2 de mar de 2014

Não as impeçais!

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Prezada missionária, alegria e paz no Senhor Jesus. Sobre sua pergunta sobre o uso de palhaços e outros recursos comuns nas atividades seculares com crianças, não há uma resposta pronta, mas critérios que devem ser considerados na escolha de cada estratégia evangelística.

Tenho sempre pedido equilíbrio no uso de personagens do mundo infantil para tratar dos temas da fé. É certo que as crianças têm sua própria linguagem, como também têm seus próprios pecados e necessidades espirituais. Porém, quando apenas absorve recursos de programas infantis do mundo, a igreja vira um circo. Certamente não era essa a ideia de Jesus quando disse 'Deixem vir a mim as criancinhas' (Mt 19:14).


Não se trata de fazer uma nova Inquisição e sair queimando as Bíblias infantis (algumas talvez :D). Não precisamos deixar de cantar músicas alegres, usar personagens interessantes e fazer brincadeiras, contudo, devemos ter o cuidado de avaliar se o que estamos transmitindo com tudo isso é o Evangelho do Reino, o Evangelho da Cruz, ou se aquelas coisas estão, na verdade, impedindo que as crianças venham a Cristo e sejam abençoadas por Ele. Deixe-me apontar três critérios restringentes, isso é, que apontam coisas a serem evitadas e um quarto critério envolvente, que marca recursos e estratégias desejáveis.

  1. Apesar de a criança viver em um mundo de fantasia, a infância é o tempo de aprender a discernir o real do fantasioso, então a igreja deve tomar cuidado para não favorecer a ideia de que Cristo é uma fantasia. Quando um garotinho vem perguntar quem é maior, se o Super-Homem ou Jesus, sabemos que erramos completamente em comunicar-lhe a verdade. Quando se persiste nesse erro, a igreja gera adolescentes que mantém a fé em uma categoria e a 'realidade' em outra.
  2. Alguns personagens do mundo infantil, tanto como algumas músicas e brincadeiras, são impróprios para comunicar determinadas verdades espirituais. Pode ser que um palhaço pudesse comunicar a alegria de estar com os amigos na igreja, mas falharia totalmente em comunicar a seriedade do pecado, a dor do sacrifício de Cristo, e a necessidade de viver uma vida santa. É preciso ter certeza de que, ao usar uma linguagem infantil para transmitir verdades espirituais, estejamos usando as 'palavras' ou os símbolos adequados. Se não fizermos isso podemos estar comunicando o oposto do que deveríamos.
  3. Podemos usar os próprios personagens bíblicos para comunicar o Evangelho às crianças, mas devemos ter cuidado quando transformamos esses personagens em caricaturas divertidas e quando abusamos do cômico. Um 'jesus' muito engraçadinho pode se tornar um mero 'ídolo' ao invés de representar o verdadeiro Cristo a quem as crianças devem submeter sua vontade e ofertar seu futuro.

Quando Jesus disse que deixassem vir as crianças, ele também disse que o Reino dos Céus pertencem a pessoas que são como elas. Jesus não estava elogiando a pureza, inocência ou a capacidade de as crianças perdoarem, afinal elas foram geradas em pecado e são alvo da ira de Deus contra os pecadores. As crianças, não importa que idade tenham, estão condenadas ao inferno e precisam do Reino de Deus sobre si para serem salvas. O que Jesus estava mostrando é que as crianças estavam humilhadas naquela sociedade, e completamente dependentes da misericórdia dos outros. Esse é o ponto forte na fé infantil e é aquele que deve ser mais enfatizado no ministério com crianças. Devemos mostrar a elas um Deus tão grande, tão digno, tão glorioso, tão majestoso, que se sintam completamente humilhadas e dependentes dEle. Se for assim, elas terão recebido o Governo de Deus sobre si e serão conduzidas à plena salvação pela maravilhosa graça de Deus em Cristo.

Portanto, o critério definitivo para avaliar as ações na evangelização infantil é se estamos transmitindo o verdadeiro Evangelho. Esse quarto critério deve nos fazer avaliar se nossos programas de trabalho com crianças estão apresentando Deus de uma forma tão gloriosa que as crianças queiram submeter-se a Ele em amor. Infelizmente, não estão. A maioria dos programas de 'evangelização' infantil não cuida da alma eterna das crianças. É apenas uma extensão do berçário, um serviço de entretenimento para dar folga aos adultos e por isso abusam de linguagens e de símbolos seculares que não comunicam o Evangelho verdadeiro. Usam a linguagem infantil para comunicar ‘um outro evangelho’. Programas assim podem estar até levando muitas crianças à igreja, mas elas não estão chegando a Cristo. A Igreja de Cristo precisa considerar essas coisas com maior cuidado.

Seu para pregarmos o Evangelho a toda criatura,

José Bernardo
AMME Evangelizar

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