29 de mar. de 2020

De nada terei falta

Exposição bíblica do salmo 23

1 O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. 2 Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas;
3 restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. 4 Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.
5 Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice.
6 Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver.



Esse é o meu 11º dia em quarentena e muitas pessoas estão confinadas há mais tempo. São dias que não esperava viver. Enquanto me esforço para cumprir minha missão, mesmo em casa, me assustam os disparates que ouço ou leio, de todos os lados, de diferentes pessoas, e de diversas formas. Vejo que a COVID-19 nos surpreendeu em um individualismo extremo. Cada um diz o que pensa, mas isso não lhes serve de âncora, são arrastados pelas mentiras que produzem tentando guiar a si mesmos. Por isso, quase desisto de falar. A desconexão relacional é um problema muito maior do que essa suspeita pandemia. Infelizmente, mesmo a Igreja é severamente afetada por ela. Os crentes minimizaram a separação sob o falso conceito de que cada um é a Igreja. E esse é apenas um exemplo do engano a que vamos isolados.

Desde ontem, porém, tenho ouvido uma Palavra de Deus, e agora quero compartilhá-la com você. Não é o que eu penso, nem o que algum intelectual acha; certamente não é algo que a televisão noticiará. Essa é a exposição de um texto bíblico inspirado por Deus. Se você o ouvir, encontrará um caminho firme e direto para a sua vida, mesmo nesses dias de tanta incerteza.

23 de mar. de 2020

Por que viveremos?

Carta aberta.

Aos Ceifeiros, nossos intercessores, mantenedores e voluntários, à Igreja Brasileira, paz e alegria de nosso Senhor Jesus Cristo sejam com vocês. Oro para que estejam firmes na fé e guardados sob a poderosa mão do Senhor.

Enquanto escrevo a vocês, a pandemia da COVID-19 avança impiedosamente. Sobre isso, quero animar-lhes a que não se deixem intimidar. Não tenham medo do que o mundo teme e lembrem que Jesus Cristo é o Senhor. O medo leva muitos ao erro. A covardia é chamada de prudência; a falta de fé é tomada por ciência; a esperança se perde nos poderosos; nós, porém, se estamos em Cristo, devemos ter discernimento e permanecer inabaláveis.

Sobre isso, propus à nossa equipe o exemplo do apóstolo Paulo quando marchava para Jerusalém impelido pelo Espírito Santo, sabendo que prisões e sofrimentos o aguardavam: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus” At 20:24. Imitando a Cristo, Paulo decidiu em função de sua missão. Isso estabelece um princípio bíblico que desejo seguir e exorto a quem me ouve a fazer o mesmo.

Ir ou não ir, fazer ou não fazer, falar ou não falar... enquanto muitos tentam decidir essas coisas olhando para a feiura do Coronavírus, nós devemos tomar decisões com os olhos fixos na divina missão e ministério confiados a nós. Nossa missão bíblica é exclusivamente comunicar o Evangelho. Se o valor de nossa vida é determinado pelo cumprimento dessa missão, não teremos dúvida ao tomar cada decisão nesse cenário escatológico. É por isso que nos concentramos em continuar ajudando as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir sua missão bíblica de evangelizar todo o mundo, mesmo na presente situação.

Saibam que, o quanto possível, continuaremos vivos e saudáveis para que nossa missão divina se realize. Convido vocês a fazerem o mesmo. Nossa vida não terá valor se não cumprirmos a vontade de Deus. Portanto, irmãos, continuemos a viver, orando, contribuindo e trabalhando juntos para que cada criança, adolescente e jovem em cada país do mundo, receba uma apresentação relevante do Evangelho, mesmo sob a ameaça da COVID-19. Se fizermos assim, o Senhor Jesus estará conosco todos os dias até o fim dos tempos!

Seu para cumprirmos a missão divina,

José Bernardo
AMME evangelizar

Why we'll live?

Open letter.
To the Harvesters, our intercessors, donors and volunteers, to the Brazilian Church, peace and joy of our Lord Jesus Christ be with you. I pray that you are firm in the faith and kept under the mighty hand of the Lord.

As I write to you, the COVID-19 pandemic is advancing mercilessly. About this, I want to encourage you not to be intimidated. Do not be afraid of what the world fears and remember that Jesus Christ is the Lord. Fear leads many to error. Cowardice is called prudence; lack of faith is taken for science; hope is lost in powerful men; but we, if we are in Christ, must be discerning and remain unshakable.

About this, I proposed to our team the example of the apostle Paul when he marched to Jerusalem driven by the Holy Spirit, knowing that prisons and sufferings awaited him: “However, I consider my life worth nothing to me; my only aim is to finish the race and complete the task the Lord Jesus has given me—the task of testifying to the good news of God’s grace” Ac 20:24. Imitating Christ, Paul decided according to his mission. This establishes a biblical principle that I wish to follow, and I urge anyone who hears me to do the same.

To go or not to go, to do or not to do, to speak or not to speak ... while many try to make decisions by looking at the ugliness of the Coronavirus, we must make decisions with our eyes fixed on the divine mission and ministry entrusted to us. Our biblical mission is exclusively to communicate the Gospel. If the value of our life is determined by the fulfillment of this mission, we will have no doubt when making each decision in this eschatological scenario. That is why we focus on continuing to give God’s Word to every child, even in the present situation.

We want you to know that, as much as possible, we will remain alive and healthy so that our divine mission can be accomplished. I invite you to do the same. Our life will have no value if we do not fulfill God's will. Therefore, brothers, let us continue to live, pray, contribute and work together so that each child, adolescent and young person in each country of the world, receives a relevant presentation of the Gospel, even under the threat of COVID-19. If we do this, the Lord Jesus will be with us every day, giving us his strength until the end of time!

Yours to fulfill the divine mission,

José Bernardo

19 de mar. de 2020

O Senhor permaneceu ao meu lado

José Bernardo.

Há um sintoma do Coronavirus (COVID-19) mais destrutivo do que qualquer outro: a perda da visão. Não me refiro à visão física, mas ao propósito da existência, à missão da pessoa e das organizações. Assisti ao vídeo de um deputado português convidando seus pares a esquecerem-se de qualquer outra coisa para se concentrar apenas no combate ao vírus e salvar vidas. Ele foi muito aplaudido, mas qualquer proposta assim, embora pareça muito justa, pode conduzir a um mal ainda maior. O medo é útil para concentrar nosso esforço na saída de uma situação extrema, contudo, ao limitar nossa referência ao perigo que enfrentamos, nos desvia do propósito em que devemos perseverar. Fugindo de uma ameaça, entramos em um desvio angular e, quanto mais nos esforçamos, mais perdidos ficamos. O resultado é quase sempre desastroso. Não é razoável correr olhando para trás. Não há solução dentro do problema.

Sempre mostro aos mais jovens como a Palavra de Deus aponta para a santificação ao invés do pecado: “A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz” Rm 8:6. Esse é um princípio que devemos aplicar em todas as áreas de nossa vida, inclusive ao lidar com uma situação como a pandemia do Coronavírus. O apóstolo Paulo viveu assim e na extrema situação de uma morte iminente, sentindo-se evaporar no altar do sacrifício, escreveu: “Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão” 2Tm 4:17. Se quisermos imitá-lo, primeiro devemos saber qual é a missão para a qual Deus nos vocacionou e, então, encontrar no Senhor, que está conosco até o fim dos tempos, a habilidade necessária para cumpri-la.

Em algum momento de minha vida já pensei que eu ou os ministérios que lidero deveríamos existir para existir. Confesso que estava errado. Devemos existir para a missão à qual fomos vocacionados. Tentar sobrepor nossa existência à soberana vontade de Deus é idolatria. O nosso inimigo anda ao redor como leão, querendo nos devorar. Somente somos livres de sua boca quando cumprimos a missão que o Senhor nos deu. Quando tentamos salvar nossa própria vida, porém, nós a perdemos. Portanto, a questão urgente nesse momento, não é ‘o que faremos para ficar livres do COVID-19’, mas ‘como podemos cumprir nossa missão divina apesar dessa pandemia’. Se quisermos cumprir nossa missão, o Senhor estará ao nosso lado dando-nos a dunamis necessária para vivermos produzindo muito resultado. Cumprindo o propósito de nossa vocação, estaremos livres da boca do leão que tenta, pelo terror, nos precipitar à inutilidade da idolatria e à soberba da autopreservação.

The Lord stood at my side

José Bernardo.

There is a symptom of Coronavirus (COVID-19) that is more destructive than any other: loss of vision. I am not referring to physical sight, but to the purpose of existence, the mission of a person or organization. I watched a video of a Portuguese deputy inviting his peers to forget about anything else to focus only on fighting the virus and saving lives. He was widely applauded, but any proposal like this, although it seems very fair, can lead to even greater harm. Fear is useful to focus our effort on getting out of an extreme situation, however, by limiting our reference to the danger we face, it deviates from the purpose in which we must persevere. Fleeing from a threat without a greater purpose than self-preservation, we enter an angular deviation and the more we try, the more lost we become. The result is almost always disastrous. It is not reasonable to run looking back. There is no solution within the problem.

I always show young people how the Word of God points rather to holiness instead of sinfulness: “The mind governed by the flesh is death, but the mind governed by the Spirit is life and peace” Rom 8:6. This is a principle that we must apply in all areas of our lives, including when dealing with a situation such as the Coronavirus pandemic. The apostle Paul lived by this principle and in the extreme situation of imminent death, feeling himself evaporating at the altar of sacrifice, he wrote: “But the Lord stood at my side and gave me strength, so that through me the message might be fully proclaimed and all the Gentiles might hear it. And I was delivered from the lion’s mouth” 2 Tim 4:17. If we want to imitate him, we must first know what is the mission for which God has called us, and then find in the Lord, who is with us until the end of time, the necessary ability to fulfill it.

At some point in my life, I thought that I or the ministries I lead should exist to exist. I confess it was wrong. We must exist for the mission to which we were called. Trying to superimpose our existence on God's sovereign will is idolatry. Our enemy walks around like a lion, wanting to devour us. We are only free from his mouth when we fulfill the mission that the Lord has given us. When we try to save our own lives, however, we lose it. Therefore, the urgent question at this point, is not ‘what will we do to get rid of COVID-19’, but ‘how can we fulfill our divine mission despite this pandemic’. If we want to fulfill our mission, the Lord will be at our side giving us the necessary dunamis to live producing a lot of results. Fulfilling the purpose of our vocation, we will be free from the mouth of a like-a-lion that tries, through terror, to precipitate us into uselessness of idolatry and the pride in self-preservation.

7 de mar. de 2020

A liderança de Jesus

José Bernardo.

Muitos autores demonstraram a diferença entre o pensamento oriental e ocidental, particularmente no que se refere à liderança. Pessoalmente, eu diria que o ocidente lidera por objetivos, apontando prioritariamente aquilo que deve ser alcançado e desenvolvendo as estratégias para fazê-lo. A meu ver, a liderança oriental está mais relacionada com propósitos, princípios, com a razão da existência e o cumprimento ou completação dela. Uma liderança assim procura a plenitude da vida. Quando comparados com os norte-americanos, se isentos da influência deles, os líderes brasileiros tendem a buscar mais os propósitos do que os objetivos, mais o ‘por que’ fazer algo do que simplesmente ‘o que’ fazer. Essa postura é a razão de nossa liderança ser considerada menos eficiente quando analisada de uma perspectiva ocidental. Ela é menos objetiva, menos numérica, é mais complexa e mais difícil de explicar. Enquanto nossos colegas definem processos e procedimentos, debatemos a razão da vida.

Se Jesus fosse um líder ocidental, ele teria feito um plano trienal para seu ministério, estabelecido um determinado número de pessoas a alcançar com a mensagem do Evangelho, organizado uma lista de contatos nas cidades que visitaria, desenvolvido um produto a ser apresentado, contratado especialista por um processo seletivo objetivo e acompanhado a execução do plano com um gráfico PERT e indicadores de resultado. Mas o que vemos, depois do primeiro sucesso em Cafarnaum, é Jesus se recolhendo a um lugar ermo e orando até esclarecer por que ele havia vindo. Só então voltou à ação. Vamos encontrar essa mesma atitude ao longo dos anos seguintes, frequentemente iluminada pela frase ‘para que se cumpram as Escrituras’. Ao final de seu ministério, Jesus não apresentou um relatório de resultados, não enumerou cidades que visitou ou pessoas a quem pregou, ele disse: ‘está consumado’, usando o verbo gr. teleó, que indica completação.

A forma verbal da grande comissão sugere que nossa liderança deve se concentrar no propósito, igualmente. Conforme Marcos, ‘Ide e pregai’ são vasados no aoristo, tempo verbal que valoriza a ação pura sem definir sua duração ou término: algo como ‘indo, preguem’. Não é um imperativo objetivo como o pensamento ocidental desejaria ouvir; define um princípio, um modo de ação a ser observado. A liderança no cumprimento da missão, portanto, não se pode simplificar na aquisição de quantidades, deve buscar a definição de princípios de ação e a modificação de comportamentos. Desse modo, muito semelhante a Jesus, Paulo não chegou ao final de seu ministério relacionando quantas igrejas fundou ou quantos membros havia em cada uma; ele disse: ‘combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé’. Mas, entre dois mundos, entre a prioridade de propósitos ou de objetivos, sempre corremos sempre o risco de nunca nos realizarmos.
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Este ensaio pertence à série 'Eksucia' do treinamento de obreiros 'Fortalecer - Projeto 72' da AMME evangelizar, que estabelece o poder do caráter como a negação do próprio eu e a encarnação do caráter de Cristo. Aqui defende-se a negação dos objetivos pessoais para a realização dos propósitos divinos.

Jesus’ leadership

José Bernardo.

Many authors have demonstrated the difference between Eastern and Western thinking, particularly with regard to leadership. Personally, I would say that the West leads by objectives, prioritizing what must be achieved and developing the strategies to do so. In my view, Eastern leadership is more related to purposes, principles, the reason for its existence and its fulfillment or completion. Such leadership seeks the fullness of life. When compared to the Americans, if exempt from their influence, Brazilian leaders tend to seek more purposes than objectives, more ‘why’ to do something than just ‘what’ to do. This stance is the reason why our leadership is considered less efficient when analyzed from a western perspective. It is less objective, less numerical, more complex and more difficult to explain. While our colleagues define processes and procedures, we debate the reason for life.

If Jesus had been a Western leader, he would have made a three-year plan for his ministry, established a certain number of people to reach with the Gospel message, organized a list of contacts in the cities he would visit, developed a product to be presented, specialists to be contracted through a selection process and accompanied the execution of the plan with a PERT chart and result indicators. But what we see, after the first success in Capernaum, is Jesus retreating to a deserted place and praying until he clarifies why he had come for, only then returning to action. We will find that same attitude over the next few years, often illuminated by the phrase 'for the Scriptures to be fulfilled'. At the end of his ministry, Jesus did not present a results report, did not list cities he visited or people he preached to, he said: ‘it is finished’, using the verb gr. teleó, which indicates completion.

The verbal form of the grand commission also suggests that our leadership should focus on purpose. According to Mark, 'Go and preach' are poured into the aorist, a verb tense that emphasizes ​​pure action without defining its duration or ending: something like 'going, preach'. It is not an objective imperative as Western thought would like to hear; defines a principle, a mode of action to be observed. The leadership in fulfilling the mission, therefore, cannot be simplified in the acquisition of quantities, it must seek the definition of principles of action and the modification of behaviors. In this way, very similar to Jesus, Paul did not reach the end of his ministry by listing how many churches he founded or how many members there were in each; he said: ‘I fought the good fight, I completed my career and kept my faith’. But, between two worlds, between the priority of purposes or objectives, we always run the risk of never accomplish anything.
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This essay belongs to the 'Eksucia' series for the training of workers 'Empower72' of AMME evangelize, which establishes the power of character as the denial of self and the incarnation of the character of Christ. Here we defend the denial of personal goals for the realization of divine purposes.

5 de mar. de 2020

Pense nisso

Antes de limitar sua evangelização ao senso comum do 'Jesus te ama', pense um pouco mais sobre o que é a evangelização bíblica e que resultado ela deve proporcionar. Leia o ensaio <A evangelização comum>



"O porco cevado deve chamar de ‘graça comum’ a abundância de comida que recebe de seu dono antes do abate? O homem iludido em um conhecimento limitador da verdade deveria dizer-se ainda beneficiado pela ‘graça comum’ ou já atingido pela condenação eterna?" A evangelização comum. José Bernardo, 2019.

7 de jan. de 2020

A bússola

José Bernardo.

Uma enorme pressão mundana tenta redefinir a missão da Igreja. Há cinco décadas, nenhum crente teria dificuldade em dizer qual é a missão da igreja e a sua própria. Hoje, perguntar isso inicia um grande debate. As ideias humanistas que nasceram nas fissuras deixadas pela Reforma Protestante e pelo Evangelicalismo, escaparam totalmente à fé e encontraram o socialismo. A ideia da promoção humana encontrou terreno forte na massa moldável dos pobres, particularmente na América Latina. Às vezes motivada pelo antiamericanismo, a Igreja do Terceiro-mundo levou tais ideias como teologia missional para eventos mundiais e fisgou a igreja decadente do Primeiro-mundo.

Em Berlim 1966, Billy Graham, repetindo o pensamento evangélico disse, “Estou convencido de que, se a igreja voltasse à sua tarefa primordial de proclamar o evangelho e converter pessoas a Cristo, ela teria um impacto muito maior nas necessidades... dos homens...”. Em Lausanne 1974, John Stott, refletindo a contaminação da teologia latino-america pelas ideias marxistas, disse “Agora vejo mais claramente que não apenas as consequências da comissão, mas a comissão em si, precisam ser entendidas no sentido de incluir a responsabilidade tanto social quanto evangelística...”. Em uma década a missão da igreja foi completamente deformada pela filosofia e ciências sociais.

Em um vídeo disponível no YouTube, de uma palestra sobre Missão Integral de 2010, o brasileiro Ed René Kivitz revela a luz que iluminou sua experiência pessoal na redefinição da missão da Igreja, “... uma luz foi acesa e me deu um norte, que a teologia deveria ser feita, não apenas com a ferramenta da filosofia, para responder ao vazio de sentido da Europa, por exemplo, mas a teologia deveria ser feita com a ferramenta das ciências sociais, para responder ao sofrimento, especialmente nos países do Terceiro Mundo, e mais propriamente na América Latina”. A teologia à luz do pluralismo.

A Igreja deixou de ouvir a Palavra de Deus para seguir as vozes do mundo que declara ‘O homem é o deus do homem’ (Feuerbach). A missão define a ação, então, a igreja que se diverte de sua missão bíblica, não encontra o caminho e nem o destino. Por isso devemos continuar chamando a Igreja Brasileira de volta ao primeiro amor e às obras prioritárias (Ap 2:4,5). Nossa missão, por qualquer ângulo bíblico, se define pela Grande Comissão de proclamar o Evangelho do Reino, que Deus em Cristo quer governar aqueles que se voltarem para ele. Essa é nossa bússola!

5 de jan. de 2020

Fé, esperança e amor

José Bernardo.

Fé, esperança e amor são palavras extremamente usuais no cotidiano, mesmo fora da igreja, de tal modo que não é seguro assumir que o significado seja o mesmo que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, lhes deu quando disse: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor” 1Co 13:13. Na última linha do capítulo anterior, Paulo se propôs a mostrar um caminho mais excelente para a espiritualidade coletiva da igreja em Corinto. Era um contexto pós-moderno, semelhante ao nosso, onde cada pessoa pensava em si, por e para si apenas.

O prazer carnal e a luta por status eram a tônica entre aqueles crentes. O caminho mais excelente é o amor, e entender isso poderia ajudar as pessoas na mesma situação hoje. Mas, em um mundo que até confunde amor com sexo, como resgatar o poderoso ensino do apóstolo? Antes de tudo notamos que Paulo descreveu mudanças entre um estado original e uma situação futura. Então começou o versículo 13 com um advérbio que significa ‘exatamente agora’. Portanto, estamos no estado original onde permanecem fé, esperança e amor. No estado futuro, porque é mais largo ou extenso, teremos o amor.

Depois é necessário entender que as três virtudes formam uma unidade de partes conectadas. Primeiro, a fé que não pode ser confundida com pensamento positivo, crendice ou doutrina. Fé poderia ser mais bem traduzida por convicção, visto que é o resultado de um processo de conhecimento. Segundo, a esperança que não é espera de algo que não sabe se virá, mas por do que tem certeza da vinda, portanto expectativa. Terceiro, o amor que não é sentimento ou desejo, mas a preferência ou escolha entre diversos objetos. Finalmente, Paulo não diz que os crentes obterão essas três virtudes por esforço.

O caminho mais excelente está no contexto dos dons espirituais. Sobre eles, o Apóstolo Paulo disse: “... é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum” 1Co 12:6,7. É Deus quem infunde em nós convicção, expectativa e preferência e sem essas coisas não estamos vivendo a vida cristã. Infelizmente, a Geração Z nega a convicção pela tolerância, perde a expectativa pelo imediatismo e é incapaz de preferir porque não sabe escolher. Sem convicção não tem expectativa, e sem expectativa não tem preferência; resta prazer e status.