3 de jan de 2016

Cosmovisão cristã

Introdução à Primeira Carta de Pedro
Leitura: 5 minutos

Judeus e simpatizantes se reuniram em Jerusalém para a festa de Pentecoste em 29 d.C. Havia 50 dias que Jesus fora crucificado e logo depois ressuscitara. Nos últimos nove dias, depois que seus discípulos o viram subir aos céus, estiveram juntos em oração no segundo andar de uma casa bem no meio da cidade. Então, o povo que se aglomerava nas ruas estreitas ouviu uma gritaria vindo daquela casa e se aproximou para ver. Era o dia 5 de junho, por volta das 9 horas da manhã.

Entre as pessoas que se acotovelavam em frente daquela casa estavam várias vindas do norte da Turquia, de uma província do Império Romano conhecida como Anatólia. Elas também ouviram os discípulos louvarem a Deus na língua da região onde moravam e, depois, ouviram a explicação de Pedro e seu apelo: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão de seus pecados, e recebam o dom do Espírito Santo.” At 2:38, dizia ele. Muitos aceitaram o convite, e quando voltaram para as grandes cidades da Turquia, começaram a falar de Jesus a outras pessoas. Missionários passaram por ali, e as igrejas se fortaleceram, ao lado de outras que o apóstolo Paulo plantou naquela região.

Cerca de trinta anos depois, Pedro estava liderando a Igreja em Roma. Ele ouviu notícias sobre as dificuldades que aqueles crentes enfrentavam e decidiu escrever-lhes. O Império Romano estava no auge. A globalização havia reunido os reinos da Turquia em um grande bloco, pessoas de todas as línguas, culturas e religiões viviam juntas em cidades cada vez maiores. A informação voava pelas estradas do império. A tecnologia avançava e a produção de bens de consumo se multiplicava. A vida era uma festa. Tudo era tolerado. Somente o cristianismo com suas ideias estranhas, suas exigências absurdas e sua falta de interesse nas coisas do mundo era reprovado.

Os crentes enfrentavam hostilidades de todo o tipo. As pessoas os achavam estranhos e os agrediam com palavras. Quando o caso chegava às autoridades, eles sempre levavam a pior. Eram estranhos em um mundo em que todos se enturmavam e isso fez com que alguns crentes questionassem a fé. Eles achavam que não fazia bem serem tão estranhos. Pensavam se realmente seria necessário se afastar das festas e dos costumes comuns para insistir na pregação do Evangelho. Os judeus ficavam escandalizados com aquela pregação, e as pessoas de outras religiões achavam que era uma doidice completa.

A dúvida de alguns crentes e seu desejo de serem aceitos pelas pessoas do mundo gerou conflitos dentro da igreja. Os crentes não se entendiam, não respeitavam seus líderes e a liderança não sabia como agir naquela situação. Durante três décadas parecia bem claro o que era ser Cristão. Os cristãos se distinguiam na sociedade, e era fácil saber quem era crente e quem não era. Agora estava tudo mudado. Já era complicado dizer quem era quem. Não faz mal isso, não faz mal aquilo, e logo muitos crentes se pareciam com as pessoas do mundo e se davam melhor com elas do que com seus irmãos em Cristo.

Os crentes haviam deixado o testemunho cristão de lado para se ocuparem de temas que interessavam à sociedade de modo geral: mudanças na política globalizante de Roma, liberdades e direitos civis, a condição dos imigrantes e dos escravos, a posição das mulheres na sociedade e o protagonismo dos jovens. Esses temas pareciam mais importantes do que o conhecimento bíblico e a ética cristã.

Então chegou a carta de Pedro, trazida por Silvano, Silas para os íntimos. Na medida em que esse amigo de Pedro ia de cidade em cidade lendo a carta, os crentes perceberam que Pedro trazia um pensamento completamente novo, diferente daqueles que estavam discutindo. Havia um novo entendimento sobre cada um dos temas. A cosmovisão cristã que Pedro manifestou fazia com que um mesmo assunto revelasse aspectos que eles nem ainda haviam considerado. Isso mudou tudo! A carta de Pedro foi tão decisiva que as pessoas fizeram cópias dela e espalharam por todas as igrejas, reconhecendo que aquela era a Palavra de Deus sobre sua posição no mundo pós-moderno.

Até hoje, quase vinte séculos depois, quando temos dúvida sobre a posição da igreja nesse mundo, a carta de Pedro restaura em nós a visão de Cristo.

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