreja que é essencialmente missionária, isto é, que não apenas faz missões, mas que a missão afeta completamente sua existência. Então, primeiro em inglês, desde o início do século passado, e cada vez mais em português, usamos o adjetivo ‘missional’. É claro que a missão da Igreja como Corpo é a missão da cabeça. Jesus, depois de orar por três a quatro horas no início de seu ministério, descreveu assim sua própria missão: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim" Mc 1:38. Infelizmente, havendo confundido sua missão com o bem-estar do ser humano, a igreja escolheu atividades que não atendem à missão de Deus em Cristo.

A centralização pós-moderna da religião nas necessidades e interesses humanos provocou a crise missional da Igreja, com prejuízo em sua atividade missionária. Alguns indícios disso são, primeiro, a diferenciação entre missões e evangelização. Missões se limita a incertas atividades em lugares distantes e exóticos, de modo que há o absurdo de missionários que não evangelizam e evangelistas que não cumprem a missão. Segundo, a separação entre evangelização e discipulado. Evangelização deveria ser a atividade de tornar uma pessoa conforme ao Evangelho pela comunicação da Palavra de Deus, mas se tornou mera atividade de abordagem. Terceiro, a departamentalização da evangelização. Forma-se uma pequena equipe para distribuir folhetos e fazer apresentações na rua, e os outros crentes se ocupam de outras coisas. Quarto, a mensagem do Evangelho é substituída por propaganda religiosa. Quinto, o culto se torna um item de entretenimento. Você mesmo pode ampliar essa lista. O problema é óbvio.

Deixando de ser missional, a igreja deixa de ser missionária. Como evitar esse desvio? Penso que a Grande Comissão não somente oferece a identidade missional, como escrevi na carta anterior, como também oferece os indicadores para a atividade missionária. Para explica-lo melhor, permita-me parafrasear a Grande Comissão conforme Marcos: Todo crente, indo por todo o mundo, comunique todo o Evangelho a toda criatura. Aplique isso à sua igreja. Todo crente em sua igreja está envolvido na missão? Sua igreja está presente em todo o mundo? Veja que mundo aqui é o termo grego ‘cosmos’, um sistema organizado, portanto, os diversos setores da sociedade. Sua igreja comunica todo o Evangelho, todas as coisas que Jesus ordenou? Sua igreja comunica o Evangelho a todas as pessoas, sem que falte alguma? Pensando nisso, reúna sua equipe e conversem sobre o que farão para serem uma igreja verdadeiramente missional e missionária.

Quem não evangeliza precisa ser evangelizado.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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