8 de out de 2014

Insustentável


Há algum tempo fiz uma enquete entre pastores a quem nosso ministério serve. Minha pergunta foi se eles percebiam  que escândalos financeiros e a má utilização de recursos no meio evangélico afetavam negativamente as ofertas nas próprias igrejas deles. A resposta da maioria foi que sim. Considerando tudo o que ouvi, no entanto, fiz uma hipótese: os escândalos financeiros são apenas uma desculpa para um outro problema. Os crentes estão endividados! Seduzidos pelo apelo do consumismo, exauriram seu crédito e vivem para pagar juros. Sem dinheiro, reclamam dos escândalos, questionam a atualidade do dízimo e relativizam a importância das ofertas.

O primeiro segmento a ser afetado por essa situação é o trabalho missionário. Então essa é outra realidade que não podemos ignorar. Com o cinto apertado as igrejas resolveram economizar na formação de obreiros e substituíram os seminários por escolinhas nos fundos da igreja. Poucos obreiros têm sido enviados, quando são, o sustento é uma ajudinha e a promessa de oração. Os campos considerados deficitários não são atendidos. Sem suporte, alguns obreiros vão sem o apoio pleno de suas igrejas e sofrem as consequências dessa falha. Outros dividem o tempo que poderiam dedicar ao ministério com atividades diversas que possam render-lhe o sustento. A maior parte, no entanto, nem mesmo inicia sua caminhada para o ministério de tempo integral.

Então começamos a falar de fazedores de tendas, bi vocacionados, busines as mission, missões de curto prazo e tantas outras figuras recentes que têm em comum a falta do modelo bíblico de sustento dos obreiros pelos rareados dízimos e ofertas. Nem todos os crentes têm um chamado para o ministério em tempo integral, mas para aqueles que receberam esse chamado eu preciso perguntar: fazer tendas é a regra ou a exceção? Se Deus chamou para o ministério, quem deu a outra vocação? Se a motivação concentra os esforços em uma direção, como achar motivação para andar em direções diferentes? Se todo tempo não é suficiente para os serviços do Ministério, quais serviços negligenciar para se dedicar a outro trabalho?

Eu não estou recriminando obreiros e agências que estão procurando meios de auto sustento ou que se estafam tentando completar uma prebenda mínima para permanecerem no chamado divino. Em meu próprio ministério estamos procurando gerar autossustentabilidade a partir de nossa base missionária. O que não podemos, porém, é aceitar isso como normal e nos conformarmos. Nós enfrentamos a mesma realidade que Neemias, quando retornou à Jerusalém: "Também fiquei sabendo que os levitas não tinham recebido a parte que lhes era devida e que todos os levitas e cantores responsáveis pelo culto haviam voltado para suas próprias terras" Ne 13:10. Ainda que façamos tendas por algum tempo, devemos insistir em ensinar a Igreja a fazer o que é correto, a fazer missões conforme Deus.
..........
Para ser um Ceifeiro (intercessor/ mantenedor/ divulgador) da AMME evangelizar ligue (11) 4228 3222 ou envie um e-mail para ceifeiros@ammeevangelizar.org e um missionário da AMME ligará para você.
..........
Foto: Detalhe de Zerstörung Jerusalems durch die Babylonier. Illustration aus der Schedel'schen Weltchronik (1493).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É bem vindo seu comentário que honre e exalte a santidade do Senhor.