20 de dez de 2014

Alegrem-se sempre

Série OQDQ?

“Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.
Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham.
Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles. Vivam em paz uns com os outros. Exortamos vocês, irmãos, a que advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos. Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos.
Alegrem-se sempre. Orem continuamente. Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.
Não apaguem o Espírito. Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. Afastem-se de toda forma de mal.” 1 Tessalonicenses 5:11-22

‘Onde passarás a eternidade?’, essa pergunta abriu frequentemente a conversa para a evangelização durante décadas. Ela desperta uma questão crucial, principalmente quando pessoas queridas partem desse mundo. Quando Paulo escreveu o texto que estamos examinando agora, ele estava falando justamente sobre isso, e apresentando a posição do cristianismo, de uma eternidade centrada na volta do Senhor Jesus Cristo. Temos a certeza de que ele voltará e, tanto quem estiver vivo, como quem estiver morto, seremos todos reunidos a ele. Isso deve afetar todo o nosso comportamento, e esse texto nos ensina de que modo devemos viver enquanto esperamos aquele momento glorioso.


Por isso, exortem-se
(52 aC) Na seção imediatamente anterior ao texto que estamos estudando, Paulo fala da vida eterna e o faz com uma abordagem apologética. Diante da morte dos entes queridos, o cristão não segue uma crença comum de que a alma é de algum modo eterna. A fé cristã, diferente de outras religiões, repousa em que Jesus Cristo voltará e que os cristãos viverão eternamente com ele. Paulo explica que essa volta de Cristo não pode ser prevista, mas afirma que o preparo necessário para ela é garantido pela soberana decisão de Deus que nos destinou para recebermos a salvação. Longe, porém, de ficarem inertes nessa fé, se requer que os crentes se esforcem muito enquanto esperam: “Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo”. O trabalho que os crentes devem fazer é o de uma construção, figura muitas vezes usada para falar do trabalho espiritual. Muito possivelmente inspirada pela construção do Templo em Jerusalém, a ideia é a da construção de uma casa ou templo espiritual, em que cada crente é uma pedra.


Sendo edificados: Paulo assume uma posição humilde, como se estivesse fazendo uma petição, a posição de um líder servo, e intercede primeiro pelos líderes que estão trabalhando na edificação da casa espiritual. “Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração” – o texto diz literalmente para os crentes ‘olharem’, de um modo atento. Podemos supor que devem olhar com consideração ou admiração, tanto para valorizar, como para atender e tomar como modelo. “para com os que se esforçam no trabalho entre vocês” – a Igreja demorou para ter uma liderança formal, com uma estrutura de cargos. Os líderes bíblicos são aqueles que trabalham muito; eles não se distinguem por cargos ou méritos pessoais, mas pelo trabalho que realizam com muito esforço, é para esses que os crentes devem olhar. “que os lideram no Senhor” – o tema da obediência, do atendimento às ordens e governança é central na fé cristã, já que pela desobediência é que o pecado entrou no mundo. É preciso olhar atentamente para aqueles que estão em posição de mando ‘no Senhor’, ou seja, que mandam do modo e com o objetivo que ‘o Senhor’ mandaria para a edificação espiritual, e atender suas ordens. “e os aconselham” – além do trabalho esforçado e de uma liderança conforme o Senhor, os líderes da Igreja são reconhecidos pelo aconselhamento, isto é, pela habilidade de pensar juntos, de construir concordância até terem todos um mesmo pensamento. Ao identificar pessoas com essas características,  “Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles.” – A ideia é destacar os líderes com um amor além da medida, por causa daquilo que eles realizam e não por alguma forma de mérito mundano. É pelo trabalho realizado que se destaca o líder cristão. Paulo termina essa primeira exortação apresentando um princípio geral, muito necessário diante da natureza rebelde e contenciosa quando se trata da relação com a autoridade: “Vivam em paz uns com os outros”.

Edificando a outros: depois de se referir aos que estão edificando a casa espiritual enquanto esperam a volta de Jesus, Paulo agora fala sobre como tratar aos que não estão edificando. É interessante que o apóstolo se refere a eles a partir de três características, como fez com os edificadores, e parece que cada uma é o oposto da outra. “Exortamos vocês, irmãos” – Paulo parece se dirigir aos líderes a que se referiu na exortação anterior, mas essa liderança funcional inclui todos os crentes saudáveis, responsáveis uns pelos outros, e não apenas um grupo com cargos e títulos. “a que advirtam os ociosos” – literalmente esses ociosos são ‘desregrados’, gente que não se organiza ou não obedece e, por isso mesmo, não participa da edificação e, então, não cumpri o ideal do crente líder, que trabalha com grande esforço. Esses tais precisam de aconselhamento, para ver se entram ‘nos eixos’. “confortem os desanimados” ­– esses crentes de alma pequena, que não são capazes de enfrentar os desafios da edificação e não se sentem capazes de assumir uma posição de autoridade no Senhor precisam de quem se aproxime deles de modo pessoal, encorajando-os com simpatia. “auxiliem os fracos” – esses que não têm firmeza, não tem vigor, estão amolecidos e portanto não têm o que oferecer a outros, necessitam ser ajudados, precisam de alguém que ‘corresponda’ a eles, que seja forte por eles. Paulo conclui da mesma forma que na exortação anterior, oferecendo um princípio geral: ”sejam pacientes para com todos” – Os crentes que estão edificando são chamados à paciência, a retardarem a raiva, os sentimentos que poderiam ter para com aqueles que não participam da edificação que devemos fazer enquanto esperamos pelo Senhor.

O alicerce: Paulo ofereceu dois princípios gerais anteriormente, “Vivam em paz uns com os outros” e ”sejam pacientes para com todos”, agora ele resume todo o ensino sobre os relacionamentos para a edificação quando diz: “Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos” – Note como ele se refere novamente aos ‘outros’ e a ‘todos’. Inspirado pelo ensino de Jesus sobre retribuição, Paulo pede, não boas ações apenas, mas o caráter genuinamente bom daqueles que são transformados por Deus. É a transformação do caráter que interessa aqui e não as boas obras que podem ser feitas sem ele, por outros motivos. Estamos falando da natureza das pedras espirituais e, provavelmente isso enseja os três mandamentos seguintes. Vejamos como é que o crente pode ser bondoso.

As pedras espirituais: “Alegrem-se sempre” – não se pode falar sobre alegria e esquecer-se que tem a mesma raiz que graça. De fato, viver pela graça é viver pela alegria que Deus tem em nós e que nós temos nele, isso é bem estabelecido, por exemplo, quando Neemias diz: “Não se entristeçam, porque a alegria do Senhor os fortalecerá” Ne 8:10. A alegria é fruto do Espírito Santo, e o caráter dos edificadores espirituais é definido pela constante alegria. Mas como estar sempre alegre, mesmo diante dos problemas e das dificuldades? “Orem continuamente” – para entender como a oração pode ajudar a estar sempre alegre é preciso compreender o significado de oração para os autores bíblicos. Oração significa literalmente ‘trocar desejos’. O crente entrega os desejos ao Senhor e Ele entrega os desejos dEle ao crente. Basta lembrar, então, de que Deus tem poder para realizar tudo o que Ele quer, assim, trocando continuamente os desejos pessoais pelos desejos de Deus, o crente pode estar sempre alegre. ”Dêem graças em todas as circunstâncias” – sabendo que os desejos de Deus, recebidos na oração, são infalíveis em sua realização, o crente pode agradecer sempre. Essa atitude de gratidão por tudo o que se recebe, por todas as situações em que se está, são o mais evidente reconhecimento da soberania absoluta de Deus sobre tudo e todos. Como vimos nas primeiras duas exortações, essa também tem três características e então um princípio geral: “pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” – A vontade de Deus é que o crente esteja sempre alegre enquanto ora continuamente e por isso é grato por tudo o que recebe.

O culto: depois de apresentar três características do líder, três características do liderado e três características do crente que edifica o templo espiritual, Paulo se volta para o culto que acontece nesse templo. Há cinco imperativos para que a edificação espiritual não fique sem função. “Não apaguem o Espírito” – O fogo, fosse no altar de incenso, no candelabro ou no altar de sacrifícios indicava que o templo estava em funcionando. O fogo é a figura usada para indicar a atuação do Espírito Santo. Paulo ensina aqui que o Espírito pode ser apagado e sugere duas maneiras de isso acontecer. “Não tratem com desprezo as profecias” – a primeira maneira de extinguir o Espírito Santo seria desprezas as profecias, trata-las como se não tivessem importância. Profecias aqui são carisma ou dom do Espírito e podem estar representando todos os carismas. Extingue-se, portanto, o Espírito Santo ao ignorar a importância de sua atuação extraordinária no meio da casa espiritual que os crentes devem edificar enquanto esperam pela volta do Senhor Jesus. “mas ponham à prova todas as coisas” – extingue-se o Espírito Santo, por outro lado, quando não se coloca as manifestações extraordinárias à prova, quando não se as examina para saber se são genuínas, aceitando-se coisas que não provém verdadeiramente de Deus.  “e fiquem com o que é bom” – Isso indica a prova que se deve fazer de ‘tudo’, saber se é bom e isso remete o leitor de volta ao caráter bondoso que se requer do crente. Um caráter transformado por Deus reconhecerá o que é bom ou não. “Afastem-se de toda forma de mal.” – Ao concluir essa seção com essa frase, Paulo mostra uma virtude da Palavra de Deus. A Bíblia não é negativa, não é proibitiva, ela orienta o crente a se afastar de toda forma de mal porque ele já está em direção ao que é bom, se afasta do que parece ser ruim para agarrar-se ao que é verdadeiramente bom!



Edifiquem-se uns aos outros
Os dois versos seguintes a essa seção são a proclamação de uma oração intercessória: “Que o próprio Deus da paz os santifique inteiramente. Que todo o espírito, alma e corpo de vocês seja conservado irrepreensível na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que os chama é fiel, e fará isso.” 1Ts 5:23-24.

Depois de apresentar tantos aspectos de tudo o que os crentes devem ficar fazendo para edificar a casa espiritual enquanto esperam a volta do Senhor, Paulo faz tudo depender de Deus. Novamente é Ele quem nos santifica e nos prepara para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Embora tenhamos que fazer todas aquelas coisas, os recursos nos níveis do espírito, da alma e do corpo são proporcionados por Deus.

A desafiadora carreira do cristão não deve, em nenhum momento nos parecer pesada ou impossível. Começamos a correr sabendo o que Paulo disse também aos filipenses, “pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.” Fp Fp 2:13; ou aos coríntios em outro contexto, “Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos.” 1Co 12:6.

A vontade de Deus não é nos sobrecarregar, não é colocar sobre nós um peso tão grande que nos entristeça e afaste de seu maravilhoso plano para nós. A vontade de Deus é que estejamos alegres, confiando todos os nossos desejos a ele e sendo gratos porque Ele é poderoso para realizar sua maravilhosa vontade em nossa vida. A vontade de Deus é que estejamos preparados para a sua vinda. A vontade de Deus é nos encontrar edificando a casa espiritual como pedras vivas, firmados sobre o alicerce que é Jesus Cristo, nosso Senhor.


Como de fato vocês estão fazendo
Que rica e preciosa esperança temos na volta do Senhor Jesus. Esse é o centro de nossa fé, nosso motivo para continuar. Portanto, ofereçamos a Deus um culto completo.

Adoração: a) adore ao Senhor que tem um plano para nos livrar da morte e nos dar a vida eterna; b) adore ao Senhor que não deixou nossa salvação depender de nossa incapacidade, mas proveu, ele mesmo, todas as coisas; c) adore ao Senhor que nos chamou para participar de Sua obra e nos deu um lugar na edificação de Sua casa.

Confissão: a) confesse ao Senhor se você não tem vivido em paz com aqueles que têm autoridade sobre você; b) reconheça se lhe falta paciência com aqueles que, por causa de suas próprias fraquezas, não estão edificando a casa espiritual; c) avalie se o seu caráter é bondoso e isso se manifesta para com todos, ore sobre o que precisa melhorar.

Gratidão: a) encha seu coração de alegria, jubile, celebre, faça uma festa espiritual, comemore o cuidado de Deus para com você; b) deixe que seus desejos sejam trocados pelos desejos de Deus para você, haverá muito mais pelo que se alegrar e agradecer; c) agradeça por tudo o que você tem, por tudo o que aconteceu com você. Tudo!

Súplica: a) peça que o Espírito Santo tenha a liberdade de agir em sua vida, de seu modo extraordinário; b) peça que a sua vida seja cheia do Espírito Santo e das coisas boas que Ele produz; c) peça discernimento para nunca ficar confundido acerca da ação do Espírito Santo, para escolher aquilo que é verdadeiro e bom.


Dedicação: a) consagre sua vida a esperar pela volta do Senhor Jesus; b) dedique sua vida a edificar a outros; c) busque realizar a vontade de Deus acima de todas as coisas.

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