12 de nov de 2017

Vocação e vocacionados

Precisamos reconhecer que estamos vivendo uma crise vocacional. O número de adolescentes e jovens que atende ao chamado para o ministério diminuiu tanto em número como em outras qualidades. Poucos pastores têm cuidado da sucessão ministerial com atenção. O secularismo e o materialismo estão escravizando nossos jovens na busca por status e riqueza. O liberalismo e o humanismo estão contaminando os poucos que se interessam pelo ministério. Estamos colocando em risco a saúde e o futuro da igreja. Por isso escrevi o livro ‘Subindo para missões’.


Se você percebe a necessidade e a urgência de enfrentarmos a crise vocacional, se você sente o chamado de Deus para o ministério, leia esse livro. Além de insistir em uma perspectiva bíblica para a missão da Igreja e para as vocações ministeriais, o livro apresenta as características de um obreiro conforme o padrão de Deus. Baseando-me na vida de Neemias como um modelo de sucesso no ministério, identifiquei em cada capítulo de seu livro uma característica que os vocacionados precisam imitar. Além disso, no final de cada capítulo, mostrei a mesma característica em Jesus, o missionário divino. O livro é interessante, dinâmico e motivador. Serve bem para a leitura pessoal, como base para ministrações e como livro texto para uma classe de vocacionados. Permita a auto avaliação e orienta o desenvolvimento pessoal dos candidatos ao ministério.
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Forme uma classe de vocacionados em sua igreja. ‘Subindo para missões’ é distribuído diretamente pelo nosso ministério. Não está disponível em livrarias ou em sites. Tem o custo de R$ 24,00 e pode ser despachado para qualquer localidade do território nacional por um frete adicional de R$ 9,00. Na aquisição de 10 exemplares para classes de vocacionados, o frete total será de R$ 18,00 e um exemplar será adicionado ao pedido gratuitamente. Para fazer seu pedido, escreva um e-mail para Rosana Garcia rosanagarcia@ammeevangelizar.org ou telefone para nosso escritório em (11) 4428 32222 no horário comercial.
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Adolescentes na Igreja

Creio que adolescentes e jovens podem viver em santidade e missão. Quase dois terços dos evangélicos se converteu na adolescência e juventude e entre esses está a maioria dos que se tornaram líderes e obreiros de tempo integral. Sei que um avivamento se espalha mais rápido entre os adolescentes e jovens. Eles têm dons de que a igreja precisa e que só existem nessas idades. Se queremos ver o fortalecimento e a continuidade da Igreja, devemos priorizá-los como alvos e como agentes da evangelização. Isso é urgente, pois o mundo se esforça para destruir a fé e a santidade dos adolescentes e jovens cristãos e impedir a conversão dos que ainda não conhecem Jesus. Por me esforço em pesquisar e ensinar sobre a evangelização e pastoreio nessas faixas de idade.

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Escrevi o livro Líder Adolescente para ajudar pastores, líderes e pais a entenderem melhor as pessoas entre 11 e 24 anos de idade, da puberdade à juventude. Em cada seção do livro examino uma área da vida deles em artigos curtos e fáceis de ler. Meu objetivo é que os adultos compreendam as pessoas nessas idades, se preparem para evangeliza-las e abram espaço para que se tornem cristãos comprometidos e frutíferos para a glória de Deus. Esse livro já abençoou a vida de milhares de líderes no Brasil e em outros países de língua portuguesa. Tenho certeza de que será uma bênção para você e seu ministério.
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‘Líder Adolescente’ é distribuído diretamente pelo nosso ministério. Não está disponível em livrarias ou em sites. Tem o custo de R$ 24,00 e pode ser despachado para qualquer localidade do território nacional por um frete adicional de R$ 9,00. Consulte nosso ministério para adquirir maior quantidade para grupos de pais ou líderes. Para solicitar seu exemplar, escreva um e-mail para Rosana Garcia rosanagarcia@ammeevangelizar.org ou telefone para nosso escritório em (11) 4428 32222 no horário comercial.
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31 de out de 2017

10. O distúrbio vocacional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Não havia falta de vocacionados no início dos anos oitenta, quando entrei no seminário. Enquanto os maus ventos do liberalismo teológico já desconstruíam as vocações em outros países, aqui experimentávamos um avivamento missionário. Ninguém duvidava de qual era a missão divina da Igreja, centenas de jovens se comprometiam com o ministério em cada conferência missionária e muitos deles chegaram ao campo. Naquela mesma época a Igreja Romana fazia desesperados apelos por vocacionados e isso me deixava perplexo. No entanto, confesso que hoje, quando penso nos vocacionados, me sinto como Jó “O que eu temia veio sobre mim; o que eu receava me aconteceu” Jó 3:25

Secularismo, humanismo, materialismo e imediatismo, além de perverter a atividade missionária, também perturba as vocações. Em parte, o problema vem da admissão inadequada de uma ideia possivelmente originada da frase de Charles Spurgeon em ‘Um sermão e uma reminiscência’ de 1873. O famoso pregador inglês disse que ‘Todo cristão é um missionário ou é um impostor’. Isso se encaixa no contexto de que se Jesus é realmente precioso para alguém, essa pessoa não deixará de falar dele a quem quer que encontre. Certamente, não era intenção de Spurgeon, substituir os ministérios bíblicos por uma generalização missional. O fato é que Jesus “... designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” Ef 4:11. Essas pessoas são dons para a Igreja e têm a missão de preparar todos os santos para a evangelização. Desse modo se distinguem dos santos que preparam, e serem dados à Igreja por Jesus indica uma vocação genuína, onde a pessoa é chamada para um serviço específico.

Aceitar que cada crente é um missionário no amplo sentido das vocações e não no âmbito estrito da comunicação do Evangelho nos deixa sem missão e sem missionários. Isso porque este conceito indevidamente amplificado logo se une a outro erro de interpretação, o de que qualquer coisa pode ser feita para a glória de Deus (1Co 10:13). Paulo ensinou aos coríntios, no entanto, que eles deveriam escolher coisas que glorificassem a Deus. Jesus, por outro lado, disse que nós somente glorificamos ao Pai como verdadeiros discípulos dele quando damos muito fruto (Jo 15:8). Os frutos a que se referiu Jesus, de acordo com o contexto, têm uma natureza tanto pessoal como social, são frutos da santificação e frutos da evangelização. Portanto, é urgente desfazer a confusão que está iludindo jovens, quando poderiam ser dons de Cristo para a igreja, exercendo um ministério dedicado à revelação do Reino de Deus. Estes jovens que estão correndo atrás de status e dinheiro, muitas vezes pressionados a isso por pais evangélicos, devem saber que é mais excelente se esforçarem pelo episcopado (1Tm 3:1).

Você sabe que o meio empresarial vive preocupado com a questão da sucessão. Preparar a continuidade de um empreendimento é uma qualidade de liderança. Isso deve ser assim também para nós. Como bons discípulos de Jesus, devemos andar pelo mercado de trabalho chamando seguidores para se tornarem pescadores de homens. Ao ensinar Timóteo a trabalhar como evangelista, Paulo também lhe disse: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” 2Tm 2:2. É por isso que também rogo a você, que encontre entre os jovens de sua igreja alguns que você chame para serem treinados na liderança evangelística da Igreja.

Vocação não é sobre quem somos, mas sobre quem Deus quer que sejamos.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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30 de out de 2017

09. O enfraquecimento missionário

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Há alguns anos, um conhecido articulador do evangelho social sugeriu que a igreja é como a indústria automobilística: deve oferecer vários tipos de evangelho, conforme as necessidades do ‘cliente’. Minha experiência secular em marketing me faz considerar que, se a Igreja tem um ‘cliente’ ao qual deve adaptar seu ‘produto’, esse é o próprio Deus. É a ele somente que a igreja precisa agradar. Na carta anterior, falei a você sobre a confusão missional que a Igreja enfrenta. Agora, preciso dizer que, não sabendo quem é ou para que existe, a Igreja não saberá o que fazer. Por isso, escrevo para pedir que você considere avaliar e melhorar as atividades de sua Igreja e de cada crente sob seu cuidado.

A confusão entre quem é a Igreja e qual é sua atividade, demandou o uso deste novo termo. O adjetivo para missões é missionário. Portanto, uma igreja que tem atividades em missões é uma igreja missionária. Contudo, precisamos de um adjetivo para uma igreja que é essencialmente missionária, isto é, que não apenas faz missões, mas que a missão afeta completamente sua existência. Então, primeiro em inglês, desde o início do século passado, e cada vez mais em português, usamos o adjetivo ‘missional’. É claro que a missão da Igreja como Corpo é a missão da cabeça. Jesus, depois de orar por três a quatro horas no início de seu ministério, descreveu assim sua própria missão: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim" Mc 1:38. Infelizmente, havendo confundido sua missão com o bem-estar do ser humano, a igreja escolheu atividades que não atendem à missão de Deus em Cristo.

A centralização pós-moderna da religião nas necessidades e interesses humanos provocou a crise missional da Igreja, com prejuízo em sua atividade missionária. Alguns indícios disso são, primeiro, a diferenciação entre missões e evangelização. Missões se limita a incertas atividades em lugares distantes e exóticos, de modo que há o absurdo de missionários que não evangelizam e evangelistas que não cumprem a missão. Segundo, a separação entre evangelização e discipulado. Evangelização deveria ser a atividade de tornar uma pessoa conforme ao Evangelho pela comunicação da Palavra de Deus, mas se tornou mera atividade de abordagem. Terceiro, a departamentalização da evangelização. Forma-se uma pequena equipe para distribuir folhetos e fazer apresentações na rua, e os outros crentes se ocupam de outras coisas. Quarto, a mensagem do Evangelho é substituída por propaganda religiosa. Quinto, o culto se torna um item de entretenimento. Você mesmo pode ampliar essa lista. O problema é óbvio.

Deixando de ser missional, a igreja deixa de ser missionária. Como evitar esse desvio? Penso que a Grande Comissão não somente oferece a identidade missional, como escrevi na carta anterior, como também oferece os indicadores para a atividade missionária. Para explica-lo melhor, permita-me parafrasear a Grande Comissão conforme Marcos: Todo crente, indo por todo o mundo, comunique todo o Evangelho a toda criatura. Aplique isso à sua igreja. Todo crente em sua igreja está envolvido na missão? Sua igreja está presente em todo o mundo? Veja que mundo aqui é o termo grego ‘cosmos’, um sistema organizado, portanto, os diversos setores da sociedade. Sua igreja comunica todo o Evangelho, todas as coisas que Jesus ordenou? Sua igreja comunica o Evangelho a todas as pessoas, sem que falte alguma? Pensando nisso, reúna sua equipe e conversem sobre o que farão para serem uma igreja verdadeiramente missional e missionária.

Quem não evangeliza precisa ser evangelizado.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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29 de out de 2017

08. A confusão missional

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Um dos debates mais desafiadores dos últimos tempos tem sido a identidade de gênero. As pessoas não estão contentes com quem são, e não somente no aspecto sexual, por isso sofrem de psicopatias diversas em que aquilo que são não é o que querem ser. A esse sofrimento denominamos egodistonia. É interessante notar que a Igreja tem sofrido o mesmo problema, uma crise de identidade e não raro um processo transgênero em que a missão da Igreja é desvirtuada.

Fomos criados para sermos membros de indivíduos coletivos, a família e a igreja, por exemplo. Portanto, além das características físicas, nossa identidade funcional é definida coletivamente. É quando passamos a definir a verdade a partir de nossa sensualidade que a egodistonia se manifesta. Nós fomos gerados em pecado, nossos desejos carnais e supostas necessidades não se alinham com a vontade de Deus. Se nos concentrarmos no que queremos, certamente não aceitaremos a identidade designada a nós para funcionarmos coletivamente. Isso também acontece com a Igreja. O bem-estar humano é a ênfase de cada um dos quatro falsos evangelhos, porém, Deus nos chamou para o seu Reino, isto é, para fazer a vontade dele e não a nossa. Então, é claro que toda a contaminação de falsos evangelhos leva nossas igrejas a um conflito de identidade missional que se tenta resolver com a ressignificação da missão da Igreja. Na teologia da prosperidade a igreja cumpre um papel motivacional, no evangelho do bem-estar social a igreja se torna uma ONG, na teologia terapêutica a igreja é uma clínica de recuperação e na teologia do poder, um partido político.

Nesses dias em que os falsos evangelhos produzem grave egodistonia nas igrejas e muitas redesignam sua missão, precisamos reconhecer o fato de que nossa identidade funcional não é definida por nossas necessidades e desejos, mas pelo próprio autor e consumador de nossa fé. Saudáveis, não seremos o que queremos, mas o que Deus em Cristo quer. Se for assim, devemos reconhecer que nossa missão como igreja é definida na Grande Comissão. A Igreja não existe para o sucesso dos membros, nem para a justiça social, a saúde psicológica ou a vitória política. A Igreja existe para comunicar o Evangelho. Depois de ressuscitar, Jesus voltou para ensinar isso e cada evangelista captou um ângulo dessa verdade. No Evangelho de Mateus a comunicação é didática (Mt 28:20), a Igreja é ensinadora. Em Marcos, a missão de comunicar o Evangelho é kerigmática (Mc 16:15), portanto a Igreja é proclamadora. Em Lucas, a igreja cumpre sua missão testemunhando (Lc 24:48), a missão é martírica, a igreja é testemunha. Finalmente, em João, a missão é vicária, representar o Evangelho (Jo 20:23), portanto a igreja é representante.

É inaceitável que a igreja se desvie de sua identidade missional. É certo que um caráter transformado pelo conhecimento da verdade não se exime de alimentar os famintos, vestir os desnudos, visitar os presos e curar os enfermos. No entanto, fazemos isso por piedade, não por missão.  A comunicação do Evangelho é a exclusiva e suficiente ação social da Igreja. Exclusiva, porque somente a Igreja pode realiza-la; suficiente, porque é o pleno conhecimento da Verdade que liberta o homem todo (Jo 8:32). Nossa missão é a comunicação do Evangelho: ensinar, proclamar, testemunhar e representar essa mesma Palavra que criou os céus e a terra e que pode libertar para cumprir a vontade de Deus, homens e mulheres de todas as nações, tribos, povos e línguas. Sua igreja sabe para que existe?

A evangelização é a missão integral da Igreja.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

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28 de out de 2017

07. Identidades dos falsos evangelhos

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Certamente você já passou por aqueles segundos constrangedores em que o caixa examina o dinheiro que você apresenta, para ver se é falso ou verdadeiro. Mesmo que você não tenha falsificado, fica aquela dúvida de haver pego uma nota falsa sem saber e estar passando adiante. Sempre sinto um alívio quando, depois de examinar um conjunto de aspectos, o caixa finalmente aceita meu dinheiro. Sobre os falsos evangelhos de que falamos há pouco, quais seriam os aspectos que deveríamos examinar para saber se, por acaso, o evangelho que temos nas mãos não é falso? Quero lhe apresentar quatro vícios que são comuns a todos os falsos evangelhos que relacionei ante. Se você os evitar, protegerá a si mesmo e à sua igreja.

Os falsos evangelhos têm uma fundamentação plural ou secularista, isto é, acham a verdade em outras fontes que não a Palavra de Deus. Jesus disse aos religiosos de seu tempo: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” Mt 22:29, porém, os falsos evangelhos se baseiam na psicologia, na filosofia, na sabedoria popular e na sociologia, fazendo da Bíblia apenas um livro de citações para confirmar seu pensamento apócrifo. Todos os falsos evangelhos têm uma motivação antropocêntrica, humanista: as necessidades e desejos do ser humano são a razão ou propósito de suas ideias. A razão do Evangelho do Reino é que a vontade do Pai seja feita na terra como no céu (Mt 6:9-13), mas o que impulsiona os falsos evangelhos é aquilo que satisfaz e traz prazer para o ser humano. Os falsos evangelhos também são materialistas, voltado para o que é concreto, tangível, de modo que não aceitam colocar como seu objetivo aquilo que não se vê e é eterno, antes, preferem aquilo que se vê, embora transitório (2Co 4:18). Por outro lado, tais evangelhos também são imediatistas. Eles se importam pouco com o futuro e se concentram naquilo que pode ser obtido imediatamente. A ideia de que “... nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” 2Co 4:17, não se encaixa com suas propostas.

É doloroso pensar que tais vícios podem estar mais próximos de nós do que gostaríamos. Pedro achava que fazia um grande benefício ao tentar impedir que Jesus fosse ao martírio em Jerusalém, então o Senhor lhe disse: "Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens" Mc 8:33. O Evangelho do Reino que Jesus pregava e vivia o levou a orar assim: "Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres" Mc 14:36. Os falsos evangelhos são secularistas, humanistas, materialistas e imediatistas. A vontade de Deus é bíblica, cristocêntrica, espiritual e eternal. Se o nosso Evangelho não tem essas características, não é verdadeiro.

Desde bem jovem, aprendi por experiência que a crescente espiritização de nossa cultura só pode ser enfrentada com um firme posicionamento sobre a divindade de Jesus. Esse é o divisor de águas. Há algum tempo, supervisionando nosso trabalho em Portugal, pensei que a massiva presença do romanismo na cultura só pode ser combatida com uma exuberante adoração a Cristo, através de todas as mídias e linguagens disponíveis. Também em Moçambique, percebendo como o poder dos feiticeiros ainda amedronta e perturba os crentes, recomendei aos pastores que sejam pródigos na pregação sobre a soberania de Deus. Dessa forma, glorificando a Deus em Cristo, ficaremos livres da maligna presença dos falsos evangelho.

O evangelho é o Reino e o Reino é Jesus.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

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27 de out de 2017

06. Os quatro falsos evangelhos

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Na carta anterior, falamos sobre a ilusão do individualismo como o engano desse século, a grande mentira que escraviza as pessoas na pós-modernidade. Então, qual você acha que é o efeito desse pensamento sobre a mensagem do Evangelho? De que maneira esse pensamento mundano, ao qual o apóstolo Paulo se opôs insistentemente, afetou a cosmovisão cristã e contaminou os crentes?

Não estamos falando de algo novo. O individualismo tem suas raízes no pecado original, na vontade do ser humano fazer-se seu próprio Deus. Este é o pecado original e a sedução de Satanás, “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus...” Gn 3:5. Este é o pecado da pós-modernidade, “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador” Rm 1:25. A Igreja não ficou isenta e, de todos os modos, foi influenciada pelo pensamento individualista, desde a modernidade, com o humanismo e seu aprofundamento do relativismo prematuro de Protágoras: ‘o homem é a medida de todas as coisas’. Como isso, o bem-estar humano tornou-se a nova religião. A vontade de Deus se tornou secundária, e o ser humano ocupou o cenário com seus desejos, vontades e ações.

Quatro falsos evangelhos emergiram desse individualismo, cada um enfatizando o bem-estar do ser humano em um determinado aspecto. O mais conhecido entre eles é o evangelho do bem-estar material, a abjeta Teologia da Prosperidade, que busca redenção na riqueza. Mas ela não é a única. Há uma teologia do bem-estar social, com muitos nomes e apenas uma cara, a aparente piedade com seus projetos sociais. Um terceiro falso evangelho é o do bem-estar emocional, comprometido com o resultado psicoterapêutico. Finalmente, há o evangelho do bem-estar político, querendo redimir através da eleição de políticos evangélicos. Estes evangelhos falsos colocam o ser humano no centro de sua proclamação e prática. Eles atraem milhões e contaminam a Igreja. Sobre isso Paulo disse: “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” 2Tm 4:3,4. É vergonhoso ver quantos líderes se renderam a esses mitos. Eles pensam que, sendo isto que as pessoas querem ouvir, então é isto que devem pregar.

Paulo abriu a ferida e ele mesmo a fechou. Antes e depois de descrever o domínio dos falsos evangelhos, exortou solenemente a Timóteo: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” e “... faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério” 2T 4:2,5. Para Paulo, a pregação da Verdade era o antídoto para o veneno do relativismo humanista em sua pós-modernidade. Ele que estava a ponto de morrer pelo Evangelho depois de três décadas de ministério, via a Igreja em apostasia e ainda assim confiava no poder da pregação. Por isto Paulo exortou seu filho na fé que continuasse pregando a Palavra. Quando vemos o ministério de Jesus, identificamos a mesma pregação do Evangelho, a proclamação da soberania de Deus e a celebração do seu governo sobre os seres humanos. Assim evangelizaremos os mais jovens, que o pecado não reine sobre eles, que estejam mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6:11,12)

Esse é o Evangelho do Reino, que a vontade do Pai seja feita na terra assim como é feita no céu.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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26 de out de 2017

05. O efeito da pós-modernidade

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Como saber se aquilo que percebemos é a verdade? Diferente do Mito da Caverna de Platão, o Cristianismo trabalha com a ideia de que a luz tem vontade própria; ela revela o pecado para libertar os pecadores: “Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” Jo 1:9. Na escuridão as pessoas não veem quem são e sua própria condição, é preciso andar na luz para perceber a verdade.

Qual o engano desse século então? Como a escuridão da pós-modernidade confunde as pessoas? De que modo as engana? Há algum tempo, reuni a minha equipe e nos esforçamos para identificar uma palavra que descrevesse o momento em que vivemos. Chegamos ao termo ‘fragmentação’. Percebemos que as instituições, ideias e ações são quebradas em pedaços cada vez menores. Entendemos que há duas forças produzindo essa fragmentação. Uma é a quantidade e a velocidade na disponibilização de dados. Considerando a sabedoria como a capacidade de aplicar o conhecimento para benefício coletivo, há muito tempo desceu-se desse patamar para o conhecimento apenas, o mero domínio das causas e efeitos das coisas. Mais recentemente, na era da informação, desceu-se do conhecimento para a decodificação dos dados. Agora, nem isso. Uma infinidade de terabytes em dados jaz nas redes digitais apenas parcialmente decodificados pelas pessoas. Isso as divide, na medida em que cada uma decodifica apenas uma partícula dos dados, diferente da que a outra decodificou. A segunda força fragmentadora é a grande cidade. Com o crescimento da população mundial, as pessoas abandonaram a coletividade das vilas rurais, se desconectaram de suas raízes e se aglomeraram como fragmentos nas cidades grandes.

Essa fragmentação afeta diretamente as três virtudes que Paulo evocou todas as vezes que tratou de problemas nas igrejas das grandes cidades de sua pós-modernidade: fé, esperança e amor. Conhecidas mais tarde como virtudes teologais, elas funcionam como uma estrutura espiritual consequente. A fé é coletiva: as pessoas fortalecem umas às outras quando creem juntas. Na parcialidade das informações e no aglomerado das cidades grandes, creem em coisas diferentes e, por causa da tolerância a outras crenças, negam a verdade que conheceram. Não é possível que ideias opostas sejam igualmente verdadeiras, então, na tolerância, tudo se torna mentira. Sem convicção da verdade, já não existe esperança. Quando toleram a mentira não sabem o que esperar. Sem esperar, não amam, não escolhem, não agem. Sem fé não têm valores, sem valores não têm expectativas, sem expectativas não têm escolha. Tornam-se, inseguras, imediatistas e consumistas.

Sobre isso, Paulo disse aos muito pós-modernos romanos, “Não se amoldem ao padrão deste mundo” Rm 12:2. O padrão do mundo ao que se referia é o individualismo, justamente a extrema fragmentação da coletividade humana. Jesus também disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” Mt 16:24. Aquilo que o mundo denomina indivíduos, na verdade são fragmentos de conhecimento, de expectativa e de atividade. A restauração da fé, esperança e amor depende da superação da ilusão do individualismo. O ensino de que somos membros de um corpo social, a família, a igreja, é extremamente insistente no Novo Testamento e isso define o esforço que você e eu devemos fazer para que as pessoas vivam o Evangelho.

Levar os mais jovens a superar a ilusão do individualismo para integrar o Corpo de Cristo, este é o desafio de ministrar às novas gerações.

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25 de out de 2017

04. A natureza da pós-modernidade

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Como adultos, nos tornamos cada vez mais conservadores. Esse é o plano de Deus. Aprendemos o caminho no qual andaremos quando ainda jovens, depois permanecemos nele como adultos. Isso define o enorme desafio da comunicação entre gerações: enquanto os mais jovens mudam rapidamente, nós adultos resistimos. Então, quando o mundo à nossa volta também está mudando tão intensamente, a diferença se acentua ainda mais. Não é só o cérebro que muda, de inovador para conservador, também a história está passando para uma nova fase. O que posso lhe dizer, é que conhecer a mudança nos ajuda a enfrenta-la.

Certamente você já ouviu que nosso momento histórico é denominado pós-modernidade. Penso que podemos definir a década de 20, depois da Semana de Arte Moderna, como um marco dessa fase no Brasil. Outros países experimentaram a mesma realidade um pouco antes ou um pouco depois. No entanto, essa denominação não significa muito isoladamente. Precisamos considera-la no ciclo de pré-modernidade, modernidade e pós-modernidade. Cada uma dessas fases define a verdade a partir de um domínio e uma realidade diferentes. A pré-modernidade é o domínio da religião, onde a verdade se define pela crença e pelo medo. No ciclo atual, isso confere com a Idade Média, do século V, com a queda do Império Romano, até o século XV. A modernidade é o domínio da ciência, em que a verdade se define pela razão, pelo pensamento sistemático. Esse período abrange a Renascença e o Iluminismo, portanto, até o final do século XVIII. Na Europa, já no século XIX, o Romantismo traz os elementos de uma nova fase, o domínio da política e a verdade definida a partir das emoções. Com esse movimento, o individualismo se projeta contra o senso de comunidade e coletividade, e esse é o fator determinante da pós-modernidade.

A Reforma Protestante é, então, um movimento essencialmente modernista. Com ela, a Igreja aprendeu a explicar o cristianismo de um modo lógico e sistemático. Embora o evangelicalismo, desde o metodismo, movimento dos irmãos e pietismo, tenha elementos da pós-modernidade, a doutrina sistemática é uma marca insuperável da modernidade. Ela foi imposta sem critério, até mesmo a culturas de lógica não sistemática, pré-modernas, empíricas, baseadas na experiência coletiva. Isso determina um profundo abismo entre nosso modo de explicar o Evangelho e as novas gerações da pós-modernidade. Elas já não são convencidas por explicações razoáveis, por sistemas lógicos balanceados. Para elas, a verdade é aquilo que desejam, aquilo que sentem, e a política se encarrega de acomodar esse pensamento pela promoção da tolerância.

O que faremos então, para comunicar Cristo às novas gerações? Isso pode ser bem mais fácil do que pensamos. Nem todos os historiadores pensam assim, mas o ciclo de pré-modernidade, modernidade e pós-modernidade se repete. A pré-modernidade, no ciclo anterior ao nosso, pode ser identificada com o Império Persa da dinastia Aquemênida. A modernidade veio com Alexandre o Grande, o Império Macedônio e a Helenização. Finalmente, com a ditadura de Júlio Cesar em 49 aC e até 476 dC com a deposição de Rômulo Augusto, tivemos o Império Romano e sua absoluta pós-modernidade. Portanto, o Cristianismo nasceu e se desenvolveu no contexto da pós-modernidade e o Novo Testamento é um perfeito manual para enfrenta-la. Se pudermos tirar o véu modernista da Teologia Sistemática e ler a Bíblia como é, acharemos o caminho para o coração das novas gerações.

A Palavra de Deus provê todo o necessário para discernir a história e sobreviver a ela.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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24 de out de 2017

03. A composição da Igreja

Ao líder da igreja,
paz e alegria do Senhor.

Na carta anterior falei sobre sonhar os sonhos de Deus, porque são eles que se realizam. Mas como saberemos quais sonhos são de Deus, como conheceremos sua vontade? Há algum tempo eu estava suplicando insistentemente para que o Senhor fizesse a sua vontade. Em meio àquela intensa oração, foi surpreendido por uma profunda convicção de que, por causa da soberania de Deus, sua vontade se manifesta na situação. Ou seja, tudo o que sou, tenho, posso e onde estou são a perfeita vontade de Deus. Portanto, para saber a vontade de Deus, basta olhar ao redor. Essa é a ideia da parábola dos talentos e também do pregador, quando diz: “O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força...” Ec 9:10.

Fiz isso quando iniciei nosso ministério de ajuda às igrejas brasileiras na evangelização. Queria saber qual era o plano de Deus e então conduzimos uma ampla pesquisa; foram mais de 5.000 questionários respondidos em todas as denominações e regiões do Brasil. Perguntamos sobre a conversão dos crentes e uma das coisas mais importantes que descobrimos é que 77% de todas as decisões de fé aconteceram antes dos 24 anos de idade. Depois, confirmei essa verdade inúmeras vezes nos últimos anos, e vi que ela se repete em todos os países em que tenho ministrado, na América, África, Europa e Ásia. Três quartos das conversões acontecem entre crianças e jovens, principalmente entre adolescentes. Mais tarde, pesquisando a razão desse fato, vimos que as novas descobertas da neurociência mostram ser o cérebro do adolescente e do jovem especialmente desenhado para absorver a novidade, e o Evangelho é a boa novidade do Reino de Deus.

Você sabe disso: na medida em que nos tornamos adultos, nosso interesse em novidades diminui e nos tornamos mais e mais conservadores. Deus desenhou nosso cérebro dessa forma e isso deve nos levar a direcionar nossos esforços para alcançar as novas gerações. Em concordância com esta constatação, somos advertidos em Provérbios: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” Pv 22:6. Precisamos alcançar os mais jovens enquanto ainda estão prontos para a mudança. Não podemos esperar até que as pessoas se tornem ‘cabeça dura’, resistentes à novidade do Evangelho e à mudança de vida. Além disso, os mais jovens têm mais energia, são mais dispostos e prontos para o trabalho e se comunicam mais facilmente com sua própria geração. A obra missionária não pode dispensar a capacidade e a habilidade deles. Se deixarmos de ganha-los para Cristo, não seremos capazes de nos renovar, envelheceremos como igreja e finalmente morreremos.

Quero que você se lembre da urgência de evangelizar e pastorear as novas gerações. A vontade manifesta de Deus é que a maioria das pessoas se convertam antes dos 24 anos de idade. Esse é o talento que recebemos para administrar. Infelizmente, a Igreja está orientada para adular os adultos, e tem cada vez mais dificuldade em alcançar as novas gerações. Vejo que até mesmo os mais jovens, quando saem para evangelizar, privilegiam a pregação aos adultos. Então, reorganize seu ministério, leve os crentes adultos a servir os mais jovens; é assim que agem os líderes no Reino de Deus. Crianças, adolescentes e jovens devem ser os alvos e também os agentes da evangelização. Precisamos dar a eles a Palavra de Deus para que produzam frutos e isso é urgente!

Vamos contar a boa nova que é o Evangelho para quem está faminto por novidade.

Seu para evangelizarmos todo mundo,

José Bernardo
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