11 de dez de 2014

Ele verá a luz

Série OQDQ?

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.
Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido qualquer violência nem houvesse qualquer mentira em sua boca. 
Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles. Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes, e ele dividirá os despojos com os fortes, porquanto ele derramou sua vida até à morte, e foi contado entre os transgressores. Pois ele carregou o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.” Isaías 53:5-12

Você já passou pela situação embaraçosa de conversar com uma pessoa procurando alguém ‘mais importante’, sem saber que aquela era a pessoa que procurava, ou talvez alguém em uma posição ainda mais elevada? Isso não é incomum. Quando eu era adolescente trabalhei em uma agência bancária em que um comerciante muito rico costumava vir ao banco de bicicleta, trazendo muito dinheiro para depositar, sempre em sacos de papel pardo. Nunca foi assaltado porque as pessoas não o reconheciam como uma pessoa rica e nós os funcionários corríamos o risco de não dar a devida atenção ao melhor cliente da agência. O texto que estamos estudando nos faz pensar se Jesus tem recebido a devida atenção.


Foi da vontade do Senhor esmaga-lo
(712 aC) Esse texto é parte da quarta profecia de Isaías sobre ‘O Servo’, que descrevem a vinda de um Salvador, pessoal, sobre-humano e superior à morte. A quarta profecia está em Is 52:13 – 53:12, as outras estão em Is 42:1-7; 49:1-9; 50:4-9. Essas profecias descrevem as características, as funções e os resultados do Salvador. O primeiro versículo, na primeira profecia é marcante e decisivo para compreender esse conjunto especial de escritos sagrados: “Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações” Is 42:1. Embora de tempos em tempos surjam críticos, quando essas profecias são tomadas em seu sentido literal, é impossível escapar a que se referem ao Salvador Jesus.


No início da quarta profecia, em Is 52:13, Isaías estabelece, da parte de Deus, que o objetivo seria descrever três estágios específicos da história deste ‘Servo’: “Vejam, o meu servo agirá com sabedoria; será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado”. – O Salvador agiria com prudência ou sabedoria, de modo a produzir resultados e portanto seria engrandecido, o que pode tratar da ressurreição, elevado, o que deve ser referir à ascensão, e muitíssimo exaltado o que reflete a glorificação de Cristo.

A profecia se inicia, como vimos, com a voz de Deus que fala até o verso 15. No verso 1 do capítulo 53 ouvimos o profeta falando em nome de seu povo, perguntando quem dentre todos eles creu verdadeiramente no que Deus havia dito sobre ‘O Servo’. A partir do verso 2, então, o profeta apresenta a previsão da biografia do Salvador, permitindo que ouçamos novamente as palavras de Deus ao relatar a glorificação nos dois últimos versículos. Nos versos 2 e 3 ouvimos falar do nascimento frágil, de sua vida simples, do desprezo que sofreu mais tarde.

Nos versos 4 e 5 o profeta descreve o ministério de Jesus, deixando claro os resultados inigualáveis que ele obteve: tomou as nossas enfermidades, levou as nossas doenças, foi traspassado e esmagado em nosso lugar, trouxe paz e cura. O primeiro verso da leitura que fizemos faz parte desse segmento: “Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados”. Os versos seguintes apresentam o sofrimento (6, 7), a morte (8, 9), a ressurreição (10, 11) e a glorificação (12).

O sofrimento: “Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho” – o desvio não aconteceu por causa de ‘O Servo’ ter sido traspassado e esmagado, é uma nova leitura que se inicia aqui, como ovelhas costumam fazer, cada um olhou apenas para o que desejava e seguiu um caminho de desobediência à vontade de Deus;   “e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.” – o castigo à ovelhas desobedientes, ao invés de cair sobre elas mesmas, o Senhor o fez cair sobre o Salvador.  “Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.” – enquanto o profeta compara a si mesmo e ao seu povo como ovelhas desobedientes, o Salvador é apresentado como uma ovelha obediente, que não resiste à decisão de Deus.

A morte: “Com julgamento opressivo ele foi levado” – relata o aprisionamento com traição e o julgamento manipulado; “E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado.” – trata da execução de Jesus, destacando o fato de não haver deixado descendentes;  “Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte” – explica que ele foi morto entre gente maldita por seus pecados e até mesmo a ideia de estar com ricos em sua morte pode ser vista negativamente, isto é, que Ele somente esteve entre os ricos quando já estava morto; “embora não tivesse cometido qualquer violência nem houvesse qualquer mentira em sua boca” – o texto destaca a justiça própria do Salvador, fazendo-o diferente de todos os outros homens cujo coração é violento e a boca é mentirosa.

Ressurreição: ao falar da futura ressurreição dO ‘Servo’, Isaías relembra que essa foi a Vontade do Senhor, esmaga-lo e fazê-lo sofrer como o pagamento da multa pela culpa dos pecadores. Mesmo assim ele veria sua descendência, aqueles que foram feitos sua família, e continuaria vivo depois de haver morrido – “Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias”. Na ressurreição do Salvador está o cumprimento da Vontade do Senhor: “e a vontade do Senhor prosperará em sua mão” – como a profecia começa dizendo que ele agiria com prudência, no sentido de que alcançaria resultados, aqui o alcance desses resultados é dado como alcançado. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles.” – Esse é o resultado que Deus quis obter através do Salvador, a justificação de muitos.

Glorificação: a quarta profecia termina com a glória, o prêmio, que o Salvador haveria de receber: “Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes, e ele dividirá os despojos com os fortes” – os adjetivos traduzidos aqui como grandes e fortes significam literalmente abundante e numeroso, por isso, o sentido desse texto deve ser que o Salvador recebeu uma porção abundante, entre um grande número, ou seja, foi distinguido da multidão. A razão de tal galardão é novamente explicitada, de modo que não sobre qualquer dúvida de como a Vontade do Senhor prosperou através dele: “porquanto ele derramou sua vida até à morte, e foi contado entre os transgressores. Pois ele carregou o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores”.


A vontade do Senhor prosperará
A clara intenção das quatro profecias de Isaías sobre o servo é apresentar o caráter, a obra e os frutos do Salvador, assim, quando ele viesse, seria facilmente identificado. Mas então, como o próprio profeta percebeu, “Quem creu em nossa mensagem e a quem foi revelado o braço do Senhor?” Is 53:1. Nossa mensagem aqui é a mensagem recebida, já que o profeta fala em nome do povo que é como ovelhas que se desviaram. Paulo cita esse versículo reforçando a ideia da incredulidade na mensagem, mesmo quando há pregadores: “Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?” Rm 10:16. Isso leva a refletir se nós mesmos temos percebido quão maravilhoso é o caráter de Cristo, quão grandiosa é sua obra e quão benéficos são os resultados que ele produziu.

Será que temos conhecido o Salvador? Quem ele é, o que fez e o que produziu em nosso favor, entendemos realmente isso? Ou será que estamos entre os que não perceberam, mesmo tendo visto, que não entenderam, mesmo tendo ouvido? Veja como Deus, o Pai, fala do Salvador: como Seu escolhido que lhe alegra (42:1), como aquele em que terras distantes terão esperança (42:4), o mediador para Israel e a luz para os gentios (42:6), em quem mostrará seu esplendor (49:3). Quanta exatidão! Quanta clareza! E mesmo assim muitos não creram nessa revelação.

Enquanto o Senhor Jesus andou por essa terra, muitos não conseguiam identifica-lo como ‘O Servo’ dessas profecias, como o Messias que haveria de vir. Jesus lhes pareceu pouco atraente, pouco poderoso, pouco engajado com o pensamento corrente, desconectado das pessoas de alto nível. E hoje? Enquanto nos relacionamos com os poderosos desse mundo, ou pelo menos admiramos seu sucesso, Jesus nos parece realmente muito mais importante do que eles? Será que os crentes acham o mesmo temor e a mesma reverência que têm diante do dono da empresa, do reitor da universidade, para oferecer a Jesus. Será que a admiração por Jesus supera aquela que o milionário causa, ou o esportista de alta performance?

É lógico que costumamos por Jesus em uma categoria isolada, mas, se pudéssemos medir da mesma forma, grande parte dos crentes não tem conhecido o suficiente a Jesus para dar a ele a admiração, o louvor, a honra, o amor que outras pessoas têm recebido nesse mundo. Precisamos dar crédito à revelação de Deus, precisamos deixar que ela nos inspire a uma adoração sem precedentes ao Senhor Jesus que, acima de tudo, submeteu-se à vontade do Pai, e apresentou os resultados que Ele pediu.


Meu servo justo justificará a muitos
Jesus, O Servo, é nosso exemplo. O louvor que Ele merece é dado porque Ele fez a vontade do Pai e produziu os resultados que o Pai queria. Sabendo isso, vamos oferecer a Ele um culto pleno.

  • Adoração: a) adore ao Senhor porque Ele é O Servo, e por isso é o líder; b) adore ao Senhor porque Ele fez a vontade do Pai e isso resultou em grande salvação para nós; c) adore ao Senhor porque ele ressuscitou e está conosco todos os dias, para sempre.
  • Confissão: a) confesse ao Senhor se o seu respeito e admiração por pessoas e coisas nesse mundo foi maior do que o que ofereceu ao Ele; b) avalie e reconheça se não se apropriou de toda a revelação sobre o Salvador, se não o conhece como deveria; c) confesse se andou como ovelha desgarrada, buscando seus próprios interesses e não a perfeita vontade de Deus.
  • Gratidão: a) agradeça por Jesus ter substituído você na punição mortal pelos seus pecados; b) agradeça por Jesus ter provido os meios para a cura da lepra do pecado que destruía você; c) agradeça porque em Jesus você recebeu um lugar na família de Deus.
  • Súplica: a) peça ao Senhor que lhe dê um caráter humilde e obediente como o dEle, para que você cumpra a vontade de Deus; b) Suplique ao Senhor que lhe oriente em fazer o que Deus quer, para que você também O agrade; c) ore para que o resultado de seu esforço seja o fruto que o Pai espera de você.
  • Dedicação: a) consagre a sua vida a explicar quem é Jesus, a descrever seu caráter, suas obras e seus resultados; b) dedique sua vida a buscar conhecer e obedecer a vontade de Deus; c) engrandeça, eleve e exalte ao Senhor Jesus, O Servo de Deus. 

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