7 de mar de 2014

Sola Scriptura. Tota Scriptura.

“E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras.” Lucas 24:27

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Sou grato a Deus por uma ressurgente percepção de que a Igreja Brasileira precisa voltar ao Evangelho, às Escrituras. Na lacuna de teologia, isto é, na falta do conhecimento de Deus deixada pela alucinante expansão da Igreja nos últimos anos, esse retorno tem sido delimitado pela Teologia Sistemática e principalmente pelas doutrinas reformadas. Por décadas, no Brasil, as escolas de teologia agiram como se não houvesse outra teologia além da Sistemática. Especialmente nos últimos cinco anos, quem tem fome das Escrituras não encontra muito mais do que aquele feijão com arroz.


Meu desgosto com a Teologia Sistemática começou no final da adolescência, no seminário. O amor pelo texto bíblico me fez perceber que a desesperada busca por coerência fazia os teólogos colocarem diversas passagens das Escrituras no liquidificador da síntese, produzindo verdades particulares secundárias. Um indício desse fato é que, ao falar de Teologia Sistemática, quem ensina refere-se muito mais aos autores não inspirados que geraram seus dogmas e doutrinas do que à própria Palavra de Deus. Embora minha profunda admiração pelo conceito de ‘A Bíblia somente’, promovido pela Reforma, vejo-me atraído por uma ideia que me parece ainda superior: ‘Toda a Bíblia’. Dessa forma creio que, muito além de uma fé reformada, podemos alcançar o ambicioso alvo de uma ‘fides semper reformanda’.



Então abracei a Teologia Bíblica, menos por alguma decisão apologética, e muito mais intuitivamente. Eu queria considerar cada texto em seu contexto histórico, em sua extensão da revelação progressiva de Deus, evitando as sínteses e buscando a maior objetividade possível. Em respeito à perfeita revelação divina também assumi o método indutivo de estudo. Procurei entender cada vez mais de que forma a verdade revelada por Deus na história se aplicava ao presente e à minha vida. Experimentei que a Teologia Bíblica não demanda a mesma diferenciação entre teoria e prática que a Teologia Sistemática. Deixei de me impressionar com o quanto se sabe da Bíblia, e me concentrei no quanto se pratica o que ela diz. Através desses mais de 30 anos tenho aprendido, praticado e ensinado de Deus assim.

Atualmente, em nossa Igreja, estamos estudando o Evangelho de Marcos em Lectio Continua. Ao longo de um ano e meio serão 90 mensagens sobre quem é Cristo, descobrindo a natureza de Cristo como revelada naquele livro inspirado, visando fortalecer o relacionamento de nossos membros com o Filho do Homem, o modelo de submissão ao Reino de Deus. Uma das características da Teologia Bíblica em nossa pregação é o esforço de destinar pelo menos metade do tempo da pregação à aplicação prática do texto. Sou grato pela coragem de nosso Colégio Pastoral, formado por pastores que discipulei e que, apesar de sua educação formal em Teologia Sistemática, abraçaram comigo uma teologia que pode afetar mais profundamente a vida das pessoas.

“Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas.” Esdras 7:10

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