19 de abr de 2014

Querer

Tempo de leitura:4'30''

Certamente você já leu sobre o episódio em que o rei Jeoás de Israel visitou o profeta Eliseu e ele lhe ordenou que atirasse flechas pela janela. Por volta da primeira década do século VII aC Eliseu estaria com cerca de 80 anos. Estava enfermo, a morte se aproximava e o rei Jeoás foi visita-lo. A saudação do rei, lamentando pelo profeta que partia, foi a mesma que o próprio Eliseu fez a Elias quando o viu ser arrebatado em um carro de fogo. É interessante que o ministério desse grande líder tenha se iniciado e terminado com essa frase: "Meu pai! Meu pai! Tu és como os carros e os cavaleiros de Israel! " 2Rs 13:14. Ela reconhece que, Elias primeiro e Eliseu depois, eram sozinhos mais importantes para Israel do que os melhores recursos militares. Nada mal para líderes que nunca pegaram em armas, e tudo o que ofereceram foi a liderança baseada na fé construída sobre a Palavra de Deus.

Na época dessa visita, Jeoás estava sofrendo as consequências dos pecados de seu pai, Jeoacaz. Deus permitira que os arameus, povo que habitava a atual Síria, sob o comando do rei Hazael, invadisse e tomasse muitas cidades de Israel, diminuindo o território significativamente. Agora Hazael estava morto e seu filho, Bem-Hadade, reinava em seu lugar. Eliseu foi um líder de grande influência na política externa e, certamente, desejava resolver essa questão antes de morrer. Por isso o profeta mandou o rei Jeoás pegar um arco e flechas, abrir a janela na direção dos territórios sob poder do inimigo e atirar uma flecha. Quando o rei fez isso Eliseu explicou que aquela flecha simbolizava a vitória que Deus daria sobre os Arameus.


Depois o profeta mandou o rei atirar mais flechas. O que você faria, se fosse um rei desejoso de reconquistar o território ocupado, visitando um reconhecido homem de Deus, que lhe aponta um objetivo e lhe diz que você pode alcança-lo? Creio que você se encheria de entusiasmo e sairia atirando flechas fervorosamente. Eliseu se esforçou para motivar Jeoás a atingir o objetivo, até designando a cidade de Afeque como cenário da vitória, lembrando o local onde 60 anos antes o Senhor dera uma grande vitória a Israel contra o mesmo inimigo (1Rs 20).  Mas Jeoás não se motivou. Provavelmente, por obrigação para com um homem tão importante, ele atirou três vezes e parou. A Bíblia nos conta que então “O homem de Deus ficou irado com ele e disse: ‘Você deveria ter golpeado o chão cinco ou seis vezes; então iria derrotar a Síria e a destruiria completamente. Mas agora você a derrotará somente três vezes’.” 2 Reis 13:19. O capítulo termina dizendo que foi isso mesmo que aconteceu, Jeoás só obteve três vitórias e ficou para Jeroboão II, seu filho, a vitória definitiva, relatada no capítulo seguinte.

Essa história ilustra bem a importância do querer na liderança e na gestão. Não devemos espiritualiza-la ou alegorizá-la. O que Eliseu constatou e que o fez profetizar os resultados minguados que o rei obteria foi justamente a falta de vontade, de interesse, a ausência de entusiasmo para atingir o objetivo. Enquanto nos preparamos para falar sobre a definição de objetivos, quero que você considere esse aspecto do caráter que é o querer. De nada adianta estabelecer objetivos do ponto de vista da gestão, se falta ao líder a vontade de alcança-los. Eliseu definiu um objetivo, a destruição completa do poder Arameu, e foi tão preciso que disse até mesmo onde haveria de acontecer, mas faltava o que chamamos de força de vontade a Jeoás, por isso o objetivo não foi alcançado plenamente. Desejo e objetividade são aliados para o sucesso na liderança.

Quando penso nisso logo me lembro do que a Palavra de Deus nos diz em Provérbios: “O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo perambulam até os confins da terra.” Pv 17:24. Quem sabe escolher deseja coisas que pode alcançar, somente os tolos desejam o que está além de sua capacidade. As pessoas de discernimento tem aquele olhar firme e decidido de quem sabe o que quer, já os tolos tem um olhar perdido e vazio: falta-lhes objetividade.



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