4 de ago de 2017

Vício ou virtude

José Bernardo

Aprendi que a diferença entre vício e virtude é de tempo, de lugar e de quantidade. Por isso, enquanto lutamos contra os vícios, devemos ter o cuidado de não remover com eles também as virtudes. Quando um tigre limpa seu pelo não tenta arrancar as listas. Paulo refletiu essa verdade ao tratar sobre ira com os crentes de Éfeso. Depois de falar sobre o Corpo de Cristo que cresce quando cada membro é saudável e bem integrado aos outros, Paulo disse e insistiu que os crentes não vivam mais com os gentios e passou a descrever como devem viver. Sobre a ira ele disse: "Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo" Ef 4:26,27 (ARA). 



A primeira coisa que notamos aqui é que a ira não é diretamente relacionada com o pecado. De fato, o verbo irar, o gr. orguizó, é vazado no presente do imperativo, uma ordem para se opor (a algo que é errado). Paulo estava citando o Salmo 4. Ali o salmista se mostra irado com pessoas que o afrontavam, por vaidade e com mentira. Ele não considerou errado se irar por isso. Jesus também se irou, por exemplo, quando as pessoas queriam impedir-lhe de fazer o que era certo por causa de dogmas religiosos (Mc 3:5). Irar-se contra o que é errado é uma virtude, por isso, irai-vos! O problema começa quando a ira está fora de tempo, fora de lugar e fora de quantidade. "...não se ponha o sol..." mostra que há um limite de tempo antes do qual a ira é virtude. O salmista disse que à noite, ao pensar sobre o assunto, já deve haver sossego. Mas o texto de Paulo não manda apaziguar-se, como interpreta extra textualmente a NVI. O salmista, Jesus, e o próprio contexto da Carta aos Efésios sugerem que uma ira justa é terminada com uma ação de correção, que enfrenta e supera o erro que causa indignação. "...a vossa ira..." indica um erro de lugar. Paulo usou uma palavra composta aqui, que indica que a ira é voltada para alguém que está perto, se torna provocação, contenda, querela. Não é mais a ira que se opõe ao pecado e busca a santificação, é irritação contra pessoas, por isto está errada. Finalmente, "...nem deis lugar ao diabo" revela a falha na intensidade. A ira foge à proporcionalidade necessária para enfrentar o pecado e dá razão ao acusador, tanto Satanás, como qualquer outra pessoa que agora achará um erro que desautoriza quem antes se propunha a enfrentar o que encontrou errado. Portanto, a ira é virtude quando está certa, no tempo, no lugar e na quantidade; senão, é vício.


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