23 de set de 2018

Resgate

Lançamento do livro Resgate da geração perdida em co-autoria com Bob Hoskins.
Em setembro, durante o Encontro Missionário da Língua Portuguesa, em co-autoria com o missionário Bob Hoskins, lancei o livro Resgate. Analisamos, sob diversos aspectos, a perda de uma geração pela igreja, seja pela falta de santidade de jovens, adolescentes e crianças, pelo seu desvio massivo, ou pela incapacidade de comunicar-lhes o Evangelho. Também, oferecemos diretrizes para a solução do problema e efetivo alcance dos mais jovens. Junto com o Frutificar, a preparação do Resgate foi extenuante, exigiu todo o tempo disponível, pelo que o blog Sejam Santos ficou parado durante esse período. Contudo, vale a pena adquirir o Resgate para ver o que escrevi nesse período. Esse e outros livros meus podem ser adquiridos na loja de nosso ministério Salva Vidas em www.salvavidas.store.

Frutificar

Livro Frutificar lançado em agosto de 2018.
Nos últimos meses me dediquei a escrever dois livros que, como sempre, são fundamentais para o ministério que tenho desenvolvido. O primeiro deles, lançado em agosto, durante o aniversário de 18 anos da AMME evangelizar, é o Frutificar. Uma teologia bíblica da produtividade missional da Igreja, esse livro conta com 29 estudos bíblicos devocionais, com textos do Novo Testamento expostos pelo método indutivo. Este livro pode ser adquirido na loja virtual do ministério Salva Vidas em www.salvavidas.store.

7 de mai de 2018

Para isso que eu vim

32Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados. 33Toda a cidade se reuniu à porta da casa, 34e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando. 36Simão e seus companheiros foram procurá-lo 37e, ao encontrá-lo, disseram: ‘Todos estão te procurando!’
38Jesus respondeu: ‘Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim’. 39Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios” Marcos 1:32-39.

Qual é nosso propósito de vida? Onde devemos ir? O que devemos fazer? Responder corretamente a essas perguntas é fundamental para o sucesso. Infelizmente achar as respostas nem sempre é fácil e muitas pessoas fracassam nesse desafio. Que desastre pessoal é viver sem saber para que está vivo, o lugar onde deve estar ou as coisas que precisa realizar. A dúvida sobre essas questões, que pode ser um desafio na adolescência, não deve se prolongar pela juventude ou além. Este texto nos mostra Jesus reafirmando as três respostas ao enfrentar pressões que poderiam impedir o seu sucesso. Certamente é um exemplo para nossa própria busca.

12 de nov de 2017

Vocação e vocacionados

Precisamos reconhecer que estamos vivendo uma crise vocacional. O número de adolescentes e jovens que atende ao chamado para o ministério diminuiu tanto em número como em outras qualidades. Poucos pastores têm cuidado da sucessão ministerial com atenção. O secularismo e o materialismo estão escravizando nossos jovens na busca por status e riqueza. O liberalismo e o humanismo estão contaminando os poucos que se interessam pelo ministério. Estamos colocando em risco a saúde e o futuro da igreja. Por isso escrevi o livro ‘Subindo para missões’.


Se você percebe a necessidade e a urgência de enfrentarmos a crise vocacional, se você sente o chamado de Deus para o ministério, leia esse livro. Além de insistir em uma perspectiva bíblica para a missão da Igreja e para as vocações ministeriais, o livro apresenta as características de um obreiro conforme o padrão de Deus. Baseando-me na vida de Neemias como um modelo de sucesso no ministério, identifiquei em cada capítulo de seu livro uma característica que os vocacionados precisam imitar. Além disso, no final de cada capítulo, mostrei a mesma característica em Jesus, o missionário divino. O livro é interessante, dinâmico e motivador. Serve bem para a leitura pessoal, como base para ministrações e como livro texto para uma classe de vocacionados. Permita a auto avaliação e orienta o desenvolvimento pessoal dos candidatos ao ministério.
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Forme uma classe de vocacionados em sua igreja. ‘Subindo para missões’ é distribuído diretamente pelo nosso ministério. Não está disponível em livrarias ou outros sites. Tem o custo de R$ 24,00 e pode ser despachado para qualquer localidade do território nacional por um frete adicional de R$ 9,00. Na aquisição de 10 exemplares para classes de vocacionados, o frete total será de R$ 18,00 e um exemplar será adicionado ao pedido gratuitamente. Para fazer seu pedido visite a loja de nosso ministério Salva Vidas em www.salvavidas.store ou escreva um e-mail para Rosana Garcia rosanagarcia@ammeevangelizar.org ou ainda telefone para nosso escritório em (11) 4428 32222 no horário comercial.
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Adolescentes na Igreja

Creio que adolescentes e jovens podem viver em santidade e missão. Quase dois terços dos evangélicos se converteu na adolescência e juventude e entre esses está a maioria dos que se tornaram líderes e obreiros de tempo integral. Sei que um avivamento se espalha mais rápido entre os adolescentes e jovens. Eles têm dons de que a igreja precisa e que só existem nessas idades. Se queremos ver o fortalecimento e a continuidade da Igreja, devemos priorizá-los como alvos e como agentes da evangelização. Isso é urgente, pois o mundo se esforça para destruir a fé e a santidade dos adolescentes e jovens cristãos e impedir a conversão dos que ainda não conhecem Jesus. Por me esforço em pesquisar e ensinar sobre a evangelização e pastoreio nessas faixas de idade.

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Escrevi o livro Líder Adolescente para ajudar pastores, líderes e pais a entenderem melhor as pessoas entre 11 e 24 anos de idade, da puberdade à juventude. Em cada seção do livro examino uma área da vida deles em artigos curtos e fáceis de ler. Meu objetivo é que os adultos compreendam as pessoas nessas idades, se preparem para evangeliza-las e abram espaço para que se tornem cristãos comprometidos e frutíferos para a glória de Deus. Esse livro já abençoou a vida de milhares de líderes no Brasil e em outros países de língua portuguesa. Tenho certeza de que será uma bênção para você e seu ministério.
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‘Líder Adolescente’ é distribuído diretamente pelo nosso ministério através da loja www.salvavidas.store. Não está disponível em livrarias ou em outros sites. Tem o custo de R$ 24,00 e pode ser despachado para qualquer localidade do território nacional por um frete adicional de R$ 9,00. Consulte nosso ministério para adquirir maior quantidade para grupos de pais ou líderes. Para solicitar seu exemplar, escreva um e-mail para Rosana Garcia rosanagarcia@ammeevangelizar.org ou telefone para nosso escritório em (11) 4428 32222 no horário comercial.
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31 de out de 2017

10. O distúrbio vocacional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Não havia falta de vocacionados no início dos anos oitenta, quando entrei no seminário. Enquanto os maus ventos do liberalismo teológico já desconstruíam as vocações em outros países, aqui experimentávamos um avivamento missionário. Ninguém duvidava de qual era a missão divina da Igreja, centenas de jovens se comprometiam com o ministério em cada conferência missionária e muitos deles chegaram ao campo. Naquela mesma época a Igreja Romana fazia desesperados apelos por vocacionados e isso me deixava perplexo. No entanto, confesso que hoje, quando penso nos vocacionados, me sinto como Jó “O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu” Jó 3:25

Secularismo, humanismo, materialismo e imediatismo, além de perverter a atividade missionária, também perturba as vocações. Em parte, o problema vem da admissão inadequada de uma ideia possivelmente originada da frase de Charles Spurgeon em ‘Um sermão e uma reminiscência’ de 1873. O famoso pregador inglês disse que ‘Todo cristão é um missionário ou é um impostor’. Isso se encaixa no contexto de que se Jesus é realmente precioso para alguém, essa pessoa não deixará de falar dele a quem quer que encontre. Certamente, não era intenção de Spurgeon, substituir os ministérios bíblicos por uma generalização missional. O fato é que Jesus “... designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” Ef 4:11. Essas pessoas são dons para a Igreja e têm a missão de preparar todos os santos para a evangelização. Desse modo se distinguem dos santos que preparam, e serem dados à Igreja por Jesus indica uma vocação genuína, onde a pessoa é chamada para um serviço específico.

Aceitar que cada crente é um missionário no amplo sentido das vocações e não no âmbito estrito da comunicação do Evangelho nos deixa sem missão e sem missionários. Isso porque este conceito indevidamente amplificado logo se une a outro erro de interpretação, o de que qualquer coisa pode ser feita para a glória de Deus (1Co 10:13). Paulo ensinou aos coríntios, no entanto, que eles deveriam escolher coisas que glorificassem a Deus. Jesus, por outro lado, disse que nós somente glorificamos ao Pai como verdadeiros discípulos dele quando damos muito fruto (Jo 15:8). Os frutos a que se referiu Jesus, de acordo com o contexto, têm uma natureza tanto pessoal como social, são frutos da santificação e frutos da evangelização. Portanto, é urgente desfazer a confusão que está iludindo jovens, quando poderiam ser dons de Cristo para a igreja, exercendo um ministério dedicado à revelação do Reino de Deus. Estes jovens que estão correndo atrás de status e dinheiro, muitas vezes pressionados a isso por pais evangélicos, devem saber que é mais excelente se esforçarem pelo episcopado (1Tm 3:1).

Você sabe que o meio empresarial vive preocupado com a questão da sucessão. Preparar a continuidade de um empreendimento é uma qualidade de liderança. Isso deve ser assim também para nós. Como bons discípulos de Jesus, devemos andar pelo mercado de trabalho chamando seguidores para se tornarem pescadores de homens. Ao ensinar Timóteo a trabalhar como evangelista, Paulo também lhe disse: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” 2Tm 2:2. É por isso que também rogo a você, que encontre entre os jovens de sua igreja alguns que você chame para serem treinados na liderança evangelística da Igreja.

Vocação não é sobre quem somos, mas sobre quem Deus quer que sejamos.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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30 de out de 2017

09. O enfraquecimento missionário

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Há alguns anos, um conhecido articulador do evangelho social sugeriu que a igreja é como a indústria automobilística: deve oferecer vários tipos de evangelho, conforme as necessidades do ‘cliente’. Minha experiência secular em marketing me faz considerar que, se a Igreja tem um ‘cliente’ ao qual deve adaptar seu ‘produto’, esse é o próprio Deus. É a ele somente que a igreja precisa agradar. Na carta anterior, falei a você sobre a confusão missional que a Igreja enfrenta. Agora, preciso dizer que, não sabendo quem é ou para que existe, a Igreja não saberá o que fazer. Por isso, escrevo para pedir que você considere avaliar e melhorar as atividades de sua Igreja e de cada crente sob seu cuidado.

A confusão entre quem é a Igreja e qual é sua atividade, demandou o uso deste novo termo. O adjetivo para missões é missionário. Portanto, uma igreja que tem atividades em missões é uma igreja missionária. Contudo, precisamos de um adjetivo para uma igreja que é essencialmente missionária, isto é, que não apenas faz missões, mas que a missão afeta completamente sua existência. Então, primeiro em inglês, desde o início do século passado, e cada vez mais em português, usamos o adjetivo ‘missional’. É claro que a missão da Igreja como Corpo é a missão da cabeça. Jesus, depois de orar por três a quatro horas no início de seu ministério, descreveu assim sua própria missão: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim" Mc 1:38. Infelizmente, havendo confundido sua missão com o bem-estar do ser humano, a igreja escolheu atividades que não atendem à missão de Deus em Cristo.

A centralização pós-moderna da religião nas necessidades e interesses humanos provocou a crise missional da Igreja, com prejuízo em sua atividade missionária. Alguns indícios disso são, primeiro, a diferenciação entre missões e evangelização. Missões se limita a incertas atividades em lugares distantes e exóticos, de modo que há o absurdo de missionários que não evangelizam e evangelistas que não cumprem a missão. Segundo, a separação entre evangelização e discipulado. Evangelização deveria ser a atividade de tornar uma pessoa conforme ao Evangelho pela comunicação da Palavra de Deus, mas se tornou mera atividade de abordagem. Terceiro, a departamentalização da evangelização. Forma-se uma pequena equipe para distribuir folhetos e fazer apresentações na rua, e os outros crentes se ocupam de outras coisas. Quarto, a mensagem do Evangelho é substituída por propaganda religiosa. Quinto, o culto se torna um item de entretenimento. Você mesmo pode ampliar essa lista. O problema é óbvio.

Deixando de ser missional, a igreja deixa de ser missionária. Como evitar esse desvio? Penso que a Grande Comissão não somente oferece a identidade missional, como escrevi na carta anterior, como também oferece os indicadores para a atividade missionária. Para explica-lo melhor, permita-me parafrasear a Grande Comissão conforme Marcos: Todo crente, indo por todo o mundo, comunique todo o Evangelho a toda criatura. Aplique isso à sua igreja. Todo crente em sua igreja está envolvido na missão? Sua igreja está presente em todo o mundo? Veja que mundo aqui é o termo grego ‘cosmos’, um sistema organizado, portanto, os diversos setores da sociedade. Sua igreja comunica todo o Evangelho, todas as coisas que Jesus ordenou? Sua igreja comunica o Evangelho a todas as pessoas, sem que falte alguma? Pensando nisso, reúna sua equipe e conversem sobre o que farão para serem uma igreja verdadeiramente missional e missionária.

Quem não evangeliza precisa ser evangelizado.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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29 de out de 2017

08. A confusão missional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Um dos debates mais desafiadores dos últimos tempos tem sido a identidade de gênero. As pessoas não estão contentes com quem são, e não somente no aspecto sexual, por isso sofrem de psicopatias diversas em que aquilo que são não é o que querem ser. A esse sofrimento denominamos egodistonia. É interessante notar que a Igreja tem sofrido o mesmo problema, uma crise de identidade e não raro um processo transgênero em que a missão da Igreja é desvirtuada.

Fomos criados para sermos membros de indivíduos coletivos, a família e a igreja, por exemplo. Portanto, além das características físicas, nossa identidade funcional é definida coletivamente. É quando passamos a definir a verdade a partir de nossa sensualidade que a egodistonia se manifesta. Nós fomos gerados em pecado, nossos desejos carnais e supostas necessidades não se alinham com a vontade de Deus. Se nos concentrarmos no que queremos, certamente não aceitaremos a identidade designada a nós para funcionarmos coletivamente. Isso também acontece com a Igreja. O bem-estar humano é a ênfase de cada um dos quatro falsos evangelhos, porém, Deus nos chamou para o seu Reino, isto é, para fazer a vontade dele e não a nossa. Então, é claro que toda a contaminação de falsos evangelhos leva nossas igrejas a um conflito de identidade missional que se tenta resolver com a ressignificação da missão da Igreja. Na teologia da prosperidade a igreja cumpre um papel motivacional, no evangelho do bem-estar social a igreja se torna uma ONG, na teologia terapêutica a igreja é uma clínica de recuperação e na teologia do poder, um partido político.

Nesses dias em que os falsos evangelhos produzem grave egodistonia nas igrejas e muitas redesignam sua missão, precisamos reconhecer o fato de que nossa identidade funcional não é definida por nossas necessidades e desejos, mas pelo próprio autor e consumador de nossa fé. Saudáveis, não seremos o que queremos, mas o que Deus em Cristo quer. Se for assim, devemos reconhecer que nossa missão como igreja é definida na Grande Comissão. A Igreja não existe para o sucesso dos membros, nem para a justiça social, a saúde psicológica ou a vitória política. A Igreja existe para comunicar o Evangelho. Depois de ressuscitar, Jesus voltou para ensinar isso e cada evangelista captou um ângulo dessa verdade. No Evangelho de Mateus a comunicação é didática (Mt 28:20), a Igreja é ensinadora. Em Marcos, a missão de comunicar o Evangelho é kerigmática (Mc 16:15), portanto a Igreja é proclamadora. Em Lucas, a igreja cumpre sua missão testemunhando (Lc 24:48), a missão é martírica, a igreja é testemunha. Finalmente, em João, a missão é vicária, representar o Evangelho (Jo 20:23), portanto a igreja é representante.

É inaceitável que a igreja se desvie de sua identidade missional. É certo que um caráter transformado pelo conhecimento da verdade não se exime de alimentar os famintos, vestir os desnudos, visitar os presos e curar os enfermos. No entanto, fazemos isso por piedade, não por missão.  A comunicação do Evangelho é a exclusiva e suficiente ação social da Igreja. Exclusiva, porque somente a Igreja pode realiza-la; suficiente, porque é o pleno conhecimento da Verdade que liberta o homem todo (Jo 8:32). Nossa missão é a comunicação do Evangelho: ensinar, proclamar, testemunhar e representar essa mesma Palavra que criou os céus e a terra e que pode libertar para cumprir a vontade de Deus, homens e mulheres de todas as nações, tribos, povos e línguas. Sua igreja sabe para que existe?

A evangelização é a missão integral da Igreja.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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28 de out de 2017

07. Identidades dos falsos evangelhos

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Certamente você já passou por aqueles segundos constrangedores em que o caixa examina o dinheiro que você apresenta, para ver se é falso ou verdadeiro. Mesmo que você não tenha falsificado, fica aquela dúvida de haver pego uma nota falsa sem saber e estar passando adiante. Sempre sinto um alívio quando, depois de examinar um conjunto de aspectos, o caixa finalmente aceita meu dinheiro. Sobre os falsos evangelhos de que falamos há pouco, quais seriam os aspectos que deveríamos examinar para saber se, por acaso, o evangelho que temos nas mãos não é falso? Quero lhe apresentar quatro vícios que são comuns a todos os falsos evangelhos que relacionei ante. Se você os evitar, protegerá a si mesmo e à sua igreja.

Os falsos evangelhos têm uma fundamentação plural ou secularista, isto é, acham a verdade em outras fontes que não a Palavra de Deus. Jesus disse aos religiosos de seu tempo: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” Mt 22:29, porém, os falsos evangelhos se baseiam na psicologia, na filosofia, na sabedoria popular e na sociologia, fazendo da Bíblia apenas um livro de citações para confirmar seu pensamento apócrifo. Todos os falsos evangelhos têm uma motivação antropocêntrica, humanista: as necessidades e desejos do ser humano são a razão ou propósito de suas ideias. A razão do Evangelho do Reino é que a vontade do Pai seja feita na terra como no céu (Mt 6:9-13), mas o que impulsiona os falsos evangelhos é aquilo que satisfaz e traz prazer para o ser humano. Os falsos evangelhos também são materialistas, voltado para o que é concreto, tangível, de modo que não aceitam colocar como seu objetivo aquilo que não se vê e é eterno, antes, preferem aquilo que se vê, embora transitório (2Co 4:18). Por outro lado, tais evangelhos também são imediatistas. Eles se importam pouco com o futuro e se concentram naquilo que pode ser obtido imediatamente. A ideia de que “... nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” 2Co 4:17, não se encaixa com suas propostas.

É doloroso pensar que tais vícios podem estar mais próximos de nós do que gostaríamos. Pedro achava que fazia um grande benefício ao tentar impedir que Jesus fosse ao martírio em Jerusalém, então o Senhor lhe disse: "Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens" Mc 8:33. O Evangelho do Reino que Jesus pregava e vivia o levou a orar assim: "Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres" Mc 14:36. Os falsos evangelhos são secularistas, humanistas, materialistas e imediatistas. A vontade de Deus é bíblica, cristocêntrica, espiritual e eternal. Se o nosso Evangelho não tem essas características, não é verdadeiro.

Desde bem jovem, aprendi por experiência que a crescente espiritização de nossa cultura só pode ser enfrentada com um firme posicionamento sobre a divindade de Jesus. Esse é o divisor de águas. Há algum tempo, supervisionando nosso trabalho em Portugal, pensei que a massiva presença do romanismo na cultura só pode ser combatida com uma exuberante adoração a Cristo, através de todas as mídias e linguagens disponíveis. Também em Moçambique, percebendo como o poder dos feiticeiros ainda amedronta e perturba os crentes, recomendei aos pastores que sejam pródigos na pregação sobre a soberania de Deus. Dessa forma, glorificando a Deus em Cristo, ficaremos livres da maligna presença dos falsos evangelho.

O evangelho é o Reino e o Reino é Jesus.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

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27 de out de 2017

06. Os quatro falsos evangelhos

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Na carta anterior, falamos sobre a ilusão do individualismo como o engano desse século, a grande mentira que escraviza as pessoas na pós-modernidade. Então, qual você acha que é o efeito desse pensamento sobre a mensagem do Evangelho? De que maneira esse pensamento mundano, ao qual o apóstolo Paulo se opôs insistentemente, afetou a cosmovisão cristã e contaminou os crentes?

Não estamos falando de algo novo. O individualismo tem suas raízes no pecado original, na vontade do ser humano fazer-se seu próprio Deus. Este é o pecado original e a sedução de Satanás, “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus...” Gn 3:5. Este é o pecado da pós-modernidade, “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador” Rm 1:25. A Igreja não ficou isenta e, de todos os modos, foi influenciada pelo pensamento individualista, desde a modernidade, com o humanismo e seu aprofundamento do relativismo prematuro de Protágoras: ‘o homem é a medida de todas as coisas’. Como isso, o bem-estar humano tornou-se a nova religião. A vontade de Deus se tornou secundária, e o ser humano ocupou o cenário com seus desejos, vontades e ações.

Quatro falsos evangelhos emergiram desse individualismo, cada um enfatizando o bem-estar do ser humano em um determinado aspecto. O mais conhecido entre eles é o evangelho do bem-estar material, a abjeta Teologia da Prosperidade, que busca redenção na riqueza. Mas ela não é a única. Há uma teologia do bem-estar social, com muitos nomes e apenas uma cara, a aparente piedade com seus projetos sociais. Um terceiro falso evangelho é o do bem-estar emocional, comprometido com o resultado psicoterapêutico. Finalmente, há o evangelho do bem-estar político, querendo redimir através da eleição de políticos evangélicos. Estes evangelhos falsos colocam o ser humano no centro de sua proclamação e prática. Eles atraem milhões e contaminam a Igreja. Sobre isso Paulo disse: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” 2Tm 4:3,4. É vergonhoso ver quantos líderes se renderam a esses mitos. Eles pensam que, sendo isto que as pessoas querem ouvir, então é isto que devem pregar.

Paulo abriu a ferida e ele mesmo a fechou. Antes e depois de descrever o domínio dos falsos evangelhos, exortou solenemente a Timóteo: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” e “... faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério” 2T 4:2,5. Para Paulo, a pregação da Verdade era o antídoto para o veneno do relativismo humanista em sua pós-modernidade. Ele que estava a ponto de morrer pelo Evangelho depois de três décadas de ministério, via a Igreja em apostasia e ainda assim confiava no poder da pregação. Por isto Paulo exortou seu filho na fé que continuasse pregando a Palavra. Quando vemos o ministério de Jesus, identificamos a mesma pregação do Evangelho, a proclamação da soberania de Deus e a celebração do seu governo sobre os seres humanos. Assim evangelizaremos os mais jovens, que o pecado não reine sobre eles, que estejam mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6:11,12)

Esse é o Evangelho do Reino, que a vontade do Pai seja feita na terra assim como é feita no céu.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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