6 de dez de 2013

Público, mensagem e cultura

3 minutos de leitura

Prezados irmãos, saudações no Senhor Jesus Cristo a quem louvo pela Graça que lhes deu para evangelizarem um grupo tão distinto como o de adolescentes infratores na periferia dessa grande cidade. Permitam-me fazer, sobre essa desafiadora proposta, três observações que extraio de minha própria experiência nesse contexto. Meu propósito é ajudar-lhes.

Sobre o público, muitas vezes os crentes têm considerado que nosso Deus é ‘deus dos evangélicos’, e que sua vontade, suas palavras se destinam aos evangélicos apenas. Abstinência sexual, por exemplo, é boa para os evangélicos, um mandamento de Deus para eles. Para jovens não evangélicos reserva-se outro conjunto de fé, visto que eles têm outros deuses. O Único Deus não se amolda a isso, e diz: “...exclamarão: ‘Grande é o Senhor, até mesmo além das fronteiras de Israel’” Ml 1:5. Precisamos evangelizar a partir da premissa de que há um só Deus e que a vontade dEle é a mesma para evangélicos e não evangélicos e que a conversão, longe de ser um rito de passagem de um deus para outro, é a submissão à vontade abrangente do único Deus.

Sobre a mensagem, erramos quando dividimos as Escrituras em mensagens evangelísticas e mensagens doutrinárias. Temos uma concepção de que a evangelização deve começar sempre por uns determinados assuntos e não por outros. Jesus não agia assim, ele começava com ‘o que queres que eu te faça’ e a partir da maior necessidade ele apresentava o Evangelho da soberania de Deus em Cristo. Para ilustrar isso, deixe-me contar que há algum tempo realizei um casamento em uma chácara, em que apenas a mãe do noivo era quase evangélica, ninguém mais. Ali, com todo o povo em volta da piscina, preguei em Gálatas 5:16-25 – Obras da carne e Fruto do Espírito, fiz um apelo para os convidados viverem conforme essa palavra e orei por eles. Toda a Palavra de Deus é igualmente útil.

Finalmente, irmãos, quanto ao contexto cultural, enfrentamos as limitações que a baixa escolarização e uma cultura viciosa e destrutiva podem impor na periferia da cidade. Nesse caso a Igreja tem sido vítima de um mal entendido quando acha que deve estabelecer uma evangelização transcultural no tribalismo, quando nem mesmo os autores seculares consideram as tribos urbanas como culturas. Não! A evangelização não deve se submeter a estilos, linguagens, usos e costumes de substratos culturais ou as pessoas continuarão como são – e o enfraquecimento doutrinário e prático da Igreja comprova isso. A evangelização deve apontar para algo novo, algo que as pessoas ainda não experimentaram.

No excelente amor de Jesus que lhes tem ensinado muito mais,

José Bernardo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

É bem vindo seu comentário que honre e exalte a santidade do Senhor.