3 de abr de 2017

Para gerar fé

José Bernardo

Não questiono que existam múltiplos meios de sensibilizar alguém para iniciar uma argumentação para a fé. Em nosso ministério, nós os temos utilizado com muita criatividade: filmes, fotos, teatro, objetos... O que não posso contrariar, nem admitirei que alguém o faça, é a Palavra de Deus que diz: "Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo" Rm 10:17. Doutra forma, uma (fé?) que se desenvolve fora da Palavra de Deus recebe de Jesus essa avaliação: "Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!" Mt 22:29.

Ilustração: litogravura de Otto Adolph Stemler,
American, 1872-1953 - Detalhe
O próprio apóstolo Paulo usou textos de poetas pagãos para abordar pessoas e iniciá-las no conhecimento bíblico (At 17:28), mas revelou um grande cuidado em como a fé seria estruturada, e aos coríntios escreveu: "...para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus" 1Co 2:5. Portanto, as abordagens interessantes que preparamos para aqueles que andam por vista e não por fé, inclusive pontos de partida da própria cultura e de qualquer religião, não devem ser consideradas evangelização de fato.

A evangelização é como Jesus determinou: "...ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei" Mt 28:20. Aqueles que defendem a absurda ideia de evangelizar sem o Evangelho, sem a Bíblia, não pode fazê-lo biblicamente. Citam 'causos', não a Palavra de Deus. A mesma coisa fazem aqueles que empregam a mitologia e a fantasia para transmitir conceitos bíblicos. Sobre isso, diz-se de Tolkien que reprovava a tentativa de Lewis popularizar a teologia através de suas fábulas. Considerava que isso poderia conduzir à confusão e ao erro.

Quanto à comoção que pinturas, encenações e filmes sobre a paixão de Cristo produzem, haveria mais o que dizer, particularmente sobre a diferença entre a emoção de ver um homem qualquer ser espancado e a convicção de ser um pecador condenado à morte e precisar de um substituto aceitável para obter vida eterna. Milhões se tornam simpatizantes de causas apresentadas a partir de gráficos do sofrimento. O homossexualismo, por exemplo, usa e abusa do drama de adolescentes desajustados para promover simpatia para sua idolatria narcisista.

Estou consciente de que, principalmente para os crentes que aceitam a divisão não bíblica entre evangelização e discipulado, evangelizar torna-se apenas um artifício para a captação de pessoas. Porém, a evangelização é muito mais do que isso, é mais do que emocionar, é mais do que publicidade e marketing, é mais do que provocar adesão conveniente ou impulsiva. A Evangelização deve gerar fé: "Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" Hb 11:1.
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O pastor José Bernardo é pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.

2 comentários:

  1. Parabéns! Muitos substituem a evangelização bíblica por testemunhos pessoais, dizendo evangelize com a sua vida pessoal, ora no primeiro tropeço que o "modelo" sofresse a conversão iria água abaixo

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  2. Fabiano Rodrigues9 de abril de 2017 11:03

    Glórias a Deus! Excelente abordagem, equilibrada (oriunda do Espírito Santo), coerente e....bíblica.

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