26 de out de 2017

05. O efeito da pós-modernidade

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Como saber se aquilo que percebemos é a verdade? Diferente do Mito da Caverna de Platão, o Cristianismo trabalha com a ideia de que a luz tem vontade própria; ela revela o pecado para libertar os pecadores: “Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” Jo 1:9. Na escuridão as pessoas não veem quem são e sua própria condição, é preciso andar na luz para perceber a verdade.

Qual o engano desse século então? Como a escuridão da pós-modernidade confunde as pessoas? De que modo as engana? Há algum tempo, reuni a minha equipe e nos esforçamos para identificar uma palavra que descrevesse o momento em que vivemos. Chegamos ao termo ‘fragmentação’. Percebemos que as instituições, ideias e ações são quebradas em pedaços cada vez menores. Entendemos que há duas forças produzindo essa fragmentação. Uma é a quantidade e a velocidade na disponibilização de dados. Considerando a sabedoria como a capacidade de aplicar o conhecimento para benefício coletivo, há muito tempo desceu-se desse patamar para o conhecimento apenas, o mero domínio das causas e efeitos das coisas. Mais recentemente, na era da informação, desceu-se do conhecimento para a decodificação dos dados. Agora, nem isso. Uma infinidade de terabytes em dados jaz nas redes digitais apenas parcialmente decodificados pelas pessoas. Isso as divide, na medida em que cada uma decodifica apenas uma partícula dos dados, diferente da que a outra decodificou. A segunda força fragmentadora é a grande cidade. Com o crescimento da população mundial, as pessoas abandonaram a coletividade das vilas rurais, se desconectaram de suas raízes e se aglomeraram como fragmentos nas cidades grandes.

Essa fragmentação afeta diretamente as três virtudes que Paulo evocou todas as vezes que tratou de problemas nas igrejas das grandes cidades de sua pós-modernidade: fé, esperança e amor. Conhecidas mais tarde como virtudes teologais, elas funcionam como uma estrutura espiritual consequente. A fé é coletiva: as pessoas fortalecem umas às outras quando creem juntas. Na parcialidade das informações e no aglomerado das cidades grandes, creem em coisas diferentes e, por causa da tolerância a outras crenças, negam a verdade que conheceram. Não é possível que ideias opostas sejam igualmente verdadeiras, então, na tolerância, tudo se torna mentira. Sem convicção da verdade, já não existe esperança. Quando toleram a mentira não sabem o que esperar. Sem esperar, não amam, não escolhem, não agem. Sem fé não têm valores, sem valores não têm expectativas, sem expectativas não têm escolha. Tornam-se, inseguras, imediatistas e consumistas.

Sobre isso, Paulo disse aos muito pós-modernos romanos, “Não se amoldem ao padrão deste mundo” Rm 12:2. O padrão do mundo ao que se referia é o individualismo, justamente a extrema fragmentação da coletividade humana. Jesus também disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” Mt 16:24. Aquilo que o mundo denomina indivíduos, na verdade são fragmentos de conhecimento, de expectativa e de atividade. A restauração da fé, esperança e amor depende da superação da ilusão do individualismo. O ensino de que somos membros de um corpo social, a família, a igreja, é extremamente insistente no Novo Testamento e isso define o esforço que você e eu devemos fazer para que as pessoas vivam o Evangelho.

Levar os mais jovens a superar a ilusão do individualismo para integrar o Corpo de Cristo, este é o desafio de ministrar às novas gerações.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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