5 de ago de 2014

Kandinsky ou Mondrian

Eu prefiro Mondrian, mas vou de Kandinsky.



Para muitos cristãos a Teologia Sistemática é 'sagrada', pelo menos aquela que escolheram. Eles não conhecem outra forma de ler as Escrituras, Não percebem que Deus preferiu um modo bem diferente de organizar sua revelação. Embora eu seja apaixonado por Mondrian e admire a ordem, o equilíbrio lógico, a compartimentação da teologia sistemática, tenho que reconhecer que um retrato fiel da Verdade está mais para Kandinsky.

No seminário, desde os 16 anos, aprendi a amar a Lectio Continua, o método indutivo, a Teologia Bíblica, a hermenêutica de Jesus, a ordem cronológica. Minha experiência é que, quando se trata de Sola Scriptura, ou da Bíblia como 'única regra de fé e prática', temos que colocar de lado nosso desespero por coerência e mergulhar na multiforme e superabundante Graça de Deus. Nesse mergulho, nunca sabemos o suficiente, nunca estamos no controle, nunca achamos plena coerência. Somos como crianças que o Pai deve levar pela mão e repetir sempre as mesmas coisas.

Então, por paradoxal que pareça, nossa vivência da complexidade da revelação será tão simples como um desenho de criança (desculpe ai Kandinsky :D). As Teologias Sistemáticas, porém, são um belo e valioso quadro para pendurar na parede, afinal, em se tratando de decoração, valem tanto quanto Mondrian (foi um elogio). Com isso, não importa qual é a teologia sistemática cristocêntrica de alguém, andaremos juntos sem dificuldades.

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