
Santidade ao Senhor
Leitura Bíblica: Êxodo 29:1-9
1 "Assim você os consagrará, para que me sirvam como sacerdotes: separe um novilho e dois cordeiros sem defeito. 2 Com a melhor farinha de trigo, sem fermento, faça pães e bolos amassados com azeite, e pães finos, untados com azeite. 3 Coloque-os numa cesta e ofereça-os dentro dela; também ofereça o novilho e os dois cordeiros. 4 Depois traga Arão e seus filhos à entrada da Tenda do Encontro e mande-os lavar-se. 5 Pegue as vestes e vista Arão com a túnica e o peitoral. Prenda o colete sacerdotal sobre ele com o cinturão. 6 Ponha-lhe o turbante na cabeça e prenda a coroa sagrada ao turbante. 7 Unja-o com o óleo da unção, derramando-o sobre a cabeça de Arão. 8 Traga os filhos dele, vista cada um com uma túnica 9 e um gorro na cabeça. Ponha também os cinturões em Arão e em seus filhos. O sacerdócio lhes pertence como ordenança perpétua. Assim você dedicará Arão e seus filhos.
Conexão
Pedro, em sua primeira carta, nos ensina que, na medida em que nos aproximamos de Cristo, somos constituídos sacerdócio santo, ou seja, sacerdotes que estão em condições de fazer sacrifícios aceitáveis a Deus (1Pe 2:4-5); Diz ainda que nós, que não éramos povo, somos sacerdócio real, isto é, sacerdotes que ministram diante do Rei (1Pe 2:9,10). É bonito ouvir isso, mas como vivê-lo na prática? O texto que estamos examinando nos ajuda a levar esta bonita idêia ao nível da experiência real: ser sacerdote de fato.
1. Compreensão
Êxodo significa saída, por isso ouvimos a expressão “êxodo rural”, que significa a saída das pessoas do campo para as cidades. Este livro conta a história da saída do povo de Israel, a família de Abraão, Israel e Isaque, agora com até dois milhões de pessoas, que vivera como escravos no Egito durante cerca de quatro séculos. Acampados junto a um monte no Sinai, este povo recebeu a lei e os valores eternos que o tornou uma nação, a única que atravessou mais de dois milênios da história sem poder ser apagada. Deus queria constituir uma nação santa, por isso estabeleceu o sacerdócio, cuja responsabilidade era purificar a nação, livrando-a de seus pecados, pela intercessão diante de Deus e pelo anúncio da vontade de Deus aos homens. O que vemos neste texto é a consagração dos sacerdotes, ou seja, como recebiam a autoridade para agir como tal.
- 1.1. Sacrifício: Primeiro era necessário apresentar um sacrifício para pagar com a morte o preço dos pecados que os sacerdotes tivessem cometido (v. 1-3). Ao colocarem as mãos sobre o novilho (v. 10), os sacerdotes simbolizavam a tranferência de seu pecado a ele que morria em seu lugar.
- 1.2. Lavagem: Depois os sacerdotes deviam lavar-se na grande bacia de bronze, que ficava entre altar do holocausto e o tabernáculo. Pés e mãos eram lavados, sempre antes de entrarem no tabernáculo (Ex 30:17-21).
- 1.3. Vestidura: Então os sacerdotes deviam ser vestidos das roupas muito especiais preparadas para eles. O linho era tão fino que podia ser confundido com seda e espantosamente branco. Era entremeado de caríssimos fios azul, roxo e vermelho e de fios de ouro. Havia ainda a coroa de ouro que dizia “santo ao Senhor”. Um sacerdote vestido assim devia se destacar muito da multidão, afinal, suas roupas deviam lhe conferir dignidade e honra devida ao cargo (Ex 28:2).
- 1.4. Unção: Finalmente os sacerdotes seriam ungidos com um azeite finíssimo, misturado com caras especiarias perfumadas, algo muito caro e especial para os padrões daquela época (Ex 30:22-33), esta unção era o símbolo da autoridade que recebiam para exercer sua função.
2. Interpretação
Em todo o contexto é notório o alto custo de todo este ritual, sua beleza e esplendor e o grande respeito e reverência. Obviamente ao escrever as exigências do ritual de investidura dos sacerdotes, o autor bíblico quer mostrar a importância da santificação de Israel para ser o povo de Deus. Ao aplicar cada um destes quatro elementos da consagração dos sacerdotes a nós, que conhecemos a Cristo, como no belíssimo texto de Hebreus 10:19-24, os vários autores do Novo Testamento nos mostram as exigências de nossa própria santificação como sacerdócio santo e real:
- 2.1. O sacrifício de Cristo: O sacrifício feito por nós, de uma vez por todas, foi a morte do Senhor Jesus. Seu sangue nos purificou de todo pecado.
- 2.2. A lavagem pela Palavra: Somos lavados com água pela Palavra de Deus que nos é pregada e assim nos purificamos das impurezas do mundo em que vivemos (Ef 5:26).
- 2.3. As vestes de justiça: Nossas vestes de linho finíssimo, que dos destacam da multidão à volta, são os atos de justiça que (Ap 19:8).
- 2.4. A unção do Espírito: Como Jesus foi ungido pela presença do Espírito Santo para cumprir seu ministério (Is 61:1), nós também fomos cheios de poder e investidos para o ministério ao vir sobre nós o Espírito Santo (At 1:8).
3. Aplicação
Mas para que somos sacerdócio santo e real? Simplesmente para termos uma posição e nos destacarmos do restante? Certamente que não. Todo cristão é um sacerdote e pode entrar na presença de Deus levando o sacrifício de Cristo para a santificação do povo que está do lado de fora da tenda do encontro. Eles não podem entrar na presença de Deus, mas nós podemos, porque o sangue de Cristo está sobre nós, temos nos lavado na água da Palavra, estamos vestidos de uma conduta e ungidos pela presença do Espírito Santo.
Ao entrarmos na tenda do Encontro devemos falar em favor deste povo pecador e pedir a Deus por sua santificação. Ao sair, devemos falar da Lei de Deus, ensinando este povo a viver de maneira santa. Nosso sacerdócio existe para a santificação de nosso povo, como está escrito: “Recebam o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados” Jo 20:22,23.