2 de dez de 2014

Então o Senhor disse

Série OQDQ?

“Aconteceu que o filho de uma israelita e de um egípcio saiu e foi para o meio dos israelitas. No acampamento houve uma briga entre ele e um israelita. O filho da israelita blasfemou o Nome com uma maldição; então o levaram a Moisés. O nome de sua mãe era Selomite, filha de Dibri, da tribo de Dã. Deixaram-no preso até que a vontade do Senhor lhes fosse declarada.
Então o Senhor disse a Moisés: "Leve o que blasfemou para fora do acampamento. Todos aqueles que o ouviram colocarão as mãos sobre a cabeça dele, e a comunidade toda o apedrejará. Diga aos israelitas: Se alguém amaldiçoar seu Deus, será responsável pelo seu pecado; quem blasfemar o nome do Senhor terá que ser executado. A comunidade toda o apedrejará. Seja estrangeiro, seja natural da terra, se blasfemar o Nome, terá que ser morto.” Levítico 24:10-16

Muitas pessoas já notaram que nossa sociedade e cultura nos pressiona a fazermos tudo muito depressa. Não esperamos nada, somos impaciente, precipitados, imediatistas, superficiais. Com isso nossas decisões não alcançam solidez e o que fazemos se torna descartável, ou pior, prejudicial e destrutivo. Há algo sobre a vontade de Deus que é contrário a tudo isso que temos experimentado: muitas vezes é necessário esperar até entendermos claramente o que Deus quer. Colocando essa espera em perspectiva, dentro de uma situação real, esse texto vai nos ensinar a buscarmos a vontade de Deus para não agirmos na precipitação de nossas emoções, nem sermos escravizados pelas pressões de nossos dias.


Deixaram-no preso
(1461 AC) O Livro de Levítico mistura leis e determinadas narrativas que formam o contexto para as leis. Nesse texto vemos o surgimento de uma nova lei, já que fica claro que não havia um procedimento para casos de blasfêmia.

Primeiro o texto trata das motivações para esse pecado. “Aconteceu que o filho de uma israelita e de um egípcio saiu” - na saída do Egito, muitos estrangeiros seguiram com os israelitas (v. Ex 1238). Podemos imaginar que havia muitos relacionamentos mistos, como o dos pais desse personagem e fica claro o conflito espiritual desse personagem que, sendo meio israelita, entre os israelitas agiu como um egípcio. “e foi para o meio dos israelitas” – a situação de maioria israelita também pode indicar uma razão para a blasfêmia, já que uma agressão física estaria fora de cogitação e a intenção talvez fosse agredir a todos os israelitas de uma vez.  “No acampamento houve uma briga entre ele e um israelita” – agora percebemos a questão racial, social e cultural como motivação; o personagem é diferente e, no caso de uma briga, a diferença prevaleceu. “O filho da israelita” – o personagem é referido por sua mãe e isso pode indicar que seu pai não vivia com eles ou até que ele era muito jovem; tanto uma como outra, ou ainda as duas situações teriam um peso significativo na atitude dele. “blasfemou o Nome com uma maldição” – blasfemar é a ação e maldição é o resultado: blasfemar significa furar, que podemos tomar por agredir; maldição significa desprezar. No ímpeto de agredir ao israelita, o mestiço atacou o ‘Nome’ sagrado, desprezando-o. Foi uma agressão racial, cultural, social.

“então o levaram a Moisés” – passamos a ver o processo de como o caso foi tratado e até de como uma nova lei se tornou evidente. Antes de tudo o assunto foi submetido à autoridade. O conflito que deixou de ser pessoal, não foi mais tratado em particular. “O nome de sua mãe era Selomite, filha de Dibri, da tribo de Dã.” – como em um processo legítimo, houve total transparência e o personagem, tanto como sua família imediata, extensa e também sua comunidade foram corretamente identificados. “Deixaram-no preso até que a vontade do Senhor lhes fosse declarada.” – não havendo uma lei sobre o assunto, o rapaz não foi imediatamente julgado; antes de tudo o assunto foi submetido ao supremo legislador de Israel e, apesar das emoções envolvidas o povo esperou que o Senhor se manifestasse, que sua vontade fosse esclarecida. “Então o Senhor disse a Moisés” -  não sabemos quanto tempo demorou para que o Senhor falasse com Moisés sobre esse assunto, mas enquanto o Senhor não falou, nada se fez.

Nossa passagem se conclui com o cumprimento da vontade manifesta de Deus. "Leve o que blasfemou para fora do acampamento” – o pecado deve ser levado para fora da vida comunitária, simbólica e virtualmente, não se pode conviver com o que é errado; esse é o processo de santificação. “Todos aqueles que o ouviram colocarão as mãos sobre a cabeça dele, e a comunidade toda o apedrejará” – o pecado que ameaça a comunidade deve ser tratado comunitariamente. Aqui, a imposição de mãos pode indicar responsabilidade participativa, legitimidade do processo (testemunho) e ainda a transferência da culpa que a comunidade pudesse ter, como no caso do bode que era levado para fora do acampamento (v. Lv 16:21, 22). “Diga aos israelitas: Se alguém amaldiçoar seu Deus, será responsável pelo seu pecado; quem blasfemar o nome do Senhor terá que ser executado. A comunidade toda o apedrejará. Seja estrangeiro, seja natural da terra” – em um caso em que a questão racial e sociocultural ficou tão evidente, a vontade de Deus se destaca de modo muito interessante: qualquer pessoa seria julgada da mesma forma, e toda a comunidade deveria concordar com esse julgamento.

“se blasfemar o Nome, terá que ser morto” – podemos concluir extraindo do texto a razão de tanto rigor no caso de blasfêmia. O verso imediatamente seguinte e esse contexto posterior dão uma resposta clara: "Se alguém ferir uma pessoa a ponto de matá-la, terá que ser executado.” Levítico 24:17. Esse verso tem uma estrutura semelhante à do verso 16 – qualquer um que ‘furar’ o Nome será morto/ qualquer que ‘golpear’ uma pessoa será morto. Em seguida há outros crimes e suas punições e o objetivo é sempre dar o limite exato da punição, para evitar a injustiça dos excessos provocados pelo irracional de emoções momentâneas. A exata punição para a morte é a morte, e a blasfêmia tem o mesmo estado que o assassinato.


Então o Senhor disse
É maravilhoso ver como mesmo esse jovem havendo desprezado o Nome, excluindo a si mesmo da comunidade dos santos, Deus mostrou o Seu favor ao incluí-lo como participante e responsável perante Ele. Deus, cujo nome o rapaz desprezou, foi o Deus dele e não o privou de sua justiça, pelo que disse: “Vocês terão a mesma lei para o estrangeiro e para o natural. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês" Levítico 24:22 Contudo, a sensibilidade de muitos crentes é atingida por uma passagem como essa.

‘Como Deus pode ter mandado matar o pobre rapaz mestiço e sem o pai presente? Ele apenas agiu no calor da emoção, apenas desprezou o Nome na tentativa de responder aos israelitas que estavam em maioria!’. A propaganda dos direitos humanos, o protecionismo a minorias, a segregação racial e sociocultural com interesses políticos, o individualismo, o materialismo, a secularização, a tolerância em detrimento da verdade, estão poluindo a mente dos crentes, de modo que não são capazes de compreender e aceitar a Palavra de Deus. Sobre isso o salmista disse: “Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos. Então não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos.” Sl 119:5-6.

Os ‘caminhos’ dos crentes têm sido firmados em outras ideias, outras formas de pensar, outras cosmovisões e não na obediência aos decretos divinos. Por isso ficam decepcionados quando pensam nos mandamentos de Deus. Preferem conviver com o pecado, não se importam com a violência que destrói a comunidade, na verdade não se importam com a comunidade, apenas consigo mesmos. Não querem participar do enfrentamento do pecado. É lógico que Jesus nos trouxe outras e melhores formas de lidarmos com o pecado, mas elas não cancelaram a qualidade da Lei. Quando nos aproximamos de um texto como esse devemos partir do pressuposto de Paulo: “Sabemos que a lei é boa...” 1 Tm 1:8. E o apóstolo disse isso para afirmar, em seguida, que foi blasfemo (v. 1Tm 1:13). Para quem vive conforme a Palavra de Deus, para quem obedece seus decretos a Lei é boa. Por isso o Senhor Jesus ensinou que a evangelização consiste em ensinar “...a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei.” Mt 28:20.


Conforme o Senhor tinha ordenado
Nisso se destaca a espera dos israelitas. Eles aguardaram até que Deus manifestasse a Sua vontade, até que fizesse claro o Seu mandamento. Eles queriam obedecer ao Senhor, e o capítulo se encerra assim: “Os israelitas fizeram conforme o Senhor tinha ordenado a Moisés.” Levítico 24:23. Vamos nos esforçar como eles, em esperar para fazer tudo conforme o Senhor ordenar. Vamos começar oferecendo a Deus um culto pleno.

Adoração: a) exalte a Deus porque ele tem falado conosco e nos orientado sobre como devemos agir; b) glorifique ao Senhor porque ele é justo nos limites que estabelece e nas ordens que dá; c) adore ao Senhor porque ele não faz acepção de pessoas, mas se dispôs a reinar com igual favor sobre povos de todas as nações, sobre pessoas de todas as condições.

Confissão: a) confesse ao Senhor atritos e brigas no ‘arraial’, essas contendas se estendem e sempre produzem mal maior; b) confesse sentimentos de inferioridade e de auto exclusão, eles pervertem sua visão e motivam atitudes contrárias à unidade no Corpo de Cristo; c) avalie se há situações em que você tenha desprezado o Nome de Deus (tomado em vão), ou admitido que outros o fizessem; d) considere momentos em que você agiu precipitadamente, sem se submeter à autoridade espiritual, sem esperar saber a vontade de Deus; e) Arrependa-se de situações em que, tendo uma mente contaminada pelo egoísmo e egocentrismo do mundo, você discordou e descumpriu um mandamento de Deus.

Gratidão: a) agradeça pela Palavra de Deus que é boa; b) agradeça pela justiça de Deus que é infalível; c) agradeça pela inclusividade do povo de Deus que recebeu você; d) agradeça pela oportunidade de lutar junto com toda a comunidade dos fiéis contra o pecado; e) agradeça sobretudo pelo Evangelho que permitiu a você a chance de uma nova vida enquanto Jesus foi morto por causa dos pecados que você cometeu.

Súplica: a) peça a Deus uma mente livre da contaminação do mundo; b) peça que você enxergue o valor do Corpo de Cristo acima do seu próprio; c) peça ao Espírito Santo que lhe dê completo discernimento do valor do Nome de Deus; d) suplique ao Senhor que lhe dê um coração justo para enfrentar o pecado em sua própria vida e na vida de outros.


Consagração: a) entregue sua vida para fazer a vontade de Deus; b) tome a decisão de colocar todos os temas em espera ‘na prisão’ até saber qual é a vontade de Deus; c) tome a decisão de superar o egoísmo e egocentrismo e busque no Senhor as forças para combater o pecado junto com outros cristãos, de modo que a luta pela santificação seja coletiva e nunca solitária.

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