2 de out de 2017

Gratidão

José Bernardo


Aprendi que a formalidade da gratidão corrompe e degrada. Agradecer pode parecer muito educado, e nós aprendemos a dizer ‘muito obrigado’ desde cedo, mesmo quando não é apropriados e às pessoas a quem não se deve. Muitas vezes quem trabalha permanece anônimo e quem nada fez é bajulado. Isso também acontece na Igreja, particularmente no trabalho evangelístico e missionário. Porém, o que o apóstolo Paulo diria se alguém lhe agradecesse pelo ministério que exercia?


“Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho!” 1Co 9:16. O apóstolo Paulo pregava por necessidade e obrigação. Ele devia isso ao Senhor, era um escravo de Cristo (Ef 3:1) e um escravo em Cristo (Ef 4:1), portanto não achava apropriado que alguém se sentisse obrigado a recompensá-lo pelo trabalho que realizava. Aprendeu com Jesus quem, ensinando sobre o tema, apresentou a ideia do escravo com uma pergunta retórica: “Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado?”, e logo concluiu, “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’”. Quando nos desdobramos em agradecimentos formais pelo ministério de alguém, transmitimos uma mensagem oposta à de Paulo e de Cristo. Fazemos como se tivessem trabalhado para nós, e assim tomamos a glória de Deus; também nos separamos deles porque, ao agradecer, nos colocamos no grupo dos que foram servidos e a eles no grupo dos que serviram; por fim, os acostumamos a pensarem em si mesmos como mais do que servos inúteis e a esperarem por reconhecimento e recompensa. Tanto quanto possível, evitemos essa gratidão formal, que distorce o entendimento e a prática da evangelização. Ensinemos os crentes a serem verdadeiros mordomos, para que cumpram o ministério sem esperar reconhecimento humano. Substituamos as formalidades do agradecimento pelo congraçamento sincero: que os crentes agradeçam juntos a Deus pela graça e privilégio de testemunharem de Cristo e de revelarem o mistério da multiforme sabedoria do Pai. Que nós possamos aprender com João quando caiu aos pés do anjo, comovido pela revelação que recebera; o anjo lhe disse, “Não faça isso! Sou servo como você e seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus!” Ap 22:9 (+Ap 19:10). Eu não poderia dizê-lo melhor.
............................................
José Bernardo
Siga o meu blog: www.sejamsantos.org
curta minha página: www.fb.com/josebernardo.job
siga-me no Instagram: @josebernardo.amme 
............................................
Foto: "Negres a fond de calle" ("Navio negreiro") de Johann Moritz Rugendas. Imagem da tela de Johann Moritz Rugendas, de 1830, que representa o poema épico "Navio Negreiro", do poeta Castro Alves, a qual faz exaltação do povo africano e narra um episódio da história em que os negros eram trazidos em navios negreiros após a capturação na costa da África. Atualmente no Museu Itaú Cultural.
............................................
#JoséBernardo #SejamSantos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É bem vindo seu comentário que honre e exalte a santidade do Senhor.