29 de out de 2017

08. A confusão missional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Um dos debates mais desafiadores dos últimos tempos tem sido a identidade de gênero. As pessoas não estão contentes com quem são, e não somente no aspecto sexual, por isso sofrem de psicopatias diversas em que aquilo que são não é o que querem ser. A esse sofrimento denominamos egodistonia. É interessante notar que a Igreja tem sofrido o mesmo problema, uma crise de identidade e não raro um processo transgênero em que a missão da Igreja é desvirtuada.

Fomos criados para sermos membros de indivíduos coletivos, a família e a igreja, por exemplo. Portanto, além das características físicas, nossa identidade funcional é definida coletivamente. É quando passamos a definir a verdade a partir de nossa sensualidade que a egodistonia se manifesta. Nós fomos gerados em pecado, nossos desejos carnais e supostas necessidades não se alinham com a vontade de Deus. Se nos concentrarmos no que queremos, certamente não aceitaremos a identidade designada a nós para funcionarmos coletivamente. Isso também acontece com a Igreja. O bem-estar humano é a ênfase de cada um dos quatro falsos evangelhos, porém, Deus nos chamou para o seu Reino, isto é, para fazer a vontade dele e não a nossa. Então, é claro que toda a contaminação de falsos evangelhos leva nossas igrejas a um conflito de identidade missional que se tenta resolver com a ressignificação da missão da Igreja. Na teologia da prosperidade a igreja cumpre um papel motivacional, no evangelho do bem-estar social a igreja se torna uma ONG, na teologia terapêutica a igreja é uma clínica de recuperação e na teologia do poder, um partido político.

Nesses dias em que os falsos evangelhos produzem grave egodistonia nas igrejas e muitas redesignam sua missão, precisamos reconhecer o fato de que nossa identidade funcional não é definida por nossas necessidades e desejos, mas pelo próprio autor e consumador de nossa fé. Saudáveis, não seremos o que queremos, mas o que Deus em Cristo quer. Se for assim, devemos reconhecer que nossa missão como igreja é definida na Grande Comissão. A Igreja não existe para o sucesso dos membros, nem para a justiça social, a saúde psicológica ou a vitória política. A Igreja existe para comunicar o Evangelho. Depois de ressuscitar, Jesus voltou para ensinar isso e cada evangelista captou um ângulo dessa verdade. No Evangelho de Mateus a comunicação é didática (Mt 28:20), a Igreja é ensinadora. Em Marcos, a missão de comunicar o Evangelho é kerigmática (Mc 16:15), portanto a Igreja é proclamadora. Em Lucas, a igreja cumpre sua missão testemunhando (Lc 24:48), a missão é martírica, a igreja é testemunha. Finalmente, em João, a missão é vicária, representar o Evangelho (Jo 20:23), portanto a igreja é representante.

É inaceitável que a igreja se desvie de sua identidade missional. É certo que um caráter transformado pelo conhecimento da verdade não se exime de alimentar os famintos, vestir os desnudos, visitar os presos e curar os enfermos. No entanto, fazemos isso por piedade, não por missão.  A comunicação do Evangelho é a exclusiva e suficiente ação social da Igreja. Exclusiva, porque somente a Igreja pode realiza-la; suficiente, porque é o pleno conhecimento da Verdade que liberta o homem todo (Jo 8:32). Nossa missão é a comunicação do Evangelho: ensinar, proclamar, testemunhar e representar essa mesma Palavra que criou os céus e a terra e que pode libertar para cumprir a vontade de Deus, homens e mulheres de todas as nações, tribos, povos e línguas. Sua igreja sabe para que existe?

A evangelização é a missão integral da Igreja.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
.....................................................
www.sejamsantos.org
www.fb.com/josebernardo.job/
.....................................................

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É bem vindo seu comentário que honre e exalte a santidade do Senhor.