30 de abr de 2016

Servir como Cristo

José Bernardo
Leitura 2'30''

Eu não deixaria o aniquilacionista John Stott me ensinar sobre perdição e salvação, prefiro a Bíblia. Mas suas mágicas teológicas não se resumem a desconstruir o inferno. Ele também tentou desmontar a vocação, serrando o galho em que sentou, cuspindo no prato em que comeu. Em 'A missão cristã no mundo moderno' escreveu: '...é possível aos cristãos interpretar seu trabalho de modo cristão, não vendo-o como um mal necessário, nem como um lugar conveniente para evangelizar ou ganhar dinheiro para a evangelização, mas como sua vocação cristã, a forma como Cristo os chamou para gastar a vida em seu serviço.', Isso pode parecer certo, mas está muito errado!

27 de fev de 2016

A vocação deste século

Vocare 6, por José Bernardo

Há alguns anos a igreja, inclusive os jovens e os adolescentes, entendiam que chamado ou vocação se refere ao ministério: integral, exclusivo e modelar. Hoje, cada vez mais a vocação se confunde com a escolha de uma profissão qualquer, com um vago senso de ser uma boa pessoa. Com isso, a Igreja trata desse tema como faria qualquer orientador vocacional no meio secular. O que mudou? A Palavra de Deus continua a mesma e o Senhor continua chamando uns para apóstolos, outros para profetas, evangelistas, pastores, mestres, bispos e diáconos. Mas há novas teologias, outros evangelhos, que seduzem os crentes e os afastam do plano divino.

Congresso Vocare, de 21 a 24 de abril de 2016 em Maringá - PR

O chamado impessoal

Vocare 5, por José Bernardo

"Todos os crentes foram chamados", "cada crente é um missionário", ouvimos muitas respostas assim quando perguntamos aos jovens sobre como sabem que têm uma vocação ministerial. Se é que esse discurso já produziu algum benefício, hoje, apenas desconstrói o que a Bíblia diz sobre vocação ministerial e dilui, tanto a dedicação dos vocacionados como o empenho de seus mantenedores. Se todos foram chamados, ninguém foi!

Congresso Vocare, 21 a 24 de abril de 2016 em Maringá - PR

A progressão do chamado

Vocare 4, por José Bernardo

Para onde ir? Alguns jovens e adolescentes que responderam sobre vocação disseram ter um chamado, foram capazes de dizer que seu chamado é para proclamar o Evangelho, como é bíblico, mas não souberam dizer onde deveriam ir ou como chegar ao seu destino. A definição foi procrastinada com uma disposição vaga e genérica, como quando disseram 'onde Deus mandar'. Em outras vezes a idealização do destino ficou patente no fato de que o cumprimento da missão no cotidiano não é identificado como exercício da vocação.

Congresso Vocare, de 21 a 24 de abril em Maringá - PR

O chamado adiado

Vocare 3, por José Bernardo

Dos adolescentes e jovens que ainda se dizem vocacionados, poucos sabem dizer para o que é seu chamado. Então, a vocação se resume em uma sensação de que 'grandes coisas estão por vir' e nenhuma ação prática é tomada. Essa incerteza tipicamente pós-moderna parece ser causada pela desconstrução da vocação bíblica. Na medida em que não somente o ministério cristão, mas qualquer atividade pode ser o chamado, a luta entre a carne e o espírito se encarrega de empatar a dedicação dos jovens.

Congresso Vocare, 21 a 24 de abril de 2016 em Maringá - PR

24 de fev de 2016

A construção da fé

Vocare 2, por José Bernardo

'Descobrir' a vontade de Deus foi uma referência constante entre jovens interessados no tema da vocação ministerial. Isso deixou entrever uma ampla e enraizada subjetividade no processo de convencimento. Essa subjetividade se caracterizou por expressões típicas como 'ouvir a voz de Deus', 'ter os olhos abertos' ou 'sentir no coração'. Muitos dos jovens mencionaram algo sobre Deus lhes falar em oração, durante uma pregação ou por carismas. Como saberão que é Deus que lhes fala? Como saberão que não é a voz de seus próprios desejos?

A falta de ojetividade estaria causando a crise vocacional nas Igrejas Evangélicas? O chamado para o ministério deveria se fundamentar em uma fé bíblica, uma certeza formada pela consideração cuidadosa da Palavra de Deus. Quando a fé é apenas um sentimento, uma impressão emotiva, ela não é capaz de produzir a esperança viva, nem o amor prático e frutífero.

Congresso Vocare, de 21 a 24 de abril de 2016

Conversão e vocação

Vocare 1, por José Bernardo

Quando perguntamos aos filhos de crentes sobre sua conversão, frequentemente obtemos respostas de uma formalidade preocupante. É uma geração que pensa ter nascido na luz; uma que não experimentou a dramática transição de sair das trevas, conhecer a verdade e experimentar a libertação. Muitas vezes quando se pede seu testemunho de conversão, a resposta é que não têm um testemunho. Como isso afeta vocacionalmente esses jovens e qual é o impacto sobre a Igreja?

Se a vocação dos crentes e missão bíblica da Igreja  é serem testemunhas de Jesus, como pessoas sem um testemunho poderiam cumprir a missão? Qual seria o conteúdo e relevância da mensagem de quem nasceu na Igreja? O fato é que comumente os filhos dos crentes sublimam suas dúvidas, suprimem conflitos de convicção, e claudicam vida afora com uma fé imatura, irracional, inerte e apenas emocional. Junta-se a isso a precipitação vocacional de alguns filhos de vocacionados que simplesmente 'seguem' a carreira dos pais.

Congresso Vocare 21 a 24 de abril de 2016

18 de fev de 2016

Crise vocacional 4

José Bernardo

No cenário de missões sempre encontramos pessoas entusiasmadas com viagens a destinos exóticos, atividades interessantes e baixo custo de hospedagem. São as chamadas missões de curto prazo em que a euforia de conhecer outras culturas, ver novas paisagens e conviver com outras pessoas é frequentemente confundida com amor missionário. Em um vídeo que circula nas redes sociais, o pastor Paul Washer critica duramente tais iniciativas e diz que o dinheiro gasto nesses passeios poderia manter muitos missionários no campo.

A pesca maravilhosa,1618-19, Peter Paul Rubens

16 de fev de 2016

A igreja vendida

José Bernardo

Muitos crentes ficam assombrados com notícias de que igrejas protestantes se tornam bares e mesquitas na Europa. Há algumas semanas foi definitivamente vendida uma igreja aqui no Brasil, bem próxima de nosso escritório. Tornou-se uma oficina de funilaria. Uma desconstrução do texto faria um crente pós-moderno dizer que foi só o templo. Mas foi uma igreja mesmo, uma que se instalou ali havia várias décadas e que cresceu bastante. Então, o bairro mudou e a igreja não. Ela se tornou incapaz de alcançar as gerações seguintes, foi morrendo aos poucos e foi vendida.

Foi vendida porque a pós-modernidade prefere uma igreja tão particular que nem precisa existir no plano físico; porque se tornou irrelevante; porque a língua em que se comunicava já não pode ser compreendida; porque um evangelho assistencial é inútil e um evangelho humanista também não é verdadeiro; porque a concorrência trapaceou com entretenimento e mundanismo; porque não valorizou a participação de crianças, adolescentes e jovens e eventualmente se tornou incapaz de alcançá-los.



Crise vocacional 3

José Bernardo

Em abril teremos o segundo Vocare, congresso da Associação de Missões Transculturais Brasileiras – AMTB que trata de vocação para jovens. O slogan do congresso é uma frase em inglês que significa ‘vire o mundo de cabeça para baixo’, indicando a revolução que jovens vocacionados poderiam fazer. Isso lembra o modo como Paulo e Silas foram descritos pelos invejosos de Tessalônica: "Esses homens que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui...” Atos 17:6.

O texto descreve como Paulo e Silas pregaram uma mensagem tão contundente que persuadiram a alguns judeus e irritaram outros. É a pregação da poderosa Palavra de Deus que pode virar o mundo! E aqui encontramos uma crise vocacional. A maioria de nossos jovens não ouve mais o chamado para pregar a Palavra de Deus. Estão acreditando no discurso de que basta serem bons profissionais, éticos e humanos para, de algum modo, mudarem o mundo.

A pesca maravilhosa,1618-19, Peter Paul Rubens