25 de out de 2017

04. A natureza da pós-modernidade

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Como adultos, nos tornamos cada vez mais conservadores. Esse é o plano de Deus. Aprendemos o caminho no qual andaremos quando ainda jovens, depois permanecemos nele como adultos. Isso define o enorme desafio da comunicação entre gerações: enquanto os mais jovens mudam rapidamente, nós adultos resistimos. Então, quando o mundo à nossa volta também está mudando tão intensamente, a diferença se acentua ainda mais. Não é só o cérebro que muda, de inovador para conservador, também a história está passando para uma nova fase. O que posso lhe dizer, é que conhecer a mudança nos ajuda a enfrenta-la.

Certamente você já ouviu que nosso momento histórico é denominado pós-modernidade. Penso que podemos definir a década de 20, depois da Semana de Arte Moderna, como um marco dessa fase no Brasil. Outros países experimentaram a mesma realidade um pouco antes ou um pouco depois. No entanto, essa denominação não significa muito isoladamente. Precisamos considera-la no ciclo de pré-modernidade, modernidade e pós-modernidade. Cada uma dessas fases define a verdade a partir de um domínio e uma realidade diferentes. A pré-modernidade é o domínio da religião, onde a verdade se define pela crença e pelo medo. No ciclo atual, isso confere com a Idade Média, do século V, com a queda do Império Romano, até o século XV. A modernidade é o domínio da ciência, em que a verdade se define pela razão, pelo pensamento sistemático. Esse período abrange a Renascença e o Iluminismo, portanto, até o final do século XVIII. Na Europa, já no século XIX, o Romantismo traz os elementos de uma nova fase, o domínio da política e a verdade definida a partir das emoções. Com esse movimento, o individualismo se projeta contra o senso de comunidade e coletividade, e esse é o fator determinante da pós-modernidade.

A Reforma Protestante é, então, um movimento essencialmente modernista. Com ela, a Igreja aprendeu a explicar o cristianismo de um modo lógico e sistemático. Embora o evangelicalismo, desde o metodismo, movimento dos irmãos e pietismo, tenha elementos da pós-modernidade, a doutrina sistemática é uma marca insuperável da modernidade. Ela foi imposta sem critério, até mesmo a culturas de lógica não sistemática, pré-modernas, empíricas, baseadas na experiência coletiva. Isso determina um profundo abismo entre nosso modo de explicar o Evangelho e as novas gerações da pós-modernidade. Elas já não são convencidas por explicações razoáveis, por sistemas lógicos balanceados. Para elas, a verdade é aquilo que desejam, aquilo que sentem, e a política se encarrega de acomodar esse pensamento pela promoção da tolerância.

O que faremos então, para comunicar Cristo às novas gerações? Isso pode ser bem mais fácil do que pensamos. Nem todos os historiadores pensam assim, mas o ciclo de pré-modernidade, modernidade e pós-modernidade se repete. A pré-modernidade, no ciclo anterior ao nosso, pode ser identificada com o Império Persa da dinastia Aquemênida. A modernidade veio com Alexandre o Grande, o Império Macedônio e a Helenização. Finalmente, com a ditadura de Júlio Cesar em 49 aC e até 476 dC com a deposição de Rômulo Augusto, tivemos o Império Romano e sua absoluta pós-modernidade. Portanto, o Cristianismo nasceu e se desenvolveu no contexto da pós-modernidade e o Novo Testamento é um perfeito manual para enfrenta-la. Se pudermos tirar o véu modernista da Teologia Sistemática e ler a Bíblia como é, acharemos o caminho para o coração das novas gerações.

A Palavra de Deus provê todo o necessário para discernir a história e sobreviver a ela.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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