5 de out de 2014

Quem há de ir?


Recentemente, após pregar, uma mãe aflita me procurou para falar sobre a dificuldade da filha em se decidir sobre seu futuro. Logo ela falou da ilusão da filha com a obra missionária e como achava que isso era fruto de emocionalismo. Percebendo que a indecisão da filha podia ter razão na negação de sua vocação, questionei a mãe sobre sua atitude para com a vocação missionária, ela recuou um pouco dizendo que, talvez, depois de cursar uma boa faculdade, se estabilizar em uma carreira, ter seu próprio sustento, então, se ainda quisesse, a filha poderia se dedicar a missões. Meu conselho àquela irmã foi que se entregasse ao Senhor em oração, para conhecer com sua filha a vontade de Deus e colocá-la em prática.
Fiquei triste com esse fato, mais uma vez. Embora não se fale muito sobre isso, estamos em plena crise vocacional. Já faltam obreiros, e essa é uma das outras realidades que não podemos ignorar em missões. Houve um tempo em que, ecoando a tradição religiosa em nosso país, toda família queria ter um filho pastor ou missionário. Foi-se esse tempo. Hoje em dia a dedicação ao ministério é francamente desestimulada na maioria das famílias evangélicas ou, no mínimo, procrastinada. Se um filho diz que quer ser missionário, isso é visto como precipitação, infantilidade ou ingenuidade, totalmente diferente de quando prefere ser médico, advogado ou engenheiro.

Há muitas razões para essa crise. A primeira e mais significativa é a falta de perspectiva: as igrejas não têm oferecido uma clara possibilidade de sustento e carreira ministerial, que permita ao jovem a confiança de que poderá manter-se com dignidade trabalhando em missões. Os missionários são culpados pela segunda razão: quando tentam valorizar seu serviço evidenciando o próprio sofrimento ao invés de falar das alegrias dos resultados, produzem uma propaganda negativa. A terceira razão para a crise vocacional é a diminuição da importância do Evangelho e da evangelização: na medida em que o trabalho humanitário se torna mais relevante do que a evangelização, perdemos nossos futuros missionários para a enfermagem, medicina, serviço social e outras funções paliativas da desgraça humana.

“Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá.” Sl 127:3. É urgente lembrar que, se os filhos são herança do Senhor e se o Senhor está vivo, eles têm um dono e nos são confiados para serem o que o Senhor quer, não o que nós queremos. A atual crise vocacional se resolveria retirando nossa própria vontade secularizada, influenciada pelo materialismo e pelos valores desse mundo, deixando que nossos filhos se dediquem a buscar e a fazer a vontade de Deus. Quando isso acontecer não faltarão crianças, adolescentes e jovens dizendo, ‘Eis-me aqui’.
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Para ser um Ceifeiro (intercessor/ mantenedor/ divulgador) da AMME evangelizar ligue (11) 4228 3222 ou envie um e-mail para ceifeiros@ammeevangelizar.org e um missionário da AMME ligará para você.
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Foto: Detalhe de Haidt Zizendorf

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