25 de jul de 2017

Alegria

José Bernardo

Aprendi que só encontramos alegria verdadeira nas outras pessoas. Quando estudamos a Carta aos Filipenses, vemos no apóstolo Paulo um homem de grande inteligência emocional, lidando com suas próprias emoções sob a forte pressão de uma prisão injusta e um processo muito intrincado. Ao mesmo tempo ele também liderava à distância as emoções dos crentes sob sua liderança, amedrontados, frustrado e reticentes por causa de sua prisão e das pressões que sofriam por isso. O apóstolo tratou do tema da alegria em dez diferentes oportunidades naquela carta de apenas quatro capítulos. Em uma dessas exposições ele disse: “Portanto, meus irmãos, a quem amo e de quem tenho saudade, vocês que são a minha alegria e a minha coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, ó amados!” Fp 4:1. 

Foto, Joy, por Debra Hurd
As pessoas eram a fonte de alegria do apóstolo Paulo. Lembrar-se delas, orar por elas, ministrar-lhes até com sacrifício pessoal, tudo isso trazia alegria suficiente para fazê-lo enfrentar e vencer as maiores provações. A conexão com as pessoas era-lhe tão importante que ele aspirava por uma completa identidade entre os crentes, de modo que todos tivessem o mesmo pensamento, o mesmo sentimento, a mesma motivação e a mesma atitude (Fp 2:1,2). E não foi somente aos Filipenses que ele comunicou essas coisas. Todas as suas cartas estão cheias de referências aos relacionamentos pessoais como fonte de alegria, particularmente quando falou com Timóteo: “Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo, para que a minha alegria seja completa” 2Tm 1:4. Então, quando nos voltamos para esses dias de tanto individualismo, esse tempo em que pessoas egocêntricas e egoístas se separam umas das outras para não abrirem mão de suas verdades particulares, não é de admirar que haja tão pouca alegria. Depressão e suicídio são doenças causadas pelo relativismo individualista. A saúde emocional depende da nossa coragem de abrir mão da individualidade para conectar-se ao Corpo de Cristo. Nisso a fé cristã se opõe ao que diz a psicologia. Em que haveriam de concordar? Será preciso sacrificar os segredos e viver em plena transparência, deixar de lado as opiniões, os desejos e os planos individuais para viver o que é comum, orgânico, coletivo. Essa não é uma porta larga, não é um caminho fácil, não é livre de percalços e dores. Essa é a porta estreita e o caminho difícil da verdadeira alegria. 

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