19 de abr de 2017

Urbanização e crise missional

Por José Bernardo

No meio rural, em pequenas comunidades, o senso de coletividade predomina. Independentemente da religião, a fé é coletiva, as pessoas creem na mesma coisa e a crença de uma confirma a crença da outra. Tendo a mesma fé, as pessoas têm a mesma esperança, esperam pelas mesmas coisas, têm as mesmas aspirações, os mesmos desejos e sonham com as mesmas coisas. Tendo a mesma esperança, as pessoas trabalham juntas para alcança-la, cooperando umas com as outras em abundantes atitudes favoráveis aos outros. Quando as pessoas mudam para grandes cidades e passam a conviver com outras de diferentes fé, esperança e amor, sofrem crises em cada uma dessas virtudes. A vida na cidade desvirtua as pessoas e desagrega as comunidades.

A primeira crise a se instalar é a crise de fé. Para conviver com pessoas que creem em coisas divergentes e até opostas, é preciso tolerar suas ideias, supondo que todos, de alguma forma estão certos. Ao fazer isso, aceita-se intimamente que todos estão errados e negando-se a própria fé. 

A segunda crise é a de esperança. Não sabendo em que crer, não se sabe o que esperar. Os esforços se voltam para o presente, as aspirações diminuem e mergulha-se na desesperada busca por sensações físicas para, em vão, tentar substituir a falta do sonho, de propósito e objetivos. 

Não sabendo o que esperar, vivendo sem propósito e objetivos, dedicando-se apenas às sensações, a atitude se limita egocentricamente, egoisticamente. A cooperação, gentileza e amizade desaparecem ou são substituídas por relações formais, ditadas socialmente. Essa é a terceira crise, a crise de amor.

Tais crises afetaram a Igreja. Chegamos a uma situação em que os crentes não vivem a fé cristã como verdade absoluta, sua esperança pelo céu diminuiu (como também o horror ao inferno), portanto, sua atitude evangelística enfraqueceu. Os crentes não esperam um galardão para uma vida frutífera na terra, não vivem na esperança de encontrar-se com Jesus, não se angustiam com a ameaça do inferno às pessoas com quem convivem, e nem estão tão ligados a elas para se importarem com seu destino eterno. É por isso que a evangelização se tornou uma atividade incompreensível para o crente pós-moderno.

Nas grandes cidades do Império Romano, em uma situação de pós-modernidade, o apóstolo tanto enfrentou essa tríplice crise de fé, esperança e amor, como frequentemente ministrou sobre esse tema, procurando restaurar cada um desses elementos e devolver aos crentes uma vida espiritual significativa e um relacionamento verdadeiro com Deus.

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José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.

14 de abr de 2017

O pão da vida ou não

Por José Bernardo

“Simão Pedro lhe respondeu: ‘Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna’” João 6:68

O humanismo faz uma contínua e intensa pressão contra a Igreja, particularmente no que se refere à missão bíblica, a missão de Deus. Apesar de estar centralizado no ser humano, tanto em uma pretensa bondade humana como nos desejos e necessidades das pessoas, o discurso antropocentrista tem se confundido com a mensagem do Evangelho, e muitos crentes já não sabem diferenciar entre as duas coisas. Jesus, porém, é uma rocha intransponível. É possível construir sobre ele, sobre sua Palavra, mas a grande maioria das pessoas são destruídas ao entrar em confronto com ele.

[V] No contundente discurso do ‘pão da vida’, quando Jesus ensina que só há vida eterna em comer de sua carne e beber de seu sangue, a Palavra de Deus escandalizou os ouvintes, e muitos discípulos deixaram de segui-lo. Então Jesus perguntou aos Doze se eles queriam deixa-lo também, ao que Pedro respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” Jo 6:68. Há três coisas que um evangelista deve aprender aqui.

1) Somente a Palavra de Deus oferece salvação, mas poucas pessoas valorizam isso.  2) Somente a Palavra de Deus dá a vida eterna, mas poucas pessoas desejam isso. 3) A Palavra de Deus é incomparável, mas nem todos estão interessados nela.

[O] Mais tarde, em sua primeira carta, Pedro reflete sobre isso, e diz que Jesus é uma rocha que divide as opiniões. No conflito entre o que a Palavra de Deus oferece e o que as pessoas do mundo querem, muitos crentes deixam de oferecer a Palavra de Deus e passam a dar o que qualquer instituição humanitária faria: deixam de dar o pão da vida e passam a oferecer o pão mortal. Isso os afasta de Jesus, que insistiu em oferecer a solução para salvar, dar a vida eterna, aquilo que é único, sem similar ou comparação.

[S] Então, a discussão que devemos fazer não é entre dar o pão da vida ou o pão mortal, ou ainda entre escolher dar um ou dar os dois. A questão é que o pão da vida, a pregação do Reino de Deus em Cristo é a suficiente, abrangente e exclusiva solução que a Igreja tem para oferecer ao mundo.

1) Suficiente porque sozinho Jesus salva completamente o ser humano; 2) abrangente, porque toda a missão de Deus se cumpre em Jesus; 3) exclusiva, porque só a Igreja foi comissionada por Deus para oferecer o pão da vida e nada há que se compare a isso.

Repartiremos o pão mortal por compaixão, sem nunca nos esquecermos de que a missão que recebemos de Deus é oferecer o pão da vida. Isso não vai trazer ou manter todas as pessoas do mundo ao nosso redor, não seremos capazes de salvar todos os condenados à morte, não resgataremos esse mundo da destruição, porque essa não é a missão de Deus.

Aqueles que pensam diferente, que defendem uma missão social para a Igreja, precisam inventar um novo cristo, porque o Verdadeiro não coopera com eles.

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José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.


A missão de Deus

Por José Bernardo.

“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” 1Pe 2:9.

Escrevendo em um tempo como o nosso, na pós-modernidade do Império Romano, o apóstolo Pedro ensinou à Igreja como viver no mundo a missão dada por Deus.

[V] A eleição, termo de origem grega com o significado de ‘chamar para fora’, determina três características consequentes para os crentes, que podem ser definidas como integridade, pureza e exclusividade. Além dessas características explícitas, esse verso apresenta três condições implícitas para o cumprimento da missão designada por Deus de ‘anunciar as grandezas’.

Primeiro, a coletividade. Em um mundo individualista e fragmentado, os crentes são chamados a sacrificar sua individualidade para viver como geração, sacerdócio, nação e povo.

Segundo, a separação. Vivendo coletivamente entre si, os crentes são separados do resto do mundo a quem proclamam, os que creem e são edificados, os que não creem e são destruídos.

Terceiro, a brevidade. Somos identificados como estrangeiros nesse mundo, estamos aqui de passagem, não cabe nos apegarmos ou pensarmos em nossa vida aqui como algo estável e definitivo.

[O] A missão de Deus para a Igreja ir ao mundo não é particularizada para cada crente em suas vocações seculares, não nos conecta ao mundo a quem fomos enviados em missão e nem nos instala definitivamente aqui. É vergonhoso que o conceito Missio Dei venha sendo usado justamente para dizer o contrário do que dizem as Escrituras, servindo de pretexto para aqueles que amam o mundo e o que no mundo há, esvaziando os princípios da santificação: a integridade de quem não se pertence, a pureza de quem não se mistura e a exclusividade de quem pertence a Deus.

[S] Para cumprirmos a razão de nossa eleição, a proclamação de Deus, devemos aceitar essas três condições:

Deixar de lado a nossa individualidade, sacrificando vocações seculares para sermos juntos a Igreja enviada;

Superar nossa vontade de sermos aceitos e nos integrarmos, para perceber e aceitar que há duas nações, duas raças que não se misturam;

Evitar nos instalarmos confortavelmente e nos sentirmos à vontade em um mundo no qual estamos apenas de passagem, apenas cumprindo um mandato, mantendo em perspectiva aquilo que é eterno.

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José Bernardo é pastor, pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.


3 de abr de 2017

Para gerar fé

José Bernardo

Não questiono que existam múltiplos meios de sensibilizar alguém para iniciar uma argumentação para a fé. Em nosso ministério, nós os temos utilizado com muita criatividade: filmes, fotos, teatro, objetos... O que não posso contrariar, nem admitirei que alguém o faça, é a Palavra de Deus que diz: "Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo" Rm 10:17. Doutra forma, uma (fé?) que se desenvolve fora da Palavra de Deus recebe de Jesus essa avaliação: "Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!" Mt 22:29.

Ilustração: litogravura de Otto Adolph Stemler,
American, 1872-1953 - Detalhe
O próprio apóstolo Paulo usou textos de poetas pagãos para abordar pessoas e iniciá-las no conhecimento bíblico (At 17:28), mas revelou um grande cuidado em como a fé seria estruturada, e aos coríntios escreveu: "...para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus" 1Co 2:5. Portanto, as abordagens interessantes que preparamos para aqueles que andam por vista e não por fé, inclusive pontos de partida da própria cultura e de qualquer religião, não devem ser consideradas evangelização de fato.

A evangelização é como Jesus determinou: "...ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei" Mt 28:20. Aqueles que defendem a absurda ideia de evangelizar sem o Evangelho, sem a Bíblia, não pode fazê-lo biblicamente. Citam 'causos', não a Palavra de Deus. A mesma coisa fazem aqueles que empregam a mitologia e a fantasia para transmitir conceitos bíblicos. Sobre isso, diz-se de Tolkien que reprovava a tentativa de Lewis popularizar a teologia através de suas fábulas. Considerava que isso poderia conduzir à confusão e ao erro.

Quanto à comoção que pinturas, encenações e filmes sobre a paixão de Cristo produzem, haveria mais o que dizer, particularmente sobre a diferença entre a emoção de ver um homem qualquer ser espancado e a convicção de ser um pecador condenado à morte e precisar de um substituto aceitável para obter vida eterna. Milhões se tornam simpatizantes de causas apresentadas a partir de gráficos do sofrimento. O homossexualismo, por exemplo, usa e abusa do drama de adolescentes desajustados para promover simpatia para sua idolatria narcisista.

Estou consciente que, principalmente para os crentes que aceitam a divisão não bíblica entre evangelização e discipulado, evangelizar torna-se apenas um artifício para a captação de pessoas. Porém, a evangelização é muito mais do que isso, é mais do que emocionar, é mais do que publicidade e marketing, é mais do que provocar adesão conveniente ou impulsiva. A Evangelização deve gerar fé: "Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" Hb 11:1.
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O pastor José Bernardo é pesquisador, escritor e conferencista. Fundou e preside a agência missionária AMME evangelizar, é vice-presidente da OneHope, agência internacional de distribuição da Bíblia e catalizador do movimento Visão 2030 para a evangelização global.

2 de abr de 2017

Try it now!

José Bernardo

“One of the most important skills necessary for the future is a high Cultural IQ.”
Rob Hoskins

My friend Rob Hoskins, a cultural anthropologist at heart, as he describes himself, wrote a valuable blog article which he entitled "Why It’s Critical to Increase Cultural IQ". He delivers what promises. It is clever and essential, particularly when we are talking on to reach every child and youth in the world with a relevant presentation of the Gospel. The article stands by itself, so you must read it. What I want to write about is my personal experiences in working on my cultural IQ.




First, I have paid attention to my beliefs. Besides have quoted Romans 15:7, a command for mutual acceptance, the strong and the weak, the Jew and the gentile, Rob Hoskins defined Cultural Intelligence as "...a love for diversity that allows you to quickly relate and effectively work across cultures", and returned to love once more when said that "While certain elements of a high Cultural IQ are innate, like an inquisitive personality, you can learn to love other cultures".

I find it very interesting because the word for love in Greek, 'agapao', means literally 'preference'. Also, the word often translated as 'hate' is a comparative term that means 'to love less'. You love when dare to prefer others culture, for instance. You hate others culture when chose to love them less than love your own. Therefore, I believe and teach that a sole verse is a full cross-cultural course: "Do nothing out of selfish ambition or vain conceit. Rather, in humility value others above yourselves..." Phil 2:3. A matter of choice, and if somebody is prepared to do it, he or she is prepared for a cross-cultural ministry.

For believing in valuing others above myself, I have looked for their culture. Language, for instance, not only learning words but the concept behind the meaning. Modern cinema, video and pop music, even not understanding a word, you’ll find me watching an Indian movie, a Thai or Chinese short video, and listening to Arabian and Jewish music. I’m often pinning African and Japanese pictures, or taking time to visit and photograph different building styles when it is possible. When traveling, I will sit mesmerized, attentively observing body language and other communication signs. Also, not will stop me to try different clothes or food and walk among people when it is possible. Aesthetics comes full of information that expand our personal horizons; it is powerful source of information, knowledge and wisdom.

I have firmly insisted with my team on following my footsteps, I ask the same thing to leaders to whom I have access. My pages on social networks and my blog are full of ideas, pictures, movies, songs and poetry from all over the world, I include cultural elements in my speeches, courses, books, drawings. I want to see the development of cultural intelligence around me, because I am convinced that it is a fundamental principle of missions.
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See Rob Hoskins article at

Serão feitos justos

17/100

“Manda quem pode. Obedece quem tem juízo”

O ditado é atribuído a Portugal. Não é difícil imaginar os portugueses, sob os trinta e seis anos da ditadura salazarista, dizendo algo assim. Os brasileiros não ficaram atrás nos anos de chumbo. Porém, o que cria grandes tensões ao som dessas palavras é menos um sofrimento que raramente se experimentou e mais uma desconcertante característica humana. Então, antes de vociferar contra o despotismo e a submissão implícitas nessa frase comum, vamos considerar o que Deus diz sobre o assunto.

A Palavra de Deus
“Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos.” Romanos 5:19.

Ilustração: Detalhe de Segundos fraturado,
Drew young - artista canadense contemporâneo.
[V] Esse versículo aponta como o pecado original a desobediência de Adão a Deus. Isso contaminou toda a raça humana. Da mesma forma, mostra que o esforço redentivo de Jesus consistiu na obediência dele para então produzir a nossa. Esse é o Evangelho do Reino, a boa notícia de que agora, novamente, todos os homens podem ser governados por Deus em Cristo.

[O] Esse conceito fundamental, do pecado como desobediência a Deus e do caminho da redenção como obediência, fez com que os apóstolos fossem radicalmente contra as manifestações de um coração rebelde. “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens...” 1 Pedro 2:13. Mesmo em aparente desobediência a uma autoridade, os apóstolos não era motivado pela rebeldia mas pela submissão: “Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” Atos 5:29. A rebeldia, de qualquer forma, sempre revela o pecador obstinado.


[S] Portanto, embora Jesus tenha ensinado contra o abuso de poder e exigido que os líderes entre seus discípulos fossem servos como ele (Mc 10:42-45), somos chamados à obediência e não à rebeldia. Por isso quem tem juízo, isto é, quem pensa e avalia obedece. Nesse esforço, a etimologia de duas palavras pode ajudar. Em Rm 5:19 e em 15 outras referências, obediência é ficar embaixo do que se ouve. Ao contrário, desobediência é ir contra o que se ouve. O que você ouviu? Permaneça embaixo disso, viva conforme aquilo que ouviu, esse é o caminho do Reino de Deus. A segunda palavra, que aparece em At 5:29, significa ser persuadido pelo que é mais importante, ou seja, em um mundo de desencontros, a obediência deve resultar de um ouvir criterioso, que identifica cuidadosamente quem e o que é mais importante obedecer.

22 de mar de 2017

Amor ou ódio

16/100

“Bandido bom é bandido morto!”

Talvez o ditado significasse apenas que não existe bandido bom, já que o morto não é bandido ou pelo fato de que no velório, na morte, se destacam as qualidades de qualquer pessoa. Contudo, a violência parece gerar e banalizar a violência. O povo, saturado da criminalidade, sem o governo de Deus, deseja enfrentar o mal com o mal e usa esse ditado para incitar a violência contra os criminosos.


A Palavra de Deus
"Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo" 1Jo 3:15.

[V] Não é possível evitar a severidade desse estatuto pensando que o ladrão não é um irmão. O texto não se refere ao destinatário, mas àquele que odeia quando deveria amar. Quem odeia é assassino e quem é assassino não está salvo da morte. De fato, o verso anterior diz que quem não ama, permanece na morte. Quem permanece (habita) na morte deseja matar.

[O] Obviamente essa palavra sobre amor e ódio não fala contra a pena de morte, a situação legal em que alguém é morto em consequência de seus crimes. Por outro lado, o texto de Êxodo 22:2,3 não trata de uma coisa nem de outra: “Se o ladrão que for pego arrombando for ferido e morrer, quem o feriu não será culpado de homicídio". Essa é uma medida para proteger alguém que age em legítima defesa, jamais uma licença para matar. A Palavra de Deus através de João nos leva a examinar nosso próprio coração diante de circunstâncias ou pessoas que provocam as nossas emoções. A moralidade não está fora de nós, no entanto, mas dentro, e depende de sermos gerados por Deus.

[S] A criminalidade, pressuposto do ditado que examinamos, nos leva a pensar no erro do humanismo ao pensar que as pessoas se tornam más porque a sociedade em que vivem é má. Esse erro continua na tentativa de consertar a sociedade para melhorar as pessoas. Nós que somos da luz, porém, sabemos que o mal está em cada pessoa e que o mundo todo jaz no Maligno. O mal somente é retirado pela transformação que começa com a fé que vem pela Palavra de Deus. Portanto, antes de nos preocuparmos com a criminalidade, devemos examinar nosso coração, para ver se está cheio de amor e vida ou de ódio e morte. Se fomos gerados por Deus e a Palavra de Deus habita em nós, estamos cheios de amor e não de ódio. Por isso a única morte que desejamos a cada bandido é que seja crucificado com Cristo e com ele ressuscite.

20 de mar de 2017

De dentro para fora

15/100

“Boa romaria faz quem
em sua casa está (fica) em paz.”

Tratando de provérbios na obra de Hermilo Borba Filho, a professora da UEPB, Geralda Medeiros Nóbrega, cita Medo líquido de Zigmunt Bauman para destacar o medo implícito nesse ditado. Depois, recorre a Leonardo Mota para referenciar similares, no espanhol, “No hay mejor andar que em su casa estar”, e no inglês, “There is no place like home”. De fato, os ditos de origem portuguesa, como parece ser o caso, são marcados pelo medo do desconhecido e do sobrenatural. É a influência do catolicismo medieval, massificante e opressivo, desestimulando a livre iniciativa e a inovação. Uma pessoa religiosa, virtuosa, preferiria a mesmice e a quietude de sua casa a qualquer outra ação ou lugar.

A Palavra de Deus
“Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos” Colossenses 3:15.

[V] A paz sobre a qual o apóstolo Paulo fala é gerada por Cristo e governa ou arbitra interiormente os crentes, permitindo que eles vivam em paz, como membros de um só corpo. O termo ‘paz’ na língua original significa ‘amarrado junto’, o que reforça ou impulsiona a ideia da conexão como dos membros do corpo. No verso anterior, aprendemos que o amor (preferir, escolher) é o cordão que faz essa amarração.

[O] A ausência de conflitos interiores, quando regula nossas decisões, produz paz com os outros e possibilita a unidade. Essa paz acontece em uma comunidade vibrante, alegre, participativa e realizadora, incluindo as relações conjugais, paterno-filiais e laborais. Certamente, com relacionamentos assim haverá um sentimento intenso e constante de gratidão.


[S] A paz que se origina em Cristo, o resultado de sermos conduzidos pelo Espírito de Deus, não vem de esconder-se em casa e evitar a mudança e a novidade. Essa paz verdadeira não é a monotonia da mesmice e da inércia. A paz que se origina em Cristo é a convergência de todas as coisas para a satisfação da vontade de Deus. Quando nada mais desejamos ou procuramos além da boa, agradável e perfeita vontade de Deus, os conflitos somem e temos paz. Tudo dentro de nós caminha junto, no mesmo propósito e direção. Então nossa atitude e conduta permite a comunhão com outras pessoas que também vivem assim. Para experimentar essa paz, peça para que Deus governe a sua vida em Cristo. Esse é o Evangelho do Reino de Deus.

14 de mar de 2017

De um jeito ou de outro?

14/100

“Quem não tem cão caça com gato.”

Conforme o professor de Língua Portuguesa, Reinaldo Pimenta, o dito pode ter sido, originalmente, ‘Quem não tem cão, caça como gato’. Isso nos daria três possíveis significados para essa frase. O uso mais corrente é o do improviso e da adaptação, isto é, não tendo um cão, leva-se um gato para caçar. Longe de ser apropriado, isso exigiria grande flexibilidade pessoal. Um segundo significado seria o da autonomia. Não havendo o cão que caça coletivamente, em matilhas, a tarefa seria dada ao gato, que é solitário. Finalmente, é possível pensar que ao invés do cão que caça com grande alarde, tangendo a presa com latidos fortes, a caça seria feita com o silêncio e discrição de que sempre se valem os gatos em compensação.

A Palavra de Deus
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” Romanos 12:2.

[V] Esse versículo tão conhecido deveria nos levar a perguntar qual é o ‘padrão deste mundo’ ao qual não deveria se amoldar para, só então, experimentar a qualificada vontade de Deus. No verso seguinte aprendemos que os crentes não devem ter ‘um conceito mais elevado’ de si mesmos do que aquele relativo aos dons que receberam de Deus. Paulo continua dizendo que os crentes formam um corpo em que cada membro tem funções específicas. Portanto, devem contar com as capacidades uns dos outros no suprimento do que lhes falta, e disporem-se a exercer seus dons peculiares para o bem coletivo.

[O] É claro que Paulo não vê as pessoas como indivíduos e nem defende uma atitude individualista. Inspirado por Deus, o apóstolo aos gentios ensina que cada pessoa é uma parte especializada de um todo social. O individualismo é um pensamento humano ao qual, quem se amolda, deixa de experimentar ‘a boa, agradável e perfeita vontade de Deus’.


[S] O dito popular que examinamos hoje nos estimula à uma adaptação individualista, na qual encontraríamos apenas em nós mesmos as qualidades necessárias para realizar um intento qualquer, sem pensar ou depender do coletivo. Essa não é uma boa ideia e, faríamos bem em lembrar as vezes que temos utilizado esse pensamento. Devemos deixar de lado esse pensamento mundano para encontrar na cooperação entre os irmãos a totalidade das qualidades que precisamos e a plenitude do ser no compartilhamento de nossa vida.

10 de mar de 2017

A vitória em Cristo

13/100

“O diabo faz a panela mas não faz a tampa.”

Conforme pesquisa da professora Maria Vitalina Frosi, esse dito veio com os 140 anos da imigração italiana para o Rio Grande do Sul. Na língua dialetal é expresso assim: "Al diàol al fa la pignata ma 'l fa minga 'l cuèrc". De modo geral, significa que as coisas malignas (do Diabo) são mal feitas, incompletas, e não funcionam bem. Mais especificamente, dá a entender que as coisas más que se fazem não ficam ocultas por muito tempo, pois não há como escondê-las, isto é, falta-lhes a tampa.

A Palavra de Deus
"Aquele que pratica o pecado é do Diabo, porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo" 1Jo 3:8.

[V] As Escrituras reconhecem o Diabo e sua ação destrutiva no mundo. Nessa passagem ele é apresentado como sendo pecador, e aqueles que pecam pertencem a ele. No contexto os pecadores são também chamados de filhos do Diabo, isso por causa da identidade entre suas obras e as obras dele. Entende-se que as obras do Diabo, como daqueles que agem como ele, são ruins, e é propósito do ministério de Jesus Cristo na Terra a destruição dessas obras e a anulação de seus efeitos.

[O] Esse texto nos assegura que é Jesus Cristo quem destrói as obras do Diabo. Embora essas obras sejam ruins, imperfeitas e incapazes, sem a ação libertadora de Cristo as pessoas permaneceriam presas por elas indefinidamente. O que João nos ensina, inspirado por Deus, é que existe o Diabo, suas ações são pecado, as obras de outros pecadores se identificam com elas, e é Cristo quem destrói essas obras e anula o seu efeito. Não fica, então, qualquer possibilidade de que as obras do Diabo e daqueles que agem como ele resistam à ação de Jesus.


[S] A religiosidade tradicional é pré-moderna, baseada no medo. Nela o Diabo tem um papel muito importante para prender as pessoas em suas instituições e práticas. Por outro lado, essa mesma religiosidade desenvolveu a ideia de que é possível vencer o Diabo com truques e iludi-lo com artifícios, gestos e objetos. A fé bíblica nos assegura que em Cristo temos a completa vitória contra o Diabo e contra o pecado. Examine hoje a sua vida e veja se você colocou sua confiança completa somente em Jesus Cristo, para não temer as obras do Diabo e nem achar que pode enfrentá-lo de outro modo. Ore, confessando o poder de Jesus e sua dependência dele contra todo o pecado e maldade que existe.