19 de set de 2014

Igrejas nas casas


Estava novamente pensando sobre esse afã que existe hoje sobre ser como a igreja Primitiva e copiar seu modo de celebrar, como se isso fosse produzir um relacionamento mais profundo com Deus ou um crescimento mais intensivo. A igreja nas casas é um dos temas centrais desse saudosismo. Os crentes ficam imaginando como seria fazer parte da Igreja que se reunia na casa do abençoado casal Áquila e Priscila, em Éfeso (1Co 16:19) ou em Roma (Rm 16:5).

É preciso lembrar que os tempos são outros e que uma estrutura da igreja do primeiro século não funcionaria da mesma forma em nossos dias. Podemos desejar resultados semelhantes, e eu gostaria que quiséssemos ainda mais depois de dois mil anos, mas os meios para obter tais resultados serão diferentes. Por outro lado é necessário evitar a romantização. A própria Primeira Carta aos Coríntios foi escrita para tratar de problemas que, em grande parte, estavam ligados à natureza doméstica daquela Igreja: partidarismos, acepção de pessoas, falta de confronto do pecado e coisas assim.

Viajando pelo Brasil encontro muitos Áquila e Priscila que mantém uma preciosa igreja em sua casa. Também encontro muitas igrejas como a de Corinto, cheias de problema justamente por serem domésticas. O mais comum é serem um pouco dos dois. De um modo geral posso apontar três problemas principais. Primeiro há o excesso de responsabilidade ou de liberdade para o dono da casa onde a igreja se reúne – ele paga a conta e, em alguns casos, quer desfrutar disso. Segundo há a falta de liberdade dos membros e visitantes em irem à igreja na casa de outro: ‘será que preciso tirar o sapato?’. Terceiro há o pastor, que fica entre líder e empregado, sem liberdade para contrariar ou disciplinar o dono da casa.

Entendo que em muitos casos uma casa é a solução de Deus para a subsistência de uma comunidade, mas não devemos pensar nisso como um modelo permanente ou mandatório para a saúde da Igreja. Que Cristo seja sua cabeça, que ele esteja no meio dela e que a dirija em todas as suas ações, é isso que importa. E João o ouviu bem: “Este é o mistério das sete estrelas que você viu em minha mão direita e dos sete candelabros: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas.” Ap 1:20.
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Foto: Detalhe de provavelmente Valentin de Boulogne, Saint Paul Writing His Epistles.

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