7 de out de 2014

Inclusão


Nesse dia das crianças algumas instituições elegeram a luta contra o trabalho infantil como tema de suas ações. Como em todas as causas, também nesse tema se elegem os aspectos mais dramáticos para impulsionar pessoas à ação. A propaganda dá a impressão de que a exceção de crianças recrutadas por exploradores do trabalho infantil seja a regra, e não a criança ajudando os pais na difícil e mal remunerada lida nas pequenas propriedades agrícolas. Essa visão tendenciosa do fenômeno faz parecer que a denúncia, o policiamento, a prisão ou o vicioso assistencialismo seriam a solução e não o desenvolvimento econômico que daria às famílias o suficiente para comer e margem à necessidade natural de status e de auto realização.
Essa temática me traz um duplo sofrimento. Dói ver que as famílias são mantidas nos limites da pobreza através de programas assistencialistas, em uma ridícula ressurreição do populismo dos anos 30, com todas as cores daquele messianismo barato. É assim que o trabalho infantil se mantém. Por outro lado, na luta contra o trabalho infantil como se estabeleceu nos últimos anos, dói que as crianças e ainda os adolescentes percam sua importância social para serem vítimas da ‘mentalidade de creche’ de tantas políticas estatizantes.

O fato é que nos sertões, onde crianças e adolescentes vão para a roça com seus pais, e trabalham juntos pela comida que precisam comer, na igreja, centro da atividade social, esse público fala e é ouvido. Eles testemunham, pregam, cantam, dirigem cultos e logo depois lideram congregações. Mas, onde são encerradas sob o protecionismo elas não participam economicamente e logo deixam de participar espiritualmente de suas comunidades. Nos ministérios infantil e de adolescentes o cerceamento sócio-político se reflete na redução ao entretenimento. Nossas crianças apenas brincam de igreja, esperando-se chegarem à idade de serem ‘crentes de fato’. Essa é outra realidade que não podemos ignorar. Eu quero que as crianças e os adolescentes tenham a oportunidade de estudar e se desenvolver para uma melhor situação econômica, mas nunca ao custo de deixarem de ser membros funcionais do Corpo de Cristo. A igreja tem uma causa ainda mais urgente que o trabalho infantil.

“Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles.” Pv 22:6. Tenho sempre explicado que ‘criança’, aqui, tem o sentido abrangente das pessoas que dependem de nós e isso inclui tanto as crianças como os adolescentes. Também, instruir ‘no caminho’ do qual não se quer que a criança desvie é, necessariamente, que o dependente já esteja no caminho enquanto está sob instrução. É uma questão de inclusão espiritual. Se queremos que nossas crianças e adolescentes continuem sendo trabalhadores do Evangelho, não podemos privá-los desse trabalho agora. Que a luta contra o trabalho infantil não se aplique à Grande Seara; que o Senhor mande crianças e adolescentes trabalhadores para sua Seara.
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Foto: Detalhe de George de la Tour, Saint Joseph charpentier.

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