4 de dez. de 2019

Não somos indivíduos

José Bernardo

A pessoa se define pelas sensações na pós-modernidade, e isso não pode ser partilhado. Portanto a verdade se torna particular, líquida e transitória. Em uma fase anterior, a pessoa se definiu pela razão, como em Descartes, no início da modernidade: ‘penso, portanto sou’. Assim, o compartilhamento da verdade estaria restrito apenas à argumentação. Antes ainda, a definição de pessoa foi pela emoção amplamente partilhada. O medo comum, por exemplo, fazia a verdade absoluta e universal. A psicologia e, principalmente, a psicanálise são pós-modernas; embora, às vezes, evitando o termo indivíduo, considera cada pessoa em particular, até mesmo na psicologia social.

Existindo apenas para as próprias sensações, isto é, para suas necessidades e desejos, o ser humano ignora os outros. Ao se concentrar no eu, perde a referência externa e fica à deriva. Como um barco que não pode se ancorar em si mesmo, assim são as pessoas que tomam seus impulsos animais como medida para todas as coisas. O barco à deriva tem a ilusão de que está livre, mas está perdido e eventualmente se destruirá ao chocar-se com o todo que não percebe. A tentativa de existir e se realizar como indivíduo é a causa das enfermidades emocionais pós-modernas.

Sobre isso Paulo disse aos romanos, “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente...” Rm 12:3. O padrão mundano a que se referiu foi esse, “Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter” Rm 12:3. Então ofereceu outra visão da pessoa: “... assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros” Rm 12:5. Ao adotar essa visão socio-coletiva ele disse que estaríamos experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Não somos indivíduos, fazemos parte de um corpo.

3 de dez. de 2019

Aproveite essa oportunidade

José Bernardo

'Você só vive uma vez', essa frase, muitas vezes citada em inglês e abreviada como #YOLO (you only live once), se tornou uma justificativa para todo o tipo de excessos nesta geração. O imediatismo que hipnotiza adolescentes e jovens, os leva a beber tudo o que podem, usar quanta droga alcançam, ter todo o sexo que conseguem e evitar compromissos e responsabilidades. É um caminho diferente do que a ideia original de Carpe Diem, que ensinava a deixar-se levar pelo que a vida oferece em cada dia. YOLO é a busca imediata do máximo prazer com o mínimo de dor.

O que adolescentes e jovens parecem não perceber é que ‘só se vive uma vez’, mas essa vida é eterna e a eternidade traz consequências. Paulo avisou: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” Gl 6:7. Nossos dias não são isolados, estão ligados uns aos outros e nunca acabam, de modo que aquilo que fazemos em um dia certamente produz consequências no dia seguinte, tanto quanto a bebida produz ressaca, as drogas destroem o cérebro e o sexo fora do casamento desgasta a chance de viver um grande amor.

O fato é que, em nossa eternidade, o futuro no qual não queremos pensar logo se torna o passado que destrói o nosso presente. É verdade que só vivemos uma vez, e essa vida tem passado, presente e futuro. Só vivemos uma vez, então devemos viver de tal modo que o presente seja sempre uma boa colheita das coisas que fizemos no passado. Não aproveitaremos o presente se negligenciarmos o futuro para nos arrependermos do que passou. Por isso Paulo ainda recomendou: “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos” Gl 6:9.

7 de set. de 2019

O campo de batalha

da re-evangelização no Brasil

José Bernardo

Há alguns anos, em meu serviço de ajuda às igrejas evangélicas brasileiras, para que cumpram sua missão bíblica de evangelizar todo o mundo, percebi que o inchaço do evangelicalismo no Brasil não nos dispensa de evangelizar mas, pelo contrário, exige uma nova evangelização dos que pensam que já estão evangelizados. O fato é que fomos tão assolados por falsos evangelhos, contaminados pelo mundanismo, que já nem se percebe o Evangelho de fato.


O apóstolo Paulo definiu sua missão como a destruição de fortalezas que são "...argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus..." 2Co 10:5. Em nossa era e em nosso país, da torre de vigia eu observo que a fortaleza mental construída por Satanás para escravizar o pensamento das pessoas é o 'bem-estar'. É em busca da felicidade em seus mais diversos aspectos, que as pessoas são cativas em argumentos e pretensões que as impedem de conhecer a Verdade.

2 de set. de 2019

Sobre qualidade e quantidade

José Bernardo.

Na verdade, sem quantidade não há qualidade. Qualidade é o conjunto e quantidade é um elemento.


“Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos” Jo 15:8. Volta e meia vemos líderes clamando qualidade para defender-se de sua falta de resultados. É um grande equívoco opor qualidade à quantidade: a qualidade é um conjunto e a quantidade é um de seus elementos. Uma refeição, por exemplo, deve ser saudável, saborosa, nutritiva, bonita, mas ainda não terá qualidade se lhe faltar quantidade. Tal e qual o produto de nosso ministério, a videira verdadeira não oferecerá uvas azedas (Is 5:2); suas uvas serão doces e em grande quantidade (gr. polus).

31 de ago. de 2019

Common evangelization

Jose Bernardo

In these days, evangelization faces aggressive contamination when biblical content is transformed into moralism and proposed from supposed ethical benefits. There are many Christians who think of biblical principles as an educational standard that could guide the lives of children, adolescents, and youth without the need for a confessional commitment, without the conviction of sin, righteousness, and judgment. They intend to make good people by dispensing with the redemption and regeneration of the Father's saving work in the Son and the Spirit. For such Pharisees it is enough to acquire good behaviors of nonviolence, ideal coexistence, integrity and psychosocial well-being. This is the basis of many evangelistic programs and major missionary investments in reconciliation, peace, health, nutrition, housing, rehabilitation, etc. When dealing with valuable biblical themes such as leadership, emotional healing, spiritual relationship, I am often asked how such knowledge can be transferred for the benefit of non-Christians, assuming that our mission as believers is to do good. Often the same people who desire such transference refuse the Gospel message of submission to the Kingdom of God in Christ as being religious and proselytizing.

A evangelização comum

José Bernardo

Nesses dias, a evangelização enfrenta uma contaminação agressiva, quando o conteúdo bíblico é transformado em moralismo e proposto a partir de supostos benefícios éticos. Há muitos cristãos que pensam em princípios bíblicos como um padrão educacional, que poderia pautar a vida de crianças, adolescentes e jovens sem que fosse necessário um compromisso confessional, sem a convicção do pecado, da justiça e do juízo. Eles pretendem tornar as pessoas boas dispensando a transformação pela redenção e regeneração da obra salvadora do Pai no Filho e pelo Espírito. Para tais fariseus é suficiente adquirir bons comportamentos de não violência, convivência ideal, honestidade e bem-estar psicossocial. Esta é a base de muitos programas e de grandes investimentos missionários em reconciliação, paz, saúde, nutrição, moradia, reabilitação etc. Quando trato de temas bíblicos valiosos como liderança, cura emocional, convivência, sou frequentemente questionado sobre como tais conhecimentos podem ser transferidos para benefício dos não cristãos, isto supondo que nossa missão como crentes é fazer o bem. Muitas vezes, as mesmas pessoas que desejam tal transferência, recusam a mensagem do Evangelho, de submissão ao Reino de Deus em Cristo, como sendo religiosa e proselitista.

24 de fev. de 2019

Individualismo

A ilusão do individualismo opera contra a missão divina. Não há serviço nem serventia na discórdia.



“Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” Ef 4:3. Depois de dizer que a missão de Deus foi delegada à Igreja, Paulo se ocupou de ensinar como a missão seria cumprida. Antes de tudo, é necessária a unidade, como em um corpo. Ele triplica esse conceito: unidade, quer dizer serem um só; vínculo, é estarem amarrados juntos; paz, é serem juntados em um todo. A unidade exige esforço, ou melhor, diligência, rapidez em agir, é gerada pelo Espírito e conduz à paz. Não se cumpre a missão com divisões, discórdias e divergências.

Oposição

A oposição é ou não é a melhor posição;
é necessário discernir antes de escolher.




“Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha” Mt 12:30. As ideias e ações de Jesus não se encaixavam no sistema, iam contra as teorias e expectativas vigentes, então os fariseus lhe fizeram forte oposição. Jesus reconheceu que haviam lados opostos, mostrou que estava do lado certo tanto por causa do propósito que tinha, como dos resultados que obtinha, e advertiu que opor-se a ele podia ser oposição ao Espírito Santo. Sempre há lados opostos no ministério; antes de se posicionar, o verdadeiro líder discerne e prefere as ideias e ações missionais.

Inteligência

É preciso inteligência, especialmente
para perguntar o que ainda não sabemos.


“Ele lhes respondeu: ‘Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. Mas receberão poder quando...’” At 1:8. Ter uma mente inquiridora, questionadora, pode ser de grande valor no trabalho missionário, como em qualquer liderança. A questão é que nem todas as perguntas e questionamentos são produtivos. Jesus falava sobre o que e como os discípulos deveriam fazer, mas eles queriam saber sobre quando e o que Deus faria. Jesus lhes disse que aquilo não lhes pertencia e insistiu que se concentrassem no que realmente era importante para a missão deles.

Amor

O amor que se prega nesses dias
é como uma casa sem o alicerce.



“Respondeu Jesus: ‘O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus...’” Mc 12:29,30. Ao citar o Shemá (Dt 6:4,5) como resposta para o mandamento prioritário, que vem antes dos outros, Jesus lembrou seus ouvintes da exclusividade do relacionamento com Deus como Senhor, o dono de tudo. Esse relacionamento deve consistir em amor e refletir-se em amor também nos relacionamentos humanos. Uma religião que prega amor ao próximo, mas não se submete primeiro ao senhorio de Deus não é bíblica, não é o cristianismo.