30 de mai de 2017

Haeresis I

José Bernardo

“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor” Hb 12:14

O versículo acima foi citado por um certo professor de conhecida escola teológica para justificar sua vaidade ao aceitar o convite de um muçulmano, para falar sobre ‘religião e cultura de paz’, ao lado de um rabino, em uma escola católica. O problema é, primeiro, que ‘cultura de paz’ é um conceito humanista, mais distante da verdade bíblica impossível. Segundo, a cultura de paz é um ‘Cavalo de Troia’ que mina a fé e consequentemente a esperança e o amor dos cristãos. Terceiro, a compreensão e a interpretação do versículo citado opõem-se diretamente à ideia que o dito professor tentava justificar e confirma os dois primeiros problemas. Não responderei a tolos, simplesmente já não os ouvirei. Mas, a quem tem ouvidos, eis aqui está a Palavra de Deus.

O contexto é o do capítulo 12, dedicado à valorização da disciplina pessoal sob a graça. Depois de chamar seus leitores a fazerem cominhos retos para si, o autor descreve esses caminhos começando por comandar uma intensa busca da paz, tanto como se fosse necessário caçá-la. A raiz do termo para paz, gr. eirene, é unir ou amarrar itens juntos para formar um todo. Portanto, ter paz com alguém é se tornar um só com a outra pessoa. Também, o texto diz ‘com todos’, e o termo usado aqui, gr. panta, significa cada um de todos, então, apesar de poder se referir a cada um dos membros do Corpo de Cristo, mesmo que significasse algo próximo de ter paz  com pessoas de outras religiões, isso ainda é moderado por dois filtros: serem santos e verem o Senhor.

O termo traduzido como ‘santos’ nesse versículo tem como raiz o conceito de ‘ser diferente’. ‘Santo’ é o processo pelo qual alguém se torna diferente do mundo, assim, o chamado ao reto caminho da paz, do unir-se e tornar-se um com outras pessoas, só é possível quando elas são iguais. Não é possível se unir dessa forma quando se é diferente em crenças, valores, planos e atitudes. Seria um jugo desigual e somos firmemente exortados a não nos unirmos nem nos associarmos a ninguém nessas condições.

Quanto a ver o Senhor, quem pode vê-lo, visto que é invisível? Nós sabemos que Jesus é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15) e ele mesmo declarou que para chegar ao Pai é necessário passar por ele (Jo 14:6) e logo que, para ver o pai, deve-se olhar para ele (Jo 14:9). Esse mesmo Jesus é uma rocha de que faz tropeçar (1Pe 2:7,8). Em Cristo se distinguem os dois tipos de pessoas, aqueles constroem sobre ele a própria salvação e os que se chocam contra ele e são destruídos. No entanto, a cultura religiosa de paz é utilitarista. O humanismo usa a religião para operacionalizar seus conceitos diabólicos e requer que os religiosos se refiram apenas a um deus indefinido, impessoal e descaracterizado. Que paz é possível quando não negamos, quando não deixamos de falar de Jesus Cristo? A resposta de Jesus é irredutível: “...eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia” Jo 15:19.

Já em sua muito pós-moderna Primeira Carta, Pedro nos ensina qual deve ser o nosso posicionamento nesse mundo contrário a Cristo. Somos eleitos de Deus, isso é, chamados para fora do mundo, peregrinos aqui, estrangeiros, “...geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus...” 1Pe 2:9. Não há espaço no chamado de Deus para nos unirmos ou associarmos com aqueles que rejeitam Jesus como único Deus. Não há espaço para amarmos também o mundo e o que no mundo há. Se proclamarmos Cristo, alguns ouvirão a nossa palavra e por muitos seremos rejeitados. Aqueles, porém, que pretendem viver em paz com quem duvida de Jesus, aqueles que falam de tolerância ao que é intolerável, e que buscam com desespero a aprovação do mundo, esses nunca terão uma fé firme, não esperarão em Jesus e nem agirão conforme o exemplo dele, não oferecerão uma adoração aceitável, não entrarão pela porta estreita nem trilharão o caminho difícil. Passarão pela porta larga, unidos em paz com os outros que não encontraram Cristo.

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José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.

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