21 de out de 2017

Captador x doador

José Bernardo

Aprendi que é preciso dar de um modo que seja possivel continuar dando. O apostolo Paulo, citando o testemunho oral sobre Jesus lembrou que ele disse, “Há maior felicidade em dar do que em receber” At 20:35. Ele lembrou destas palavras do Senhor como fundamento de sua própria atividade ministerial. Esse dito e a atitude que Paulo ofereceu como exemplo à liderança da Igreja em Éfeso nos fazem pensar que dar e receber estão em diferentes lados de uma organização. De fato, a captação de dinheiro é uma jornada dupla de trabalho, paralela ao cumprimento da missão, e não raro se faz bem uma coisa ou outra. Conhecemos organizações que são tão eficientes em captar recursos que logo não cumprem sua missão e perdem a credibilidade. Outras, se dedicam tão exclusivamente ao ministério que esgotam os recursos e, por isso, também deixam de cumprir a missão. Eis o dilema! Esgotar a capacidade por se concentrar em dar, ou perder a credibilidade por se concentrar em receber? Mesmo em ministérios maiores, a dicotomia se vê quase como entre o deserto de areia dos departamentos dedicados a receber e o deserto de água dos departamentos dedicados a dar. Dividir o pessoal em funcionários e missionários, inviabilizar a isonomia no pagamento formal a uns e informal a outros, são apenas alguns dos problemas que seguem ao dilema do dar e receber. Esse dilema se resolve na parábola da semente: “Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto” Jo 12:24. Enquanto a semente é apenas grão, se for comida simplesmente, deixa de existir. Ainda, se não se entregar, se estraga e deixa de existir. Então a solução é se doar de um modo que frutifique. Essa é a solução que precisamos encontrar, um modo de dar em que possamos receber para continuar dando. Sobre isso o apóstolo Paulo disse aos gálatas, “O que está sendo instruído na palavra partilhe todas as coisas boas com quem o instrui” Gl 6:6, e também aos coríntios “Se entre vocês semeamos coisas espirituais, seria demais colhermos de vocês coisas materiais?” 1Co 9:11. Enquanto esse princípio for transgredido, a dicotomia entre captar e ministrar continuará dividindo e anulando os esforços. O ministério integrará a captação de recursos quando der por semente e não por comida, quando der para a reprodução e não para o consumo.
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Monetário x eficaz

José Bernardo

Aprendi que manter o foco no objetivo é o único modo de alcança-lo. O sucesso depende do foco. Um vício que desvia o foco da liderança, prejudicando a administração e o resultado do ministério, é a monetização dos problemas e das soluções. Estamos acostumados a traduzir tudo e muito rapidamente em quantidades de dinheiro. Não pensamos nos tickets para uma viagem aérea, mas no preço deles, no preço de um imóvel, não nas atividades a serem realizadas nele, no custo de uma refeição, não no sabor dela. Isso pode ser um reflexo do indesejável amor ao dinheiro: “pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” 1Tm 6:10. Estamos falando da enorme diferença entre preço e valor. Um montante de dinheiro é o preço. O valor de um objeto, porém, está em sua utilidade em um contexto. Costumo dizer que se não necessitamos de algo, até de graça é caro. Se não há uma relação direta entre preço e valor, porque sempre estamos tão presos ao dinheiro? É a cultura, é o hábito, mas é mundano e ineficaz. O dinheiro é um meio situacional, já que não é o meio em toda situação. Depois que fazemos tudo para obter um numerário, ainda estamos na primeira metade do caminho para qualquer objetivo. ‘Eu preciso de dez mil’ não é um problema, nem ‘eu tenho dez mil’ é uma solução. Por isso, a eficácia do ministério depende de mantermos claro os objetivos e os recursos para alcança-los. Qual é a real necessidade? Qual é a verdadeira solução? Se pudermos responder a essas perguntas objetivamente, a solução não somente será mais facilmente encontrada como também haverá melhor aproveitamento da capacidade de trabalho e maior impacto nos resultados. A monetização de necessidades e soluções é um desvio e reduz a eficácia. Precisamos lidar com problemas reais para encontrar soluções verdadeiras. Portanto, preços à parte, quando discutimos um projeto, devemos relacionar os recursos necessários para desenvolvê-lo e comunicar a necessidade destes recursos do ponto de vista dos resultados que esperamos alcançar com o projeto. As pessoas que nos ouvirem entenderão mais facilmente que não somos cobiçosos de dinheiro, mas mantemos nossos corações puros enquanto procuramos agradar a Deus com os frutos que ele quer.
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Singular x múltiplo

José Bernardo

Aprendi que a busca de novos meios de financiamento para o ministério deve ser orientada pelo propósito e pelo resultado. A Palavra de Deus estabelece um sistema bem definido para o ministério, como disse Malaquias, “Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa” Ml 3:10. Talvez não outros, mas eu sofro com o conflito de que Deus estabeleceu um sistema de financiamento e muitas vezes precisamos buscar outros meios porque a igreja não cumpre sua parte, não sustenta o ministério como Deus ordenou. É com tristeza que aplico estas palavras de Tiago à própria Igreja: “Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos” Tg 5:4. Também ouço esse clamor quando Paulo disse: “E como pregarão, se não forem enviados?” Rm 10:15. Ele mesmo, enquanto evangelizava os enfermos coríntios, precisou fazer tendas para garantir o próprio sustento. Contudo, a enfermidade da igreja que não aplica corretamente os dízimos não deve impedir os obreiros de cumprir a obra para a qual foram chamados, ou seriam igualmente culpáveis. Por isso, devemos considerar que não sendo os dízimos e as ofertas suficientes para cumprir o plano de Deus, outros meios de sustento devem ser considerados. Se a Igreja não contribui, é hora de fazer tendas, mesmo sabendo que isso impõe uma difícil dupla jornada, que diminui a eficiência do ministério. Paulo, havendo outra forma de sustento, deixou de lado as tendas e dedicou-se integralmente ao ministério para o qual foi chamado. Infelizmente, o desvio da missão bíblica da Igreja de pregar o Evangelho a toda criatura, está causando um distúrbio na obra missionária. Sob pretexto de fazerem tendas, muitos obreiros já não se dedicam integralmente ao ministério. Se divertem em empreendimentos conforme seus interesses e preferências, deixando de lado a evangelização. Começam com negócios alternativos para sustentar o ministério, e logo estão cumprindo o ministério apenas como alternativa. O apóstolo Paulo, no entanto, manteve o propósito e o resultado da missão bíblica como prumo para sua busca de recursos múltiplos para o sustento ministerial, por isso se manteve firme e não se desviou. Isso não é de se admirar quando sabemos como ele estava focado: “Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro...” Fp 1:18.
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Ministerial x empresarial

José Bernardo

Aprendi que gestão e liderança podem existir como uma boa disposição dada por Deus. Entristece ver como alguns crentes à frente de organizações cristãs tem dificuldade em discutir temas de gestão e liderança, por pensarem que não podem conduzir um ministério como um empreendimento. É claro que não podemos tratar de liderança como o mundo a trata, e os teóricos da administração secular passam longe da verdade, muitas vezes. Porém, quando Jesus disse “Não será assim entre vocês. Pelo contrário...” Mt 20:26, deixa implícito que há uma maneira cristã, bíblica, de gerenciar e de liderar. Não podemos simplesmente ignorar isso e falhar na construção de uma organização eficiente e eficaz apenas para parecermos mais espirituais. O termo empresarial que estou usando aqui tem origem no latim a partir do prefixo em e do sufixo prender, assim, empresa, empresarial, empreender e empreendimento, fazem todos a ideia de capturar algo para si, ou realizar alguma coisa. Nesse sentido, o ministério deve ser empresarial, isto é, deve realizar algo, capturar alguma coisa que depois será apresentada a Deus. Essa é a perfeita ideia da colheita que somos chamados a fazer. Não se pode cumprir um ministério se isso não resulta na captura ou realização de algo valioso. Então, para ser empresarial, o ministério precisa ser intencional e organizado, precisa definir objetivos e planejar o modo de alcança-los. A desorganização não serve melhor aos propósitos divinos, nem a confusão abre mais espaço para a atuação do Espírito Santo. Pelo contrário, a Palavra de Deus é rica em ensino sobre administração e a maior parte dos escritores bíblicos foi de excelentes empreendedores. Quando o apóstolo Paulo ensinou aos crentes de Roma que não deveriam se conformar com o pensamento mundano, disse que cada crente estava dotado por Deus de uma boa disposição para realizar coisas. Na lista de boas disposições divinas que faz, não se distinguem dons espirituais de dons naturais. Tudo vem de Deus, tudo se deve a ele. Então, entre tais boas disposições divinas ele também apresenta estas: “Se o seu dom é servir, sirva... se é exercer liderança, que a exerça com zelo...” Rm 12:7,8. Eu sempre encontrei uma riqueza inesgotável de ensino sobre gestão e liderança na Palavra de Deus, mesmo para administrar empresas que dirigi. Então não acho estranho procurar esses ensinos para tornar o ministério mais eficiente e eficaz. Não há erro em organizar o ministério para fazê-lo mais produtivo.
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20 de out de 2017

Amador x especialista

José Bernardo

Aprendi que não a mediocridade, mas a excelência glorifica a Deus. Como o Deus que tudo fez com tanta perfeição poderia admitir um ministério realizado com má qualidade? Infelizmente, de alguma forma, muitos obreiros evitam serem profissionais naquilo que fazem com o receio de não parecerem missionais ou espirituais o suficiente. Para eles parece não haver qualquer espiritualidade em um trabalho especializado, por isso preferem o amadorismo, o improviso e a falta de qualidade. As Escrituras, no entanto, ensinam: “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura” Pv 22:29, e até advertem com gravidade, “Quem relaxa em seu trabalho é irmão do que o destrói” Pv 18:9. É fato que muitos profissionais confiam tanto em seus conhecimentos e habilidades que não dão lugar a Deus esquecendo que “Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda” Sl 127:1. Por outro lado, "Maldito o que faz com negligência o trabalho do Senhor!” Jr 48:10. Até mesmo quando Deus ordena a destruição de uma nação, quer que essa obra seja feita por soldados profissionais, especializados, capazes de realizar a destruição perfeitamente. Então, seja edificando uma casa, vigiando uma cidade, ou destruindo uma nação, a obra de Deus deve ser feita em dependência dele, mas com a qualidade de um profissional. Jesus não foi conhecido por seu amadorismo, mas pela sua capacidade de fazer tudo com excelência incomparável: “... as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” Mt 7:28,29. Moisés, um administrador profissional foi chamado para liderar Israel, Paulo, um político profissional foi chamado para liderar a Igreja. Ambos fizeram isso sob a direção de Deus e com toda a qualidade. Nós também, precisamos buscar a excelência em tudo o que fazemos. Nossos obreiros não devem oferecer a Deus um serviço de menor qualidade do que ofereceriam ao mundo. Se o fizessem, se oferecessem algo que os poderosos do mundo não aceitam, estariam desprezando ao Senhor! Esse é o padrão da oferta, como Malaquias a expôs da parte de Deus (Ml 1:6-8). Na comunicação do Evangelho, precisamos de comunicadores especializados que apresentem o Evangelho no poder do Espírito Santo. Aperfeiçoe-se! Não há espaço para amadores no Reino de Deus.
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Missional x frutífero

José Bernardo

Aprendi que ser missional é ser frutífero, pois Deus detesta a improdutividade. É um mal-entendido que a aversão ao lucro leve um ministério a confundir sua condição missional com a ineficiência. É o caso do absurdo de algumas igrejas se considerarem mais santas e missionais porque não crescem. A nossa luta contra a ganância e a cobiça não pode se tornar uma luta contra a prosperidade saudável e os resultados que Deus demanda. A árvore que não dá fruto é cortada e lançada no fogo (Mt 7:19; Jo 15:2). Deus está interessado em resultados e é preciso apresenta-los. Ser missional não pode significar ser infrutífero. Ainda que não sejamos instituições que repartam lucro, devemos ser superavitários para os resultados que nos comprometemos a apresentar a Deus. O desejo pela abundância e pelo crescimento deve ser preservado no ministério, para glorificar a Deus, como disse Jesus: “Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos” Jo 15:8. Portanto, a mesquinhez nunca é um sinal de santidade, muito pelo contrário. Vemos isso na parábola dos talentos. O homem que escondeu seu talento alegou que tinha medo. Isso era verdade? Ele estava cheio de um santo temor e por isso não multiplicou aquilo que recebeu? Vejamos o que ele mesmo disse: "Por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’” Mt 25:24,25. Está claro que aquele senhor rejeitou a desculpa do servo mal e negligente. Independentemente do sentimento que ele tivera, a questão está em como ele via o seu senhor, como um homem severo, que junta onde não semeou. Foi essa visão de seu senhor e não o sentimento que o impediu de fazer alguma coisa para multiplicar aquilo que recebeu. O fato é que ele não teve interesse em multiplicar o talento por causa de um pensamento de oposição. Podemos chamar isso de avareza. Aquele trabalhador não sentiu alegria, não teve boa disposição em ver seu senhor ganhar novamente. É isso o que falta a crentes que não buscam a abundância no ministério, que se acomodam em ministérios medíocres, que não se esforçam por novas e maiores coisas para a glória do Senhor. Não podemos chamar isso de santidade. Os santos não são miseráveis.
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Lucro x superávite

José Bernardo

Aprendi que organização sem fins de lucro não significa organização sem recursos. Não é possível desenvolver um ministério saudável com boa vontade apenas. Nem todo o conhecimento de marketing e habilidade de venda são suficientes para um empreendimento sem um fluxo de recursos. Não o dinheiro simplesmente, mas os recursos que as vezes o dinheiro pode pagar. Então, tratando de financiamento nas organizações sem fins lucrativos, é interessante lembrar que a palavra finanças deriva do francês ‘finer’, ou seja, finalizar, na ideia de levar algo a bom termo e, portanto, a habilidade ou a capacidade de terminar necessidades e pagar débitos. Podemos definir os recursos necessários para a saúde de uma organização como humanos – incluído todas as pessoas que desenvolvem seus serviços; materiais – os insumos ou componentes necessários no serviço; logísticos – os equipamentos e as estruturas de produção; estratégicos – os planejamentos tático, estratégico e operacional. Uma organização saudável é aquela que tem suficiência e administra com sabedoria cada um desses tipos de recurso. Porém, a suficiência dos recursos não significa que se possa limitar ao suprimento elementar da finalidade missional. Embora não tenha fins de lucro, uma igreja ou um ministério deve ser superavitário. Essa expectativa se vê bem no resultado ideal do ministério da evangelização conforme Jesus ensinou: “... o que foi semeado em boa terra: este é aquele que ouve a palavra e a entende, e dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um" Mt 13:23. O Senhor ainda voltou a mostrar seu interesse no superávite de seu ministério quando disse aos discípulos: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” Jo 15:16. O ministério saudável, que se faz com suficiência e boa administração de recursos humanos, materiais, logísticos e estratégicos, deve produzir um impacto progressivo para ser efetivamente transformador. A simples troca de valore não gera resultado para ser apresentado ao Pai. Precisamos colher mais do que plantamos! Em alguns casos, o superávite vem na forma de novos recursos para a continuação do ministério, como quando quem é ensinado, reparte do melhor que tem com quem o ensina (Gl 6:6). De qualquer modo, não fomos chamados à estagnação e ao decréscimo, mas ao crescimento e à abundância.
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Visão x serviço

José Bernardo

Aprendi que o serviço precede os recursos, propiciando a disposição para retribuir. “Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem, também será usada para medir vocês” Lucas 6:38. Esta afirmação de Jesus também apresenta o princípio básico e recorrente da semeadura e colheita. É preciso dar para receber, semear para colher, servir para ser recompensado. Os recursos seguem o serviço. Quando as pessoas são servidas com dedicação, normalmente desata-se nelas um impulso de generosa retribuição. Não é um processo sem obstáculos e exceções, mas é normal. Esse princípio se vê reflexo em cada ensino sobre financiamento. Por exemplo, quando Jesus e depois Paulo afirma que "o trabalhador merece o seu salário" (Lucas 10:7; 1Tim 5:18), a ideia de um trabalho intensivo e resultante vem antes do recurso que recebe. Hudson Taylor, missionário inglês que serviu na China por 51 anos na segunda metade do século 19, disse sobre financiamento que ‘O trabalho de Deus, feito do modo de Deus, nunca tem falta dos recursos de Deus’. Desse modo ele também situou o serviço antes do recurso. Já ouvi que o dinheiro segue a visão, mas o que observo é que a visão desprovida de serviço efetivo logo é desacreditada. O dinheiro, isto é, os recursos seguem o serviço, ainda que, a bem da objetividade e coerência, o serviço deve ser feito sob uma visão. É a perspectiva ou a sensação de satisfação que desata a generosidade de quem é servido, a vontade de retribuir. Portanto, o pensamento do levantamento de fundos deve ser menos o de obter dinheiro e mais o de prestar serviço. O grau de satisfação das pessoas frequentemente determinará a intensidade de sua retribuição. Um dos problemas que enfrentamos no terceiro setor, porém, é que estamos sempre esperando receber de quem não pensamos servir. A separação entre clientes e beneficiários cria um paradoxo que dificulta a captação. No primeiro e segundo setor, governamental e privado, espera-se receber de quem se serve. No terceiro setor servimos as crianças em situação de risco, por exemplo, mas esperamos receber do governo ou de empresários. No entanto, quando não pensamos em prestar um serviço do interesse dessas terceiras partes, a captação de recursos se torna difícil ou até impossível. A disposição para servir é característica fundamental no levantamento de recursos.

4 de out de 2017

Amor

José Bernardo

Aprendi que sem fé não há esperança e que sem esperança não há amor. Amar exige crer que se deve dar. Ser amado demanda a esperança de receber. O amor verdadeiro não acaba, mas, na falta de fé e esperança nunca chega a existir. Então, amar e ser amado é uma relação rara e complexa.

Sakura flowers by Cláudio Akaki (detalhe)

Crer que se deve dar é um grande desafio, uma luta contra o egoísmo, principalmente quando é necessário eliminar o interesse na vantagem, a condição de ser amado em retorno. Mesmo assim, depois de quem ama superar sua carne e decidir dar, resta a quem é amado ter a esperança de que não será defraudado, de que terá o que é verdadeiramente melhor. O próprio Deus, falando através de Jeremias, encontrou dificuldade em fazer Judá acreditar que o exílio na Babilônia era um ato de amor: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro” Jr 29:11. Como Deus encontrou a certeza de que deveria continuar amando Judá quando tudo o que recebia em retorno era o vergonhoso adultério, a infidelidade na adoração a outros deuses? Como Deus decidiu que valia a pena insistir em dar a Judá quando um século antes havia dispersado Israel completamente? Então, nesse verso, encontramos o esforço ainda maior de convencer Judá de que o cativeiro na Babilônia era uma verdadeira expressão de amor. Falsos profetas seduziam facilmente o povo com a ideia de que logo estariam livres, e retornariam à sua terra. Esse parecia ser o caminho que o amor deveria seguir. Como, então, poderia ser que Deus quisesse mantê-los cativos por setenta anos em Babilônia? Verdadeiramente, “Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos” Pv 27:6. No entanto, como é difícil construir a esperança do amor no outro, e como é difícil ter esperança em ser amado. A mesma dificuldade de Judá em sentir-se amado no cativeiro é a do crente de hoje, quando enfrenta situações difíceis. Quanto custa crer que “...Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” Rm 8:28. É uma luta contra a fraqueza da carne e a ajuda do Espírito é indispensável. E essa relação de confiança, tão rara e complexa, que demanda fé para amar e esperança para ser amado, é igualmente difícil entre esposo e a esposa, pais e filhos e entre amigos. “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor” 1Co 13:13.
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Foto: Cláudio Akaki (detalhe).
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3 de out de 2017

Música

José Bernardo

Aprendi que confundir a música com ministério é um dos maiores problemas atuais para o culto cristão. Muitos líderes também têm apontado para o equívoco de denominar músicos e cantores evangélicos como levitas, quer porque isso não reflete tal função no culto judaico, quer porque confunde a verdadeira posição dos músicos e da música no culto cristão.


A denominação de levitas faz supor um ministério que não existe no Novo Testamento e distorce conceitos importantes como o de louvor, por exemplo. Quando ‘louvor’ se torna sinônimo de música, nem se louva verdadeiramente, nem se utiliza corretamente a música. O que se vê é o entretenimento e a igreja se tornando casa de shows. Paulo fez uma relação de cinco ministérios na carta aos Efésios: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres...” Ef 4:11. Com o crescimento das igrejas, dois outros ministérios foram ainda identificados: o de epíscopos ou bispos e o de diáconos. A música, em qualquer uma de suas formas, não consta entre esses sete ministérios bíblicos, portanto, um músico não é, apenas por seu talento, um ministro da igreja bíblica. Por outro lado, entre as listas dos dons espirituais não se encontra o dom de cantar ou de tocar instrumentos, o que nos leva a considerar tais talentos como capacidades, habilidades e conhecimentos humanos apenas. É preciso considerar ainda que, como Paulo orientou muito objetivamente os crentes de Corinto, o culto cristão tem a obrigação da inteligibilidade e da edificação: “Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja” 1Co 14:26. Nos reunimos para aprender e a nossa adoração acontece em diversos momentos ou formas, como disse o próprio Jesus: “Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos” Jo 15:8. Sendo assim, qual é o verdadeiro lugar da música no culto cristão? É fácil perceber que a música é uma linguagem e praticamente qualquer um dos ministérios pode se expressar através desse meio. Cantando ou tocando é possível plantar igrejas, proclamar a Palavra, evangelizar, aconselhar, ensinar, supervisionar e servir. Portanto, a música que não coopera para a missão da Igreja é inútil, e o músico que não tem um ministério bíblico causa problemas e não ajuda.
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Foto: Three singers por Adam Coster, de 1607 a 1643 (detalhe).
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