4 de dez de 2013

Missão catalítica

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Queridos amigos, alegria e paz no Senhor. Há poucas semanas estivemos juntos discutindo a crescente complexidade no ministério, quando nos desdobramos para cumprir uma missão catalítica, que não somente faz, mas também cria um movimento progressivo que amplia continuamente os resultados.

Naquela oportunidade procurou-se expressar os aspectos do cumprimento da missão e do impulso do movimento como dois esforços estanques em um modelo fotográfico, utilizando-se para isso os conceitos de modalidade e sodalidade de Ralph D. Winter. Receio que esse modelo, embora genericamente aceite e ciclicamente revivido, não expresse as dinâmicas existentes no tema. Embora não me disponha a tratar com abrangência o assunto, quero ter certeza de que podemos ultrapassar o inevitável dualismo desse modelo e olhar para a missão catalítica como um sistema único. Para isso quero oferecer esse modelo sobre o qual tenho pensado desde então.

No modelo que proponho há três processos: Influência, Apologia e Produção. O Processo de Influência é operacional, acontece no meio e trata do fluxo transformador da informação que, indo e voltando, afeta todas as figuras do meio. O Processo de Apologia é tático, utiliza a missão como filtro para discernir a influência recebida que alimentará o processo médio. O Processo de Produção é estratégico, utiliza a influência filtrada no processo anterior e a impulsiona para o meio.

1. A influência não é isenta: costumamos pensar na transferência de nossa visão ou missão como de um objeto imutável, contudo, no processo de influência a missão é modificada por infinitas sínteses com todas as influências do meio, de modo que não controlamos o grau de pureza com que ela afeta cada ator (a). Podemos supor, no entanto, que as características da informação que emitimos afetarão os resultados. Hipoteticamente, quanto mais intensa e pura a informação colocarmos no meio tanto maior será a participação de nossa missão na síntese e consequentemente na influência (b). Também é importante observar que qualquer organização vive da influência que recebe do meio e essa influência é produto da síntese de informações dos diversos agentes (c).

2. A missão não é geradora: habituamo-nos a pensar na missão como geradora da nossa influência. Não. É a influência que se recebe do meio que gera a missão (c). Desde o início são as informações que se recebe externamente, de diversas fontes, que se sintetizam em uma visão e consequentemente na missão. Na verdade a função da missão é apologética, de modo que se torna o filtro que usamos para discernir a influência recebida como recursos (d). Nesse processo apologético a missão separa da síntese um conjunto de informações incongruentes e, através do descarte (e), desinfeta o meio e torna-o mais propício à influência que emite. Por outro lado, ao discernir, a missão insere no processo seguinte recursos mais capazes de gerar informação com melhores características de influência.

3. A produção não é dicotômica: não é necessário submeter-se ao dualismo de produzir para a missão e para a influência. O ideal na missão catalítica é que toda a estratégia gerada com recursos perfeitamente filtrados pela missão seja poderosamente influente quando chega ao meio. Suponho que a dicotomia estratégica existe quando a missão não tem capacidade apologética, quando não faz eficientemente o descarte das incongruências. Desse modo, ao operacionalizar suas estratégias no meio, a organização atua com protagonismo profético (b), cumprindo sua missão catalítica.

Em suma, nossas organizações operarão uma missão catalítica quando forem capazes de usar sua missão de modo apologético (2) de modo a filtrar a influência recebida do meio (1) para compor estratégias altamente influentes (2).
Seu para fazer a vontade de Deus,

José Bernardo.

Um comentário:

  1. Nesse artigo usei o termo missão para expressar o conjunto tático de visão, missão, diretrizes, valores, políticas que compõem a persona sociale. Usei o termo informação para indicar a carga tática trasferível em todas as interações no mercado, sejam de financiamento, cooperação, comunicação, serviço etc. Usei o termo mercado ou meio para definir o ambiente em que as interações acontecem.

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