10 de fev de 2016

Crise vocacional 1

José Bernardo

Os apelos missionários foram um marco do grande avanço brasileiro em missões nos anos 80, possível pelo providencial impedimento do desvio missiológico que já atingia outras igrejas latino-americanas. Naqueles anos, chamados para a consagrar-se à evangelização transcultural atraiam centenas de jovens, dinamizavam a evangelização local, enchiam os seminários e fizeram disparar o número de missionários no campo. 

Agora, em tempos de dedicação integral ao materialismo e à secularização, fala-se da diáfana missão de ser um bom profissional e beneficiar a humanidade de um modo indescritível. Os seminários estão vazios, os missionários voltam atrás e os jovens pouco participam da Igreja. Somente projetos de ação social ainda atraem algum interesse e os incircuncisos insistem em que a África não precisa de evangelistas, apenas de médicos e nutricionistas. O curioso é que há missões endossando isso como se fosse uma nova proposta de missões.

A pesca maravilhosa,1618-19, Peter Paul Rubens

Quando traço um histórico desse desvio missiológico e da crise vocacional que resulta, encontro a descentralização da missão, de Cristo para o ser humano. A igreja já não existe para fazer a vontade de Deus em Cristo, mas para atender a necessidades humanas e é para isso que se aparelha. Então, chega de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura. O episcopado já não é uma escolha excelente, desanimem os jovens de se dedicarem a missões. Cuidemos do bem-estar.
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José Bernardo, fundou e preside a Agência Missionária de Mobilização Evangelística - AMME, ministério que já ajudou mais de 50 mil igrejas em todo o Brasil a apresentar o Evangelho a mais de 130 milhões de pessoas.

Um comentário:

  1. Texto pertinente para refletirmos sobre o profundo esvaziamento sobre os conceitos fazer missões e vocação.Muito esclarecedor!

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