3 de dez de 2014

O que o Senhor disser

Série OQDQ?

“Então acendeu-se a ira de Balaque contra Balaão, e, batendo as palmas das mãos, disse: "Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, mas você já os abençoou três vezes! Agora, fuja para a sua casa! Eu disse que lhe daria generosa recompensa, mas o Senhor o impediu de recebê-la".
Mas Balaão respondeu a Balaque: "Eu não disse aos mensageiros que você me enviou: Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade, boa ou má, que vá além da ordem do Senhor, e que devo dizer somente o que o Senhor disser?” Números 24:10-13

O medo, quanto maior é, o pavor de ver mudanças em nosso mundo que nos tiram o controle da situação, o receio de perder privilégios e bens materiais, levam as pessoas a fazerem grandes loucuras. Nessa passagem veremos a história de um rei que recorreu à mágica para enfrentar Deus, que estava disposto a gastar uma fortuna para impedir que o plano de Deus se realizasse, que devotou sua religião a conseguir o que ele mesmo queria. Esse rei sacrificou até mesmo as relações familiares de seus súditos e talvez as suas, usando as mulheres dos líderes em uma guerra moral para atacar o povo de Deus. O que esse texto nos ensina, porém, é um caminho muito melhor do que resistir e enfrentar a vontade de Deus, o perfeito plano do Senhor para nossas vidas.


O Senhor o impediu
(1423 aC) As Escrituras dedicam três capítulos muito bem elaborados no Livro de Números para descrever a história de como um profeta pagão da Mesopotâmia, atual Iraque, foi contratado por uma coligação de moabitas e midianitas para amaldiçoar o povo de Israel. Balaque, rei de Moabe, região a sudoeste do Mar Morto, estava apavorado pelas vitórias anteriores de Israel e assombrado pelo tamanho da nação que se acampava em suas terras, esperando para atravessar o Jordão e tomar posse da terra prometida. Ele percebeu que não podia enfrentar aquele povo e achou que se eles fossem amaldiçoados de alguma forma, ficaria mais fácil vencê-los

Nesses três capítulos ficamos sabemos como o profeta recebeu as delegações lá no Iraque, como ele começou a conversar com Jeová, e depois viajou até o sul de Israel, próximo a Jericó, de onde poderia ver Israel acampado e como tentou, de todas as formas, cumprir o seu contrato, mas sem sucesso. O texto, caprichosamente organizado, estabelece uma teologia da revelação que não pode passar despercebida.

O primeiro desafio na compreensão desse texto é o caráter de Balaão. Nós o vemos dizer na passagem escolhida, desde o início, que ‘não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade’. Balaão sabia e entendeu que somente poderia fazer o que o Senhor ordenasse, somente poderia dizer o que o Senhor dissesse. Para que não fique dúvidas sobre o que queria dizer esse adorador de outros deuses, esse vidente que recorria à magia, ele está se referindo, no texto, ao próprio Jeová. Seu contratante, Balaque, rei de Moabe, também disse: ‘Jeová o impediu’. O nome próprio de Deus, Jeová, está no original nas três vezes em que foi traduzido aqui respeitosamente como Senhor em nossa versão.

Mas não podemos nos deixar confundir por essa aparente piedade de Balaão. Na mesma revelação de Deus em Números, depois de a ira divina ter se acendido contra Israel pelos pecados de idolatria e prostituição (v. Nm 25), Balaão e seus contratantes foram executados por causa do grande mal que fizeram ao povo de Deus. Eles usaram suas próprias mulheres para seduzirem e desviarem os homens de Israel e Balaão estava entre eles. Sobre isso as Escrituras dizem: “Lutaram então contra Midiã, conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés, e mataram todos os homens. Entre os mortos estavam os cinco reis de Midiã: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba. Também mataram à espada Balaão, filho de Beor.” Nm 31:7-8.

Havendo o exército de Israel negligenciado executar o juízo de Deus contra as mulheres midianitas, Moisés disse: “Foram elas que seguiram o conselho de Balaão e levaram Israel a ser infiel ao Senhor no caso de Peor, de modo que uma praga feriu a comunidade do Senhor.” Nm 31:16. Sem poder amaldiçoar Israel contra a vontade do Senhor, Balaão definiu uma estratégia alternativa, aconselhando o povo de Moabe a provocar a infidelidade de Israel.

Sabemos então, que esse Balaão era um pagão, idólatra, interesseiro e ardiloso. Isso coloca em perspectiva o fato de que, mesmo assim, ele não podia fazer ou dizer nada sem que o Senhor o determinasse. Balaque, o rei moabita que o contratou, fez tudo o que podia para mudar a Palavra de Deus: empregou o melhor místico que pôde encontrar no mundo, investiu uma fortuna nesse projeto, levantou os belos altares e ofereceu as melhores ofertas. Mesmo assim, aquele profeta de outra religião e até mesmo a mula em que ele sentava (Nm 22:21-35), só puderam fazer e dizer o que Jeová queria.

Balaque queria ouvir Balaão dizer uma maldição que enfraquecesse o povo de Israel, ao invés disso ouviu da boca de Balaão: “Como posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso pronunciar ameaças contra quem o Senhor não quis ameaçar?” Nm 23:8, e outra vez, “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de cumprir?” Nm 23:19.


Eu não poderia fazer
Muitos leitores da Bíblia fazem perguntas desnecessárias aqui: A maldição seria tão poderosa assim? Será que se Balaque e Balaão conseguissem amaldiçoar Israel, isso teria algum poder? Deus deveria se preocupara com isso? Perguntas assim revelam pouco entendimento desse texto. O ponto central aqui é que somente a Palavra de Deus, somente sua vontade manifesta, é válida. Se Deus não disser, não acontece. Se Deus não fizer, não se realiza. Esse poder absoluto de Deus se estende por todas as nações, independentemente de qual seja a religião de alguém ou a que deuses se curvem, tudo e todos estão sujeitos à vontade do único Deus que é!

Um aspecto interessante é como cada profecia de Balaão confirma promessas que Deus havia feito a Abraão mais de quatro séculos antes. Elas estavam se cumprindo naquele momento. O pacto do Deus que decidira se relacionar pessoalmente com Abraão e seus descendentes era visível de todos os ângulos nos montes de Moabe. Até mesmo a vinda de Jesus pode ser divisada nessas profecias. E não devemos nos incomodar com a insanidade do profeta, mesmo que há muitos exemplos de que a profecia verdadeira não autentica o caráter do profeta, não é intenção do texto valorizar uma profecia que apenas reafirma o que já foi dito. O que o texto nos mostra é que não é possível dizer com acerto algo diferente daquilo que Deus diz. A sabedoria está em perguntar o que Deus quer dizer, o que ele quer fazer, e agir dessa forma: “eu não poderia fazer coisa alguma de minha própria vontade, boa ou má, que vá além da ordem do Senhor, e que devo dizer somente o que o Senhor disser”.


De minha própria vontade
Palavras de tanta submissão à vontade de Deus foram extraídas à força da boca de Balaão, pela surpreendente presença de Deus, sob a ameaça da espada do anjo do Senhor, pela presença irresistível do Espírito Santo. Jesus, contudo, espontaneamente se submeteria a dizer somente o que ouviu do Pai e a fazer tudo o que está escrito na Bíblia.

Levando isso em conta, devemos oferecer a Deus um culto pleno como o salmista quando cantou: “Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama.” Sl 127:1-2.

Adoração: a) adore ao Senhor que é Deus de todas as nações, àquele a quem todos os povos se submetem; b) exalte ao Senhor que é fiel e tem poder para cumprir tudo aquilo que prometeu através dos tempos; c) glorifique ao Senhor que julga a todos em todo lugar, àquele que julga seu povo com justiça.

Confissão: a) examine seu coração e confesse se em algum momento os interesses desse mundo levaram você a desejar coisas contrárias à vontade de Deus; b) confesse a Deus o medo, reconheça diante do Senhor que ele é desconfiança do perfeito plano divino e leva você a agir por meios que Deus reprova; c) olhe para sua vida e veja se há qualquer tipo de mundanismo, qualquer promiscuidade com o mundo e arrependa-se disso.

Gratidão: a) agradeça a Deus porque ele fez um plano perfeito para sua vida; b) agradeça pelas promessas que Ele fez e pela fidelidade que tem em cumpri-las; c) expresse sua gratidão pela proteção que Deus lhe dá, contra tipo de mal e maldição, mesmo quando você nem sabe dessas ameaças.

Súplica: a) peça ao Senhor que mostre a você o que dizer e o que fazer; b) suplique a Ele que dirija em tudo a sua vida, de modo que você faça sempre o que ele quer; c) peça ao Senhor que Ele lhe dê o necessário para sua vida e livre você da cobiça e da ganância que destroem a vida das pessoas nesse mundo.


Dedicação: a) consagre a sua vida a proclamar a Palavra do Senhor, a dizer a todos, não o que você quer falar, não o que eles desejam ouvir, mas somente o que Deus mandar; b) entregue a sua vida para servir a Deus, indo onde ele mandar e fazendo o que ele disser; c) comprometa-se em ouvir e praticar a Palavra do Senhor, com a graça que Ele nos dá.

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