1 de dez de 2014

De você farei nações

Série OQDQ?

“Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro. Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência".
Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse: "De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações. Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações. Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis. Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes. Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.
"De sua parte", disse Deus a Abraão, "guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes.” Gênesis 17:1-9

Pense no estabelecimento de um relacionamento pessoal, no namoro, noivado e casamento, por exemplo. Quanta fidelidade se exige! Ninguém quer iniciar um relacionamento em que o outro não se compromete, não se entrega do mesmo modo. Somente a extrema perversidade desse mundo que jaz no maligno está admitindo contatos sem fidelidade, em que as pessoas apenas exploram umas às outras. O ideal do relacionamento é a fidelidade. Baseadas nessa fidelidade é que as pessoas podem dar o melhor de si umas às outras. Por isso o relacionamento conjugal entre homem e mulher é símbolo de nosso relacionamento com Deus. Esse texto vai nos ensinar como viver um relacionamento intenso e permanente com Deus, verdadeiramente íntegro e abençoado.


O Senhor lhe apareceu
(1868 aC) A primeira informação que recebemos nesse texto se refere ao tempo passado desde que a aliança de Deus com Abrão foi anunciada no capítulo 15. Quinze anos haviam passado, e quantos anos mais desde que o Senhor chamou Abrão para segui-lo cerca de 1907 aC: aproximadamente quarenta anos! Aos olhos humanos as promessas de Deus se tornavam cada vez mais difíceis de se realizar, e ainda demoraria algum tempo até que o Senhor aparecesse novamente para confirmar o nascimento de Isaque, o primeiro filho de Abraão e Sara. Provavelmente por isso Deus se apresenta com o nome de Deus-Todo-Poderoso.


Nisso também essa é uma passagem bem especial. Na primeira o autor apresenta Deus como Jeová, traduzido como Senhor. Esse é o nome próprio de Deus, revelado séculos depois e significa ‘Eu sou’, no sentido de que Deus se manifesta como Ele quer. Depois, ao apresentar-se, Jeová diz, eu sou o El Shadday. O termo geral para Deus, El, é especificado por Shadday. É difícil traduzir esse nome, mas a maioria dos estudiosos concorda que significa ‘que é suficiente’, portanto, apesar dos anos terem passado, Deus se apresenta como aquele que é suficiente para cumprir as promessas e a aliança. Finalmente o Senhor diz que ele será o Deus de Abraão e de seus descendentes, e aqui usa o termo ‘Elohim’, plural de ‘El’, para indicar o incomparável poder que ele tem. Veja como esses nomes são apropriadamente usados aqui. Sabemos que isso é importante porque o próprio nome de Abrão é mudado nessa passagem e, nos versículos seguintes, também o de sua esposa Sarai (v. 15).

O nome Abrão significa ‘Pai orgulhoso’ ou exaltado e, possivelmente, foi dado pelo pai de Abrão porque estaria orgulhoso do filho que nascera. Agora Deus acrescenta a palavra ‘multidão’ ao seu nome, de modo que a promessa incluída na aliança fosse lembrada sempre que alguém se referisse a ele.

De fato, filhos, nações e reis, ‘Toda a terra de Canaã’, são benefícios da aliança, contrato ou pacto entre Deus e Abraão. Quando Deus diz ‘De minha parte, esta é a minha aliança com você’, devemos olhar por cima desses benefícios para o que Deus está propondo: ‘Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.’. Deus decidiu se tornar o ‘Elohim’ de Abraão e de seus descendentes, essa era a parte de Deus no contrato. Deus era e é Deus, mas agora seria Deus em relacionamento pessoal com Abraão e seus filhos. Já a parte deles seria ‘guardar a aliança de Deus’, isto é, zelar, vigiar, manter esse relacionamento. Abraão e seus descendentes deveriam ter em Elohim o seu Deus pessoal, manter um relacionamento exclusivo e permanente com Ele.


Eu sou o Deus Todo-poderoso
Mas como isso seria feito? De que modo Abraão e seus filhos cumpririam sua parte no contrato? Para entender isso devemos voltar ao primeiro verso. Primeiro ouvimos Deus dizer a Abraão que Ele é El Shadday, o Deus que é suficiente, isso é, Abraão não precisaria de nada além de Deus. Todas as coisas, filhos, terras, futuro, seriam providas por Deus que não está limitado por coisa alguma.

Sendo o Deus que é suficiente, o Senhor chama Abraão para andar ‘diante de sua face’, apropriadamente interpretado como ‘ande segundo a minha vontade’. Isso nos remete a Adão, que se escondeu da presença de Deus por ter feito o que sua carne queria (Gn 3:16), e a Jesus que nos redimiu por fazer somente o que o Pai queria. Viver na presença de Deus é fazer o que ele quer, é agir conforme a vontade dEle.

Então, Abraão precisaria apenas fazer a vontade de Deus com integridade, ou seja, inteiramente, sem espaço para outras vontades. Deus é suficiente! Abraão e seus descendentes não precisariam fazer a vontade de nenhum outro deus, de nenhum outro poder. Teriam um relacionamento exclusivo com Deus.

Nós somos incluídos nesse relacionamento exclusivo e intenso com o ‘Deus que é suficiente’. O pai de uma multidão é nosso pai também, se estabelecemos um relacionamento com Deus como ele teve. É como o apóstolo Paulo nos diz: “Portanto, a promessa vem pela fé, para que seja de acordo com a graça e seja assim garantida a toda a descendência de Abraão; não apenas aos que estão sob o regime da lei, mas também aos que têm a fé que Abraão teve. Ele é o pai de todos nós. Como está escrito: "Eu o constituí pai de muitas nações". Ele é nosso pai aos olhos de Deus, em quem creu, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência coisas que não existem, como se existissem.” Rm 4:16, 17.

Ande segundo a minha vontade
Então, uma vez que somos herdeiros dessa rica promessa da graça, prestemos a Deus um culto pleno conforme a Palavra de Deus. Primeiro em oração e depois tomando outras providências, considere isso:

  • Adoração: a) Proclame Deus como Jeová, ‘aquele que é’ – Ele é o Senhor da história, ele decide o que fará, o que será. É ele quem decide se relacionar conosco e ser o nosso Deus. b) Glorifique Deus como El Shadday, porque ele é suficiente. Ainda que o tempo tenha passado e mesmo que seja impossível aos olhos humanos, o Senhor é o único de que precisamos, Ele pode tudo! C) Exalte ao Senhor como o Elohim, o Deus absoluto e absolutamente poderoso. Ninguém é como ele. Ninguém se compara a ele.
  • Confissão: examine sua própria vida, se em algum momento faltou integridade em fazer a Vontade de Deus, se em algum momento você preferiu fazer sua própria vontade, ou a vontade de outra pessoa, porque deixou de esperar de Deus as coisas que somente ele pode fazer, que somente ele pode dar. Busque o perdão de Deus e restaure sua parte na aliança da fé pela graça.
  • Gratidão: agradeça a Deus por todas as coisas que ele já deu com a aliança que fez com você. Deus tem provido tudo o que você precisa até esse momento e, ainda que pareça demorar aos olhos humanos, na hora certa ele dará qualquer outra coisa de que você necessite. Agradeça a Deus pelo provimento dele.
  • Súplica: “Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse...” – é impossível olhar para Abraão prostrado assim e não ver Jesus na mesma posição, buscando a vontade do Pai (Mc 14:35, 36).  De nós mesmos não podemos garantir integridade no cumprimento da Vontade de Deus, mas, ao nos prostrarmos em total dependência dEle, o Senhor fala conosco e nos dirige. Humilhe-se diante do Senhor que tudo pode, coloque-se em total dependência dEle, diga-lhe o quanto você deseja que a Vontade de Deus se realize em sua vida.
  • Dedicação: Deus quer um relacionamento exclusivo conosco, essa é a parte que Ele exige de nós no contrato em que se torna o nosso Deus pessoal. É como a fidelidade no casamento, e essa figura é muito usada na Bíblia. Não há espaço para gostarmos de ninguém mais, nem de obedecermos a qualquer outro desejo ou vontade. Avalie sua vida, se há outros ‘deuses’, inclusive os desejos da carne, com os quais você está se dividindo. Com a ajuda de Deus tome a decisão de ser fiel apenas a Ele, de fazer apenas a vontade dEle, com total integridade.


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